Uma das grandes vantagens em comprar um carro 0 km é a certeza de levar para casa um modelo em perfeitas condições – claro que não levando em conta os famosos recalls. O cliente só precisa escolher o modelo, a cor e, obviamente, assinar o cheque. Além disso, o comprador ainda tem a comodidade de a concessionária cuidar de toda a documentação necessária. Porém, há excelentes negócios também entre os semi-novos – carros geralmente mais equipados, potentes e pelo preço de um 0 km mais simples.

Quem prefere um semi-novo, geralmente recorre a um mecânico de confiança para fazer a escolha certa. Mas e quem não tem essa ajuda? Reunimos aqui algumas dicas para você aumentar suas chances de ter sucesso na compra de um carro usado.

Nem botox resolve

– observe o desgaste dos pedais e do volante. Essas peças devem manter o aspecto original. Caso contrário, o carro já foi bem usado. Veja também se há coerência com a quilometragem: se o carro estiver pouco rodado no hodômetro, mas com volante e pedais muito desgastados, há algo de errado.

– assim como pedais e volante, os bancos devem estar em boas condições. Desconfie se estiverem soltos ou tortos.

Vinte mil léguas submarinas

– desconfie se houver muitos odorizadores de ambiente no interior: é possível que o carro já tenha se afogado numa enchente e o dono esteja tentando disfarçar o cheiro.

– veja se todas as luzes do painel acendem. Também é um bom indicativo para saber se o carro já deu seus mergulhos. No porta-luvas, verifique se o manual do proprietário não tem as folhas enrugadas, sinal de papel molhado que secou.

Rei da macarronada

– para descobrir se há massa no carro, percorra a lataria com um imã envolto em um pano. Se o imã perder contato com a carroceria, é porque naquele ponto foi utilizada massa para algum reparo.

– na etiqueta do cinto de segurança há a data de fabricação do veículo. Em caso de acidentes, o equipamento é cortado, para que seja obrigatória sua troca. Se a etiqueta apresentar um ano posterior ao de produção do modelo, é porque o carro que você quer já foi batido.

– nunca compre carro à noite. De dia, fica mais fácil notar se há diferenças de tonalidade na pintura. Verifique ainda se há rastros de tinta em para-choque, frisos, e outras peças que estejam próximas à lataria.

– nos carros mais novos, a solda original de fábrica é pontilhada. Se encontrar alguma que seja contínua, significa que o carro foi batido.

– o carro deve estar perfeitamente alinhado. É possível notar algum desnível observando a silhueta do carro pela lateral.

– feche os vidros e tenha certeza que eles se encaixaram perfeitamente à porta.

Um tapinha não dói

– não se prenda muito à quilometragem do carro. É melhor ele ter rodado 100.000 km com todas as manutenções realizadas e sendo bem cuidado, do que 10.000 km aos trancos e barrancos.

– no cofre do motor, procure por vazamentos e peças enferrujadas, que podem indicar maus cuidados. Preste atenção também nas caixas de roda, que não podem ter trincas.

– os pneus devem estar de acordo com a quilometragem. Se estiverem gastos e o hodômetro exibir menos de 30.000 ou 40.000 km, desconfie.

Ficha limpa

– com o código do Renavam, é possível verificar via Internet se há multas pendentes, queixas de roubo e ou clonagem.

– o número do chassi deve ser igual ao do motor. É possível também verificar a numeração exibida nos vidros, que deve bater com a do chassi. 

– confira a documentação ao vivo; evite receber notas fiscais e documentos via fax.

Não case com o primeiro

Gerson Burin, analista técnico do CESVI (Centro de Estudos Automotivos), também dá duas dicas importantes. A primeira é notar a coloração do escapamento. Se ele estiver muito escuro, com borra de óleo, significa que o atual dono não fez as manutenções corretamente. A outra é: "verifique o aspecto geral do carro em primeiro lugar e depois passe por cada item. Não aja por impulso", aconselha Burin.

Por fim, nunca, em hipótese alguma, compre um carro usado sem antes dirigi-lo. Com uma volta no quarteirão, o motorista consegue perceber se o carro roda macio, “justo” e em boas condições de uso. E serve também para você descobrir se gosta de dirigir o carro que lhe acompanhará por um bom tempo.

Rodrigo Mora

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