Sandero e J3 vão muito mal em crash-test

Latin NCAP recomenda que montadoras invistam em materiais de boa qualidade na estrutura dos carros

JAC J3 | Imagem: Latin NCAP

A Proteste, uma das entidades responsáveis por promover o Latin NCAP, revelou nesta terça-feira (13) os resultados da terceira bateria de crash-test realizada com veículos vendidos em toda a América Latina com o objetivo de medir o nível de segurança desses modelos. No total, oito carros foram avaliados, sendo que sete deles são comercializados no Brasil.

Os automóveis que conseguiram os melhores resultados foram o Ford New Fiesta e Honda City. Ambos obtiveram quatro estrelas, de cinco possíveis, tanto nos quesitos de proteção para adulto como para criança.

Os principais motivos para o bom desempenho do hatch norte-americano e do sedã japonês foram a combinação da boa resistência da carroceria com a inclusão do duplo airbag dianteiro e do sistema Isofix, que proporciona um vínculo estrutural bem mais seguro entre a cadeirinha infantil e a estrutura fixa da carroceria.

Além desses modelos, Renault Fluence, Toyota Etios e Volkswagen Polo hatch também conseguiram quatro estrelas para adultos, mas na proteção para crianças os dois primeiros conseguiram duas estrelas, enquanto o compacto alemão obteve apenas três.

Outro modelo da Volkswagen que conseguiu resultado razoável foi o sedã médio Bora - que ainda é vendido no México com o nome Classic. O veículo alcançou três estrelas tanto em proteção para adultos como para crianças.

Estrutura frágil

Embora tenha sido constatado um progresso nos resultados em relação aos primeiros testes realizados em 2010 e 2011, modelos como JAC J3 e Renault Sandero, compactos bem aceitos no Brasil, provam que ainda há muito o que fazer. De todos os carros avaliados nessa terceira bateria de crash-test, os dois hatches foram os que obtiveram os piores resultados: uma estrela em proteção para adultos e duas para crianças.

De acordo com a organização do Latin NCAP, isso é reflexo da combinação de diversos fatores, como o posicionamento dos pedais, que em uma batida podem causar lesões nos pés do motorista, a estrutura extremamente frágil - ambos tiveram o teto deformado e, no caso do hatch chinês, o piso se abriu - e a falta dos airbags dianteiros no compacto francês.

Só airbag não adianta

Para Ronald Vroman, acrescentar apenas airbags nos modelos vendidos na América Latina e no Caribe não basta. As montadoras têm que investir em materiais de boa qualidade na estrutura de seus veículos e, além disso, introduzir sistemas como o Isofix que, em colisões, podem evitar que crianças sofram lesões graves.

O curioso, no entanto, é ver que ainda há um abismo separando os carros fabricados na América Latina e na Europa e isso é comprovado quando comparamos resultados como o do Sandero brasileiro com seu irmão gêmeo vendido pela Dacia na França que, em 2008, obteve três estrelas em proteção para adultos e quatro para crianças no Euro NCAP.

Veja abaixo vídeo do teste de alguns modelos:

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