Foi-se o tempo em que dividir o mesmo automóvel com outras pessoas era algo feito somente entre familiares e ainda com certas ressalvas. Uma nova modalidade de transporte que começa a surgir no Brasil é o Car Sharing (Carro Compartilhado, em inglês), algo que há muito tempo já é praticado nos Estados Unidos e na Europa. Empresas têm uma porção de estacionamentos por uma cidade e neles distribuem uma frota de veículos para serem usados, principalmente para curtos deslocamentos urbanos. Mas há também outras classes no ramo.

A ideia de um veículo compartilhado no Brasil é mais bem absorvida nas áreas da aviação particular e de embarcações de luxo, que cobram de seus usuários um valor específico de assinatura do programa e frequência de uso. Já na área dos carros, as primeiras (e únicas) empresas do gênero atuam somente em São Paulo (SP) e atendem um variado público.

A Zazcar foi quem deu o pontapé inicial. Surgiu em 2009 seguindo o exemplo de empresas europeias e hoje conta com 10 estacionamentos na cidade e uma frota com 14 veículos diversos, de Fiat Palio a Honda Civic. “Oferecemos uma alternativa ao carro próprio. Quem utiliza nosso serviço usa um automóvel somente para situações pontuais e, na maioria das vezes, por curtos trajetos”, explica Felipe Barroso, diretor da primeira Car Sharing do Brasil.

O funcionamento da empresa e os custos são interessantes. A reserva de um carro pode ser feita pela internet ou por telefone, onde o cliente especifica o horário que vai precisar do veículo e que horas ele será devolvido. Custa a partir de R$ 8,50 por hora mais R$ 0,53 por quilômetro percorrido. O combustível é por conta da Zazcar. É mais barato do que alugar um automóvel em locadoras tradicionais, que cobram mais de R$ 70 pela diária de um modelo popular. “Já temos mais de 350 clientes”, afirma Barroso.

“Cansei de perder tempo no trânsito de São Paulo e aboli o carro”, confessa o publicitário Sergio Onodera, que agora percorre os 15 km que separam sua casa do trabalho de bicicleta. “Quando preciso de um automóvel, para algo no trabalho ou para passear no final de semana, reservo um veículo”, revela Onodera.

Pelas suas contas, o publicitário afirma que gasta em média R$ 200 por mês compartilhando os carros. “Quando tinha meu próprio automóvel gastava mais de R$ 400 só com gasolina. Meu último veículo, que na época comprei zero km por R$ 45.000, desvalorizou R$ 15 mil somente no primeiro ano. Com esse sistema faço mais exercícios e não perco dinheiro”, completa Onodera.

Ferrari pode?

Essa economia no investimento da compra de automóvel é um dos pontos de atração da Four Private, outra Car Sharing de São Paulo, porém, destinado à clientes mais afortunados.  Aqui os carros compartilháveis são de outra estirpe: Ferrari, Mercedes-Benz e até Bugatti são algumas das marcas na frota do empreendimento. “Oferecemos um serviço diferenciado para quem tem dinheiro, mas que gasta de forma mais racional”, explica Ricardo Straus, CEO da empresa.

A Four Private atualmente está completando o programa GT Club 3, que oferecerá a quatro clientes os modelos Ferrari F430, Mercedes-Benz SL63 AMG, Chevrolet Corvette Grand Sport e um Mini Cooper Cabrio. O plano de adesão custa R$ 287.550 e as mensalidades saem por R$ 13.756. O plano vale por dois anos. Achou caro? “Pense que esses quatro carros juntos custam mais de R$ 2,5 milhões e a conta com IPVA consumiria mais R$ 400.000 por ano”, rebate Straus.

A forma de compartilhamento dos veículos da Four Private também é diferente. Os clientes utilizam os carros da quinta-feira até segunda. A empresa manda entregar o veículo na casa do assinante e depois o busca de volta com uma plataforma. Entre terça-feira e quarta, os carros vão para manutenção e higienização para atender o próximo da fila, que poderá, por exemplo, ir para sua casa de campo no final de semana com os cabelos ao vento em “sua” Ferrari.

A empresa, embora também alugue aviões, planeja alçar voos ainda mais ousados. Está nos planos o lançamento do programa GT Club 1, que formará uma frota com Lamborghini Gallardo Superleggera, Ferrari 599, Porsche 911 GT3 RS, Corvette ZR1 e o Bugatti Veyron. “Estamos esperando fechar o grupo para depois trazer os carros. Já temos uma posição firme, mas não assinada. Com duas posições a empresa compra os carros”, conta o CEO da Four Private.

“Novamente é interessante para o cliente. Serão carros muito exclusivos com assistência garantida. O Veyron custa mais de R$ 7 milhões no Brasil e seu IPVA supera a barreira dos R$ 300.000”, conta Straus. Quanto custa passear de Bugatti ou Ferrari top no final de semana? A assinatura no plano sai por R$ 1.595.000 com mensais de R$ 13.756 e vale por três anos. Parece caro (de fato é, claro), mas no final das contas o cliente é quem sai ganhando.

Meio milhão

Os primeiros projetos de car sharing surgiram na década de 1960, mas apenas em 1987 a primeira empresa do gênero foi fundada na Suíça. Nos Estados Unidos e no Canadá, dois dos mercados com alta taxa de carros per capita, o serviço de car sharing já é bastante popular. Segundo a Car Sharing Association, entidade que reúne as principais empresas do setor, nada menos que 516 mil clientes utilizaram o serviço em 2010, mais que o dobro de participantes em 2007. A frota de carros no país terminou o ano passado com 10.405 unidades, um volume infinitamente inferior ao que seria necessário caso metade deles decidisse ter o próprio carro, uma média per capita parecida com a do país hoje.

"Se você vive em cidades não precisa ter um carro", teria dito Bill Ford Jr., nada menos que o neto do fundador da Ford, o homem que popularizou o automóvel.

Serviço

Zazcar
Reservas e Informações:
tel: (11) 5546-4606
e-mail: contato@zazcar.com.br
www.zazcar.com.br

Four Private
tel: (11) 3814 1000
contato@fourprivate.com
www.fourprivate.com.br

Thiago Vinholes

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