De personagem caricato, até mesmo desacredito no início da campanha, o republicano Donald Trump conseguiu o que muitos não esperavam e se tornou o sucessor de Barack Obama no posto de homem mais poderoso do mundo. Se ele já causou muito alvoroço com suas opiniões bem peculiares em questões como imigração, política externa e o desafio de lidar com a principal economia do mundo, outro segmento muito importante que convocou algumas reuniões de emergência nesta semana foram os executivos da indústria automotiva.

Vale lembrar que, enquanto candidato, Trump anunciou uma série de ideias que deixou as principais fabricantes dos EUA com o alerta máximo ligado. Trump declarou, por exemplo, que gostaria de renegociar as condições do principal bloco econômico do qual o país faz parte, o NAFTA (North American Free Trade Agreement, além de colocar uma tarfifa de 35% nos veículos produzidos no México e comercializados nos EUA e até mesmo recuar alguns pontos dos padrões cada vez mais rígidos de consumo e emissões previstos par os próximos anos.

Com uma indústria bem dependente das fábricas quem mantém no México, onde os custos de produção são baixos e a mão de obras bem qualificada, a temida ideia de construir um muro entre os dois países também é uma ameaça que não deve ser esquecida.

Apesar do tom conciliador e menos agressivo em seu discurso da vitória, a eleição de Trump fez bolsas ao redor do mundo despencarem, bem como o Dólar oscilar em sua cotação devido ao medo de investidores e empresários sobre quão sérias são as propostas de Trump.

Fato é que em Estados fortemente ligados com a indústria automotiva norte-americana, o papo protecionista de Trump o ajudou a angariar mais votos em relação à rival Hillary Clinton.

Para as montadoras, caso Trump opte por deixar as regulamentações de emissões e consumo mais folgadas, isso representaria um forte golpe para as fabricantes, que ao longo dos anos, apesar de questionar os custos e o tempo para se adequar às novas regras, já investiu pesadamente para atender as regulamentações futuras. Vale destacar que as regras válidas até 2025 e já definidas encontram-se atualmente em um processo de avaliação, que sera terminado em abril de 2018 quando eventuais alterações poderão ser propostas.

É inegável que a fala protecionista de Trump preocupa muita gente, como a BMW, por exemplo, que investirá US$ 2,2 bilhões no México até 2019 para na unidade de San Luis Potosi para abastecer sobretudo o mercado dos EUA. A Ford, por exemplo, que durante a campanha presidencial havia declarado sua intenção de mudar a linha de produção de seus carros compactos para o México, chegou a ser avisada por Trump: “nós não podemos deixar isso acontecer”, bradou o até então candidato republicano em campanha.

“A retórica sobre produção no México, sobretaxação de produtos e uma eventual perda na confiança por parte dos consumidores poderá pesar muito no valor das ações das fabricantes nos próximos dias”, declarou a Evercore ISI. De fato as ações da Volkswagen apontaram um recuo de 2,3% nos úlitmos dias, seguida por uma perda de 1,9% da BMW e 1,8 % da Daimler, que reúne marcas como a Mercedes-Benz e a smart

Até mesmo o investimento de algumas montadoras, como a francesa PSA no Irã, corre o risco de não se viabilizar com a eleição de Trump. O magnata norte-americano quer abolir o tratado envolvendo o uso de armas nucleares por parte do Irã, que pode gerar novas tensões internacionais.

Mas nem todos enxergam nuvens negras no céu mesmo após a eleição de Trump. Para Steven Szakaly, economista-chefe da associação que reúne os concessionários nos EUA, a chegada de Trump ao poder, pelo menos para esse segmento do mercado, “pode produzir um efeito bem significativo no médio e longo prazos”. Segundo ele, as propostas de Trump para diminuir os encargos tributários combinado com o aumento nos investimento em infra-estrutura podem ajudar os negócios. “Mas é claro que existe um lado bem negativo, no caso o prejuízo dos acordos de livre comércio”, acrescenta Szakaly.

César Tizo

O "Guru dos Carros", César Tizo se juntou ao time este ano e está à frente dos portais AUTOO e MOTOO. É o expert em aconselhar a compra de automóveis

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