Rodízio na cidade de São Paulo volta ao formato tradicional a partir de segunda-feira (18)

Prefeito Bruno Covas anunciou a medida neste domingo; confira detalhes
São Paulo

São Paulo | Imagem: Agência Brasil

Alegando que o formato mais restritivo não surtiu o efeito esperado no índice de isolamento social, o prefeito da cidade de São Paulo (SP), Bruno Covas, anunciou em coletiva virtual na manhã deste domingo que o rodízio veicular municipal voltará ao padrão convencional a partir desta segunda-feira (18).

Segundo Covas explicou, “não tem sentido a gente exigir esse esforço sobrenatural das pessoas se, do ponto de vista prático, a única razão para qual o rodízio foi feito, que é aumentar o isolamento social, não foi cumprida”. “Comparando a sexta-feira, dia 8, com a sexta-feira, dia 15, subimos [o isolamento social] apenas dois pontos percentuais, passando de 46% para 48%, mantendo-se abaixo de 50%”, acrescenta o prefeito.

Como noticiamos, pela regra vigente até este domingo (17), carros com placas de final par só poderiam rodar em dias da semana pares e veículos com final ímpar nos dias ímpares. A regra era válida durante todo o dia, incluindo sábados e domingos, e englobava todas as vias da cidade. 

A partir de amanhã, portanto, serão multados os carros com finais de placa 1 e 2 que circularem entre 7h e 10h da manhã e entre 17h e 20h nas vias que delimitam o chamado centro expandido (marginais Tietê e Pinheiros, mais as avenidas dos Bandeirantes, Afonso d‘Escragnolle Taunay, Presidente Tancredo Neves, Juntas Provisórias, Luís Inácio de Anhaia Melo, Salim Farah Maluf e o Complexo Viário Maria Maluf). Na terceira-feira, a restrição aplica-se a automóveis com placas 3 e 4, na quarta-feira a medida abrange as placas 5 e 6 seguindo dessa forma até as placas 9 e 0 na sexta-feira. 

“Quando comparamos essa semana do rodízio com a semana anterior, nós retiramos, em média, um milhão e duzentos e setenta mil veículos por dia. E mesmo diante de tanta incompreensão diminuímos em 5,5 % o número de passageiros nos ônibus a cidade”, explicou o prefeito Bruno Covas. Segundo o chefe do executivo municipal, "vamos retomar o rodízio tradicional a partir de amanhã, mas isso não pode ser desculpa para que as pessoas se sintam a vontade para retomar a circulação na cidade. Precisamos ampliar o isolamento rápido e estamos ficando sem alternativas”.  

Durante a coletiva, Covas reiterou que “antes de pensarmos em abrir, precisamos parar. Mas é preciso dizer que a Prefeitura sozinha não tem todos os principais instrumentos para fechar totalmente a cidade. Nossa competência institucional em segurança é muito limitada. Não há no mundo caso de autoridade pública sem poder de polícia, sem segurança pública que consiga implantar um lockdown. A capital não é uma ilha como a Nova Zelândia. Não somos isolados do mundo. Nossa região metropolitana é interdependente e nossas ruas se misturam. São 1.746 ruas que começam numa cidade e terminam em outra. Não há divisas. Temos que organizar isso juntos”.  

Segundo o secretário municipal da Saúde, Edson Aparecido, entre 9 de abril e 15 de maio houve um aumento de 432% no número de óbitos na cidade. “Até a noite de ontem nós tínhamos na cidade 135.348 pessoas com suspeita de Covid-19 e 38.479 casos confirmados. Chegamos a 2.766 óbitos confirmados e 3.143 óbitos suspeitos”, disse. “Dos 840 novos leitos criados na rede pública, 89% deles estavam ocupados ontem, sendo que em seis hospitais chegamos a capacidade de leitos operacionais a 100% de ocupação. Temos feito um levantamento diário no setor privado. Nós temos instalados nesse setor 1.400 de UTI exclusivos para Covid-19. Dos quais 97% também já estão ocupados”, acrescentou Edson Aparecido.  

Por fim, a Prefeitura de São Paulo está encaminhando um Projeto de Lei para que a Câmara Municipal analise em regime de urgência a antecipação dos dois últimos feriados municipais que ainda restam em 2020. A ideia, segundo Bruno Covas, é "aproveitar o fato de que a maioria das pessoas não trabalha em feriados para garantir uma adesão ainda maior ao isolamento social. Vou sugerir ao governador João Doria que faça o mesmo e antecipe o feriado de 9 de julho para ganharmos mais um dia de pausa”.

 

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