Mercado: queda nas vendas de algumas marcas chega a quase 50% neste ano

No acumulado de 2020 até setembro, vendas do mercado nacional registram redução de 32,8%
Concessionárias deverão seguir uma série de protocolos na reabertura gradual em São Paulo

Concessionárias deverão seguir uma série de protocolos na reabertura gradual em São Paulo | Imagem: Divulgação

Medidas necessárias para o enfrentamento da crise sanitária provocada pelo novo coronavírus, o isolamento social e o fechamento de fábricas e do comércio no país trouxe um impacto severo para o mercado automotivo nacional.

Com fábricas que chegaram a ficar paradas por dois meses e concessionárias enfrentando restrições de abertura, os últimos meses fizeram muitas montadoras e empresas consumirem grande parte dos seus recursos em caixa para retomar as atividades em um período mais recente. Com isso, até mesmo alguns projetos foram congelados por parte das montadoras até que o fôlego financeiro seja retomado.

Segundo os dados mais recentes, o mercado acumula uma queda de 32,8% quando comparamos os meses de janeiro a setembro deste ano com o mesmo período de 2019. 

Contudo, uma análise mais profunda de cada marca de maneira isolada nos mostra resultados ainda mais preocupantes.

Tomando como base as 10 marcas mais vendidas no acumulado de 2020 (confira lista abaixo) e levando em consideração a soma de automóveis de passeio e comerciais leves, a perda do volume de vendas da Renault chegou a 48,2% de retração de janeiro a setembro, com 90.260 emplacamentos frente aos 174.532 veículos comercializados pela montadora francesa em 2019 no mesmo espaço de tempo.

Depois da Renault, a Ford e a Honda aparecem como as marcas que foram mais abaladas pela crise causada pela pandemia da Covid-19, com quedas de 41,2% e 41,6% de seus volumes de venda, respectivamente, considerando a relação anual entre o acumulado de janeiro a setembro.

Algumas marcas como a Nissan (-36,6%) e Chevrolet (-35,4%) apontam decréscimos de venda alinhados com a média do mercado brasileiro.

Em um cenário mais otimista, por assim dizer, algumas marcas viram um recuo menor de seus emplacamentos em relação ao cenário do mercado como um todo. De acordo com o levantamento do Autoo, entre as 10 marcas mais vendidas neste ano somando automóveis de passeio e comerciais leves, a Fiat foi a que apresentou a menor perda comercial, com um recuo de 22,9% no acumulado de 2020 em relação ao ano anterior.

Pode ter colaborado para a Fiat a boa aceitação da nova Strada, modelo que inclusive superou o Chevrolet Onix no ranking dos carros mais vendidos do país no mês passado.

Depois da Fiat, a Volkswagen (-25%) e a Jeep (-25,1%) também foram duas marcas que conseguiram reduzir as perdas para 2019 até o momento. Contou a favor da VW os emplacamentos do T-Cross Sense, versão do SUV compacto destinada ao público PcD, logo após a retomada das atividades produtivas da empresa. Seguindo a mesma lógica, a ampla participação do Renegade no segmento de compra com isenção explica, em parte, como a Jeep conseguiu amortecer sua queda nas vendas no Brasil.

Apesar de tudo, entidades como a Fenabrave apontam que o pior do cenário econômico pode estar ficando para trás. Em seu balanço relativo a setembro, a entidade que reúne os concessionários apontou que, com uma retração de apenas 2,57% no volume de vendas de veículos em setembro deste ano se comparado com setembro de 2019, o sinal é que o mercado já volta a operar em níveis pré-pandemia. 

A Anfavea, por sua vez, associação que congrega as fabricantes instaladas no Brasil, vislumbra um cenário “menos pior”, nas palavras da entidade, para este ano graças aos números alcançados no mês passado. Antes trabalhando com um cenário de baixa entre produção e venda da ordem de 40% para 2020, a Anfavea acredita que a queda deverá ficar em torno de 35% neste ano. 

“Apesar da recuperação dos últimos meses, as novas projeções ainda apontam fortes quedas em todos os indicadores. A produção estimada para o fim do ano é de 1,915 milhão de unidades, queda de 35% sobre 2019 e pior ano desde 2003. A expectativa da Anfavea para o mercado interno de autoveículos novos (automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus) é de 1,925 milhão de unidades licenciadas no ano, queda de 31% e pior resultado desde 2005. Nas exportações, estima-se o envio total de 284 mil unidades, 34% a menos que no ano anterior, pior volume desde 1999. Para o setor de máquinas agrícolas e rodoviárias, as projeções são um pouco melhores, com crescimento de 5% nas vendas, mas quedas de 4% na produção e de 31% nas exportações”, pontua a Anfavea. 

Confira, abaixo, um resumo das 10 marcas mais vendidas de janeiro a setembro de 2020 englobando automóveis e comerciais leves: 

Posição e marca - Volume de vendas de janeiro a setembro de 2020 (queda nas vendas na relação anual) 

1º Volkswagen - 223.786 (-25%) 

2º Chevrolet - 223.057 (-35,4%) 

3º Fiat - 204.317 (-22,9%) 

4º Hyundai - 111.121 (-28,1%) 

5º Toyota - 93.805 (-39,9%) 

6º Ford - 93.616 (-41,2%) 

7º Renault - 90.260 (-48,2%) 

8º Jeep - 70.384 (-25,1%) 

9º Honda - 56.129 (-41,6%) 

10º Nissan - 43.521 (-36,6%)

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