Enquanto o mundo vive uma ressaca após a aprovação da saída do Reino Unido da União Europeia, com 51,9% dos votos favoráveis a decisão e 48,1% contra, a indústria automotiva já começa a se manifestar a respeito do Brexit, como ficou chamada a manobra popular que culminou no plebiscito realizado na última quinta-feira.

A alemã BMW, que controla as inglesas MINI e Rolls-Royce, declarou apenas que a decisão popular “não traz efeitos imediatos ou mudanças em suas operações no momento”. Já as japonesas Nissan, Toyota e Honda, que possuem fábricas no Reino Unido, adotaram uma postura mais conservadora e anunciaram que podem diminuir investimentos ou até mesmo realizar uma pausa enquanto um cenário mais claro do Reino Unido pós-Brexit não estiver muito claro.

Já a General Motors, que está representada na Europa com as marcas Opel (Alemanha) e Vauxhall (Inglaterra), e a Aston Martin, fizeram um clamor parecido ao governo inglês. O pedido das empresas é que ao menos o Reino Unido se mantenha signatário do acordo de livre comércio entre o bloco europeu, uma vez que ele permite negociações com países de fora da eurozona.

Os próximos passos

O Reino Unido é o segundo maior mercado da Europa e a decisão do plebiscito realizado na quinta-feira ainda precisa ser sancionada pelo Parlamento, que deverá respeitar a opinião popular. A empresa de análises automotivas Focus2move, declarou nesta sexta-feira (24) que o efeito do Brexit para indústria automotiva local será “em grande parte negativo” e classificou a decisão como “um possível desastre”.

De acordo com a Focus2move, a Libra esterlina deverá perder 5% do seu valor nos próximos meses, enquanto o Euro poderá ser valorizado em torno de 10% sobre a moeda inglesa. A consultoria também projeta uma retração em vendas no mercado do Reino Unido da ordem de 10% para 2017.

Com uma indústria local que exporta cerca de 80% de sua produção, os analistas apostam que a Jaguar Land Rover deverá ser uma das maiores beneficadas com o Brexit. Com a Libra desvalorizada, a empresa poderá lucrar ainda mais com a venda de seus modelos no exterior. Os modelos importados da Alemanha e outros mercados, por sua vez, podem ter o preço elevado devido às novas regras tributárias.

As fabricantes que dependem do mercado local no Reino Unido deverão ter que reajustar os preços dos carros para garantir suas margens de lucro. Por isso é bem possível que a inflação aumente consideravelmente no Reino Unido, além de reduzir o poder de compra de famílias de baixa renda. O desenrolar dessa história ainda seguirá nos próximos meses, quando os ingleses deverão preparar o tratado de despedida do bloco (Farewell Agreement).

César Tizo

O "Guru dos Carros", César Tizo se juntou ao time este ano e está à frente dos portais AUTOO e MOTOO. É o expert em aconselhar a compra de automóveis

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