A Toyota havia previsto no lançamento do Yaris que seu novo compacto teria vendas majoritariamente com câmbio automático e isso se confirmou nos últimos dois meses. Apenas 6% dos clientes adquiriram o sedã com transmissão manual, mas a surpresa foi constatar que o hatchback teve uma adesão ainda maior, de 95% dos consumidores optando pelo câmbio CVT.

É uma participação impressionante para um segmento em que o câmbio manual é tradicional. Para se ter uma ideia, o modelo que mais se aproxima do Yaris hatchback é o Polo que teve 57% dos emplacamentos com transmissão automática entre julho e agosto.

O Onix, líder do mercado, vendeu apenas 16% de unidades com transmissão automática enquanto no Argo essa participação foi ainda menor: 11%. Até mesmo seu irmão mais velho, o Etios, que tem uma boa participação das versões automáticas, obteve apenas 44% de unidades nessa configuração.

No caso do Yaris sedã, essa preferência pelo câmbio automático era mais esperada. Nessa categoria, versões manuais e com motor 1.0 têm baixa aceitação. Mas novamente o Toyota superou vários concorrentes como o Virtus (68%), Cronos (52%) e Prisma (28%). Seu resultado só não é mais significativo porque um rival direto tem ainda uma participação maior, o Honda City, cujos clientes optam pela transmissão automática em 96% dos casos (números de julho e agosto).

Nichos dos automáticos

Há que se considerar que o Yaris atua numa faixa de preços em que os carros manuais têm baixa procura. Embora a versão 1.3 tenha vendas consideráveis na versão automática ela representa apenas 15% dos emplacamentos. Cabe ao Yaris 1.5 responder por 86% das vendas, todas elas automáticas e que têm preços entre R$ 75,5 mil e R$ 79 mil.

Raio-X da fábrica
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No Polo, essa situação é mais equilibrada. As versões manuais 1.0 e 1.6 custam entre R$ 50,6 e 57 mil e representam 43% das vendas. Já os automáticos têm preços entre R$ 62,7 mil e R$ 73,3 mil.

Já Argo e Onix são oposto do Yaris. A Fiat e a Chevrolet focam muito mais nas versões de entrada que representam uma grande parcela das vendas. O Argo 1.0 é equivalente a quase 63% das vendas do hatchback e o Onix 1.0 (incluindo aí o Joy) essa participação é ainda maior, de quase 70%. O Fiat custa entre R$ 46 mil e R$ 49 mil nas versões com motor 1.0 enquanto o Chevrolet é um pouco mais barato: vai de R$ 44,6 mil a R$ 48,4 mil.

O que isso nos diz na prática? Que a Toyota, assim como a Honda, já tem uma tradição em veículos com câmbio automático que dificulta a vida dos concorrentes. O perfil de seu público condiz com essa opção mais confortável de direção, o que não causa surpresa pela imensa preferência pelo equipamento.

Bom para a Toyota que assim possui o famoso “ticket médio” bem superior aos seus rivais. Ou seja, ela fatura muito mais que outras marcas mesmo vendendo menos unidades, um lucro que vem de forma “automática”.

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Ricardo Meier

Publisher do AUTOO, é o criador do site e tem interesse especial pelo sobe e desce do mercado, analisando os números de vendas de automóveis todos os meses

Ricardo Meier | http://www.jcceditorial.com.br/