No Brasil desde 2011, a chinesa JAC Motors ficou conhecida por sua linha de veículos de passeio batizados com uma letra e um número. A mais recente novidade da marca no País foi o SUV T6. No entanto, andando pelos corredores do Salão de Xangai, outro T6, também da JAC, nos chamou a atenção no estante de veículos comerciais da empresa. Trata-se de uma picape média com visual agradável e que pode ser um dos futuros modelos da marca a rodar em solo tupiniquim.

No país asiático, todavia, a picape não é novidade. Ela foi lançada em 2004 e chega agora à segunda geração. Segundo Sérgio Habib, presidente da JAC Motors do Brasil, o produto ainda precisa evoluir muito para ser vendido no País, mas a hipótese não é descartada. Segundo o empresário, o segmento de picapes é o que reverte às montadoras a maior margem de lucro, já que a construção deste tipo de veículo utilitário utiliza um processo muito mais simples do que o de um carro compacto de passeio, por exemplo – o que basta para justificar o interesse do executivo em vender o produto no Brasil.

 
 
JAC T6, a picape: planos para o Brasil JAC T6, a picape: planos para o Brasil
Picape média tem linhas atraentes, mas motor precisará ser mais potente no Brasil Picape média tem linhas atraentes, mas motor precisará ser mais potente no Brasil
Entreeixos é idêntico ao da Ranger Entreeixos é idêntico ao da Ranger
Picape chegou à segunda geração este anos Picape chegou à segunda geração este anos
Faróis lembram o da S10 Faróis lembram o da S10
Estribos são atraentes Estribos são atraentes
Luzes coloridas nos repetidores de setas: gosto chinês Luzes coloridas nos repetidores de setas: gosto chinês
Caçamba leva 900 kg de carga Caçamba leva 900 kg de carga
JAC T6, a picape JAC T6, a picape
Nomeclatura no Brasil terá de mudar para não confundir com o SUV T6 Nomeclatura no Brasil terá de mudar para não confundir com o SUV T6
Exemplar testado estava equipado com vários acessórios Exemplar testado estava equipado com vários acessórios
O interior da picape da JAC lembra o de outros modelos da marca O interior da picape da JAC lembra o de outros modelos da marca
Acabamento é aceitável Acabamento é aceitável
Câmbio manual tem engates imprecisos Câmbio manual tem engates imprecisos
Acionadores dos vidros são bem práticos Acionadores dos vidros são bem práticos
Detalhe do botão do pisca-alerta Detalhe do botão do pisca-alerta
JAC T6, a picape JAC T6, a picape
Câmera de ré para ajudar nas manobras de estacionamento Câmera de ré para ajudar nas manobras de estacionamento
Motor 2.8 diesel rende apenas 115 cv Motor 2.8 diesel rende apenas 115 cv
 
 

Em visita a uma das fábricas da JAC Motors na província de Hefei, onde concentram-se mais de 10 unidades fabris da montadora, pudemos dirigir a picape na recém inaugurada pista de testes da JAC International. Por fora, o modelo surpreende pelo visual agradável e porte robusto, semelhante ao das picapes médias vendidas no Brasil, como a Toyota Hilux, Volkswagen Amarok e Ford Ranger. São 5.315 metros de comprimento, 1,84 m de largura e 1,85 m de altura, com entre-eixos de 3,09 m, praticamente idêntica à S10, por exemplo. Obviamente, algumas estranhezas não poderiam faltar. A que mais chama atenção no visual são “enfeites” coloridos totalmente desnecessários nos repetidores de setas, que devem agradar aos chineses, ao menos.

Como anda?

Batizada de T6 na China e ainda sem nome para o Brasil, a picape vem equipada com um bloco de 2.8 litros turbodiesel que gera 115 cv de potência máxima aos 3.600 giros e torque de 25,5 kgfm entre 1.800 e 2.800 rpm - a transmissão é manual de seis velocidades. É um propulsor de desempenho modesto se comparado aos que equipam suas possíveis adversárias – acima da cada dos 150 cv.

Nos testes, ela apresentou desempenho razoável, considerando que o modelo está acertado para o mercado chinês (o que representa um abismo de diferença entre os modelos vendidos no Brasil em termos de calibragem de suspensão, acerto de câmbio e motor).

A sensação de segurança aos ocupantes, especialmente em curvas de alta velocidade, não é o forte da picape, assim como a imprecisão dos engates do câmbio, mas a suspensão agradou. Claiton Máximo, gerente de qualidade da JAC Brasil, que vive entre o Brasil e a China para realizar a “tropicalização” dos veículos que são vendidos no País explica que o processo leva tempo. Se a marca definir que a picape será vendida no mercado Brasileiro, Claiton estima cerca de dois anos até ajustá-la para o País.

Por dentro, o acabamento da caminhonete é semelhante ao que estamos acostumados a ver nos modelos da JAC que rodam no Brasil. O espaço interno é bom e o painel simples e bonito para um modelo chinês. Dentre os equipamentos estão tela sensível ao toque e câmera de ré. O ponto alto do interior é, sem dúvida, o botão do pisca alerta em forma de um rubi lapidado. Calma, isso também seria descartado para o mercado nacional.

Tem mercado?

Certamente, o produto precisa evoluir, mas não deixa de ser uma opção interessante para o mercado brasileiro caso ela chegue com preços competitivos. Com motor diesel, isso significa custar em torno de R$ 100 mil – as rivais chegam a ter preços de R$ 140 mil, mas com mais recursos e transmissão automática. O problema maior é que esse é um segmento onde a tradição vale muito. É só ver o caso da Hilux, que é a mesma há 10 anos e continua a vender bem, mesmo com rivais mais modernos.

Rainha dos caminhoneiros

Se dependesse da imagem na China, isso não seria problema para a JAC. Diferentemente do Brasil, onde a marca é conhecida apenas pela linha da carros de passeio, aqui a marca é líder em vendas no segmento de caminhões pesados e, além deles produz ônibus, motores, chassis e empilhadeiras.

No Brasil, a tentativa da JAC em entrar no segmento de caminhões teve vida breve, com o VUC (veículo urbano de carga) T140. Segundo a marca, um único lote de 500 unidades do caminhãozinho foi vendido rapidamente e, o que justifica sua curta aparição no mercado brasileiro. Como era classificado como caminhão, o que, pela legislação, obrigaria o produto a ter airbags e freios ABS, a geração anterior do T140 não pode ser mantida.

Agora, a marca diz estar apenas aguardando a nova geração chegar para retomar os planos de, não só vender o T140 no Brasil, como também fabricá-lo. Já foi confirmado que ele será um dos modelos produzidos na futura fábrica da JAC em Camaçari (BA).

Karina Simões

Karina Simões |