A prisão de Carlos Ghosn, até então o idealizador e comandante das marcas que compunham a Aliança Renault-Nissan, deixou emergir uma série de questões envolvendo a parceria estratégica entre as companhias, que hoje também envolve a Mitsubishi.

Segundo alguns rumores, Ghosn trabalhava nos bastidores para realizar uma fusão completa entre a Renault e a Nissan, aprofundando os laços entre as suas empresas. A ideia, contudo, foi contestada pelo governo francês e também não foi vista com bons olhos pelo atual CEO da Nissan, Hiroto Saikawa, que considera que até hoje o acordo comercial entre as duas empresas favoreceu muito mais o lado europeu. A Renault, atualmente, conta com 43% das ações da Nissan. Quando as declarações de Saikawa ganharam repercussão global, a defesa de Ghosn alegou que o executivo havia sido vítima de um “golpe” para afastá-lo do comando das empresas.

Agora, contudo, o jornal Financial Times relata que a Renault e a Nissan trabalham sim em plano para concretizar sua fusão dentro de 12 meses e o conglomerado ambiciona tornar-se ainda maior. Ainda de acordo com a publicação, a fusão entre a Renault e a Nissan também envolve uma negociação financeira para que a Fiat Chrysler Automobiles faça parte desse novo grupo industrial.

Se a união de fato avançar, a empresa resultante dessa nova estruturação de capital conseguiria fazer frente ao grupo Volkswagen e à Toyota, hoje em dia os principais grupos do setor. Quando procuradas, Renault, Nissan e Fiat Chrysler não comentaram sobre o assunto. Apenas um porta-voz do governo francês declarou que “a prioridade do governo é a aliança que a Renault conta com a Nissan”.

Vale a pena destacar que, recentemente, a Peugeot Citroën tentou uma aproximação com a Fiat Chrysler, porém a empresa que nasceu da união entre as marcas italiana e norte-americana recusou a oferta do grupo francês, o que abre uma brecha para a FCA sentar-se a mesa com a Renault-Nissan.

“Eu quero encontrar áreas onde a cooperação – seja por meio de parcerias, joint-ventures ou quaisquer níveis de cooperação que faça sentido para nós e quem quer que seja – nos proporcione a criação de veículos melhores para nossos consumidores e um retorno melhor para nossos acionistas”, declarou Mike Manley, CEO da Fiat Chrysler, durante o Salão de Genebra.

Atualmente a Renault tem um valor de mercado estimado em US$ 18,9 bilhões, com a Nissan atingindo US$ 35 bilhões. Analistas apontam o valor de mercado da Fiat Chrysler Automobiles em US$ 23 bilhões. Certamente uma união entre essas empresas traria um ganho enorme em termos de compartilhamento de projetos, redução de custos e ganhos operacionais. Vamos seguir de perto a evolução dessa negociação.

César Tizo

O "Guru dos Carros", César Tizo se juntou ao time este ano e está à frente dos portais AUTOO e MOTOO. É o expert em aconselhar a compra de automóveis

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