Não faz muito tempo que o mercado brasileiro de automóveis era fundamentado em apenas quatro pilares: Volkswagen, Fiat, GM e Ford. Ainda é, de fato. Juntas, as quatro marcas respondem por 74% do comércio de carros no Brasil. Mas esse domínio já chegou perto dos 100%. A abertura das importações, no início dos anos 90, e o crescimento abrupto do segmento no país vêm atraindo ainda mais olhos estrangeiros, em especial os mais puxados.

De 2008 até este ano, tomando por base os períodos de janeiro a outubro, as marcas tradicionais, ainda que demonstrando seu poder, perderam espaço de forma progressiva. Do outro lado da balança, superando previsões da concorrência, aparecem as fabricantes de origem asiática, com destaque para as sul-coreanas Hyundai e Kia Motors, que dobraram suas vendas, saindo de 2,5% há dois anos para 5% até o mês anterior deste ano na somatória dos resultados.

O crescimento das marcas chinesas também começa a ser percebido no país. Em 2008, a participação de veículos chineses era de ínfimos 0,03%. No ano seguinte foi a 0,07% e, neste ano, já chegou a 0,44%. O aumento repentino deve-se ao desembarque de mais montadoras da China no Brasil em 2010. Atualmente são seis marcas operando por aqui – Chery, Hafei, Effa, Chana, Lifan e Jinbei -, e outras estão por vir, como a JAC e Brilliance.

E no mesmo ritmo que as marcas chinesas e sul-coreanas crescem, as principais fábricas nacionais caem. É o caso de Volkswagen e Fiat. A primeira, que em 2008 detinha 23,1% do mercado, hoje possui 21%, enquanto sua concorrente desceu de 24,6% para 23% neste ano. Para onde foram esses consumidores? Uma parte foi para concessionárias de marcas coreanas, enquanto uma pequena parcela adquiriu um carro chinês. Por outro lado, GM e Ford foram pouco abaladas pelas rivais orientais e seguem com cerca de 20% e 10% do mercado, segundo balanço dos últimos três anos.

Japoneses perdem fôlego

A tendência de avanço das marcas do eixo China-Coreia é justificada pelos preços altamente competitivos que essas marcas praticam por aqui frente a concorrência. As empresas sul-coreanas vão mais além. Não só os valores baixos, Hyundai e Kia Motors (a SsangYong ainda não tem tanta expressão no país) possuem atualmente produtos que se tornaram referencia em qualidade. Os chineses ainda não alcançaram essa meta, estão longe por hora. Mas em compensação tem os preços mais baixos em diversos segmentos de automóveis para o público brasileiro.

As fabricantes japonesas instaladas no país, ainda sufocadas por conta dos efeitos da crise econômica mundial em 2008, só não crescem mais no Brasil por falta de infra-estrutura. Sobram pedidos, mas faltam carros. A Honda é a primeira delas: possui atualmente uma fatia de 3,7%. Mas já foi melhor. Em 2009, detinha 4,2%. Toyota, Mitsubishi Motors e Nissan, todas as marcas do Japão com linhas de montagem no Brasil, também seguem tímidas, apesar da qualidade de seus carros.

A situação das marcas japonesas também chama atenção na comparação individual com as empresas sul-coreanas, cujo todo volume vendido no país vem importado da Ásia. A Hyundai, por exemplo, sozinha detém 3,2% do mercado, fatia superior a da Toyota, que fábrica o Corolla em Indaiatuba (SP). Já a Kia Motors conta com 1,6% de participação, número superior ao da Mitsubishi e Nissan no mercado nacional, que possuem plantas em Goiás e no Paraná, respectivamente.

E vem mais por ai. A chinesa Chery já confirmou que terá uma fábrica no Brasil, o que deve tornar seus carros mais agradáveis ao gosto do consumidor brasileiro. Já a Hyundai iniciou a pouco a produção do Tucson (primeira geração) em Anápolis (GO), o que lhe permitirá baixar ainda mais o preço de seu modelo campeão de vendas. A Kia, por sua vez, planeja aumentar a oferta de veículos com motorização flex (atualmente somente o Soul conta com a tecnologia) para continuar crescendo. Já pensou em ter um desses carros? O momento pode estar chegando.

Thiago Vinholes

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