Dentro de mais ou menos um mês voltaremos a ver o burburinho que ocorre a cada dois anos em São Paulo. Estou falando, é claro, do Salão do Automóvel, mais importante evento automobilístico do continente sul-americano e palco de grandes lançamentos e novidades.

Mas a edição de 2018 pode decepcionar quem visitará o São Paulo Expo, novo e mais moderno pavilhão que passou a ser utilizado para sediar o evento em 2016, à procura de produtos realmente novos e que chegarão às lojas em breve. A razão é que até aqui as marcas e veículos esperados para o salão estão concentrados sobretudo em automóveis de luxo, esportivos, modelos ecológicos e alguns conceitos.

Já a lista de veículos inéditos abaixo de R$ 100 mil por enquanto é minúscula, ao contrário da edição anterior, que revelou modelos como o Renault Kwid, Captur, Hyundai Creta, Honda WR-V e o Jeep Compass, maior fenômeno de vendas desde então. Neste ano tudo leva a crer que a grande estrela do salão será o T-Cross, primeiro SUV compacto da Volkswagen, que deve aparecer no evento meses antes de chegar às lojas.

O T-Cross é o tipo de estreia que torna o Salão do Automóvel especial: aquele produto que acompanhamos seu desenvolvimento e que lá acabamos conhecendo de perto e decidindo inclusive sua compra. Mas é fato que o salão paulistano já não concentra os principais lançamentos da indústria como ocorria no passado. E a razão é simples: hoje o ambiente de competição é mais agitado e imprevisível e uma marca não pode se dar ao luxo de esperar tanto tempo para revelar esse novo carro.

Laboratório gigantesco

Não é à toa que muitas montadoras utilizam seus estandes como espécie de laboratórios ou, como preferem dizer, clínicas com seus potenciais clientes. É quando um conceito ou mesmo veículo importado é mostrado para sentir o retorno do público.
Um exemplo disso foi o que fez a Hyundai quando mostrou o HB20 reestilizado como conceito R-Spec em 2014. O visual era na verdade a prévia das mudanças programadas para o compacto no ano seguinte.

Mas o salão também pode servir como um alerta para um veículo que não tem boas perspectivas também. A FCA (holding que controla a Fiat e a Chrysler) resolveu apresentar ao brasileiro a van Pacifica em 2016. Sucessoro da Town&Country, o modelo é belo e possui até versão híbrida, mas a montadora preferiu não importá-la, possivelmente pelo dólar e também por uma estratégia de focar esforços na Jeep, deixando a Chrysler de lado por ora. Claro que se houvesse um enxame de pessoas em cima da Pacifica essa postura poderia ter sido diferente.

Salão em movimento

Se pode não encher os olhos em lançamentos (caso não tenhamos bem vindas surpresas), o salão certamente será uma ótima oportunidade para avaliar vários modelos de automóveis num curto espaço de tempo. A organização da mostra ampliou o espaço para test-drives e que incluirão também modelos elétricos e híbridos, uma nítida preocupação com os rumos do mercado global.

 
 
Hyundai HB20 2016
 
Hyundai HB20 reestilizado: conceito no salão antecipou visual
Hyundai HB20 2016
Chrysler Pacifica 2017
 
A Pacifica esteve na edição 2016, mas não foi lançada no país
Chrysler Pacifica 2017
Renault Kwid 2017
 
Renault Kwid: carros acessíveis como ele serão raridade no salão de 2018
Renault Kwid 2017
Honda WR-V 2017
 
Honda WR-V, novidade que foi antecipada no Salão do Automóvel
Honda WR-V 2017
Hyundai Creta 2017
 
O Creta esteve ao lado do New Tucson como destaques do Salão do Automóvel de 2016
Hyundai Creta 2017
Volkswagen T-Cross 2019
 
Volkswagen T-Cross 2019
Volkswagen T-Cross 2019
 
 
Ricardo Meier

Publisher do AUTOO, é o criador do site e tem interesse especial pelo sobe e desce do mercado, analisando os números de vendas de automóveis todos os meses

Ricardo Meier | http://www.jcceditorial.com.br/