O marketing da Citroën não perdeu tempo ao saber que em 2009 teríamos o Ano da França no Brasil, uma série de eventos sobre o país de origem da marca. Como patrocinadora da exposição “Yves Saint Laurent – Viagens Extraordinárias”, a Citroën aproveitou a abertura da mostra para lançar o novo C5, modelo premium da marca nas versões sedã e perua.

Introduzido na Europa em 2007, o novo C5 deveria ter chegado ao Brasil no ano passado, mas a crise financeira fez a montadora postergar seu lançamento, a princípio, para agosto. De surpresa, no entanto, o C5 fez sua aparição oficial no evento, realizado no Centro Cultural do Branco do Brasil, no Rio de Janeiro.

A estratégia de lançamento difere muito do que se vê no segmento dos médios-grandes, hoje dominado pelo mexicano Fusion e pelo sul-coreano Azera. Em vez de motor V6 e preços promocionais, a Citroën preferiu trazer apenas a versão 2.0 16V com preço de R$ 103 500 (sedã) e R$ 112 500 (perua Tourer).

A marca também não pretende vender volumes tão expressivos – a ideia é manter o carro com um ar de exclusividade e para isso apenas 50 exemplares foram importados da França no primeiro lote.

Por falar em exclusividade, o novo C5 traz um pacote de equipamentos diferenciado para a maior parte dos concorrentes. Com exceção do teto solar (R$ 4 000), todos os itens são de série e incluem nove airbags, freio de estacionamento elétrico com função que mantém o carro freado em aclives e declives, encosto de cabeça com regulagem de inclinação, faróis bi-xenon direcionáveis e com luz de auxílio em curvas, rodas aro 18 e pneus de perfil baixo 245/45, e sensores de estacionamento dianteiro e traseiro.

Há ainda o sistema de ajuda à baliza, que mede automaticamente o espaço de uma vaga e informa ao motorista se é possível estacionar nela. O carro está maior também, com 4,78 m de comprimento, 1,86 m de largura e 1,45 de altura. O porta-malas possui capacidade para 439 litros no sedã e 509 litros na perua.

Motor e câmbio permanecem

O cliente do C5 não estranhará o motor e o câmbio da nova geração. São os mesmos usados em outros modelos vendidos no Brasil, como o C4 Pallas. O propulsor é o 2.0 16V de 143 cv e comando de válvulas variável. Já a transmissão automática com opção seqüencial poderia ter sido substituída já que oferece apenas quatro velocidades e nunca foi o ponto forte do modelo.

A versão V6, que antes era importada, não virá simplesmente porque esse motor está saindo de linha para dar lugar a uma nova geração desenvolvida em conjunto com a BMW e que se caracteriza pela cilindrada menor e pelo sistema de injeção direta conjugado com turbo. Segundo a marca, as versões mais potentes do C5 na Europa são equipadas com motores a diesel, não permitidos no Brasil.

Embora exista um conjunto de suspensão convencional neste novo C5, a Citroën preferiu trazer o modelo com o sistema pneumático Hydractive III+, um dos diferenciais da marca. Ele atua oferecendo modos de ajuste esportivo e de conforto dos braços triangulares dianteiros e multibraços traseiros.

O estilo do carro tem relação com a geração anterior, porém, tem um ar “germânico”, como foi definido o C5 na época do seu lançamento. Ao contrário da Renault, que manteve o Laguna, seu rival, essencialmente exótico, o Citroën é mais “mundial” e com chances de agradar a um público mais abrangente.

No interior do C5 se destacam os imensos assentos, com acabamento misto em couro e tecido. O volante usa o mesmo recurso de centro fixo, porém, tem desenho exclusivo, com detalhes em aço escovado. O painel de instrumentos possui mostradores analógicos cujo centro exibe um display digital. Apenas o computador de bordo e o rádio têm um aspecto destoante por serem os mesmos que equipam todos os carros da Citroën e da Peugeot – com o status do C5, seria melhor algo exclusivo.

A Citroën definiu o novo C5 como “o carro de quem já é bem sucedido na vida”. Em outras palavras, os clientes do modelo não se interessam por motores potentes que não podem ser usados ao máximo, não importando o consumo de combustível. Ou, então, que mudam de segmento por causa de promoções agressivas. Certamente, será mais difícil ver um C5 nas ruas que um Azera ou Fusion.

Ricardo Meier

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