Que o Brasil é um dos mercados mais promissores do mundo, mesmo após a crise, ninguém duvida. Agora imagine como deve vender o segmento de veículos que mais cresce entre eles. Estamos falando dos utilitários esportivos médios e compactos, com preço até R$ 150 000. Ou crossovers, como convencionou-se chamar os modelos que têm aparência off-road, mas alma de automóveis de passeio. Somente em 2008, essa categoria viu seus números expandirem 36% em relação a 2007.

Não é para menos. Eles fazem o papel de peruas e minivans, além de terem um visual que inspira respeito e não nos referimos às trilhas - é na selva de pedra mesmo das grandes cidades.

Hoje a coreana Hyundai e, mais recentemente, a Honda e a Chevrolet dominam esse cenário. As três oferecem modelos com custo mais acessível devido à origem deles - Coréia do Sul e México. Mas quem tem algum veículo com essas características, se não trouxe, vai importar para o Brasil.

Foi o caso da Volkswagen com o Tiguan. Não estranhe o nome, é uma junção entre tigre e iguana, termo escolhido pelo público europeu num concurso promovido por uma revista. Derivado do Golf, o crossover alemão se diferencia um pouco dos seus rivais por ter dimensões mais compactas e tecnologia mais avançada.

Por isso seu desempenho de vendas é mistério já que custa R$ 124 190, bem mais que Tucson, CR-V e Captiva (na faixa entre R$ 80 000 e R$ 100 000), mas mais em conta que o Edge, da Ford.

Todo terreno de verdade

Como dissemos, o Tiguan é um carro mais refinado. Enquanto a concorrência vai de motores 4 cilindros ou V6 aspirados, o Volks traz o magnífico 2.0 TSI, de injeção direta e turbo. Ou seja, com apenas 2 litros, o motor rende 200 cv - o Captiva Ecotec, por exemplo, tem 2.4 litros e apenas 171 cv.

A tração integral 4Motion também é destaque que, juntamente com os auxílios eletrônicos de estabilidade, tração e frenagem, tornam o Tiguan um autêntico off-road, embora a versão que começa a ser vendida no país - Sport & Style - não seja a mais capaz nesse sentido. A Volks diz que trará a Track & Field, top da linha, a partir de junho. Essa traz o módulo off-road de série,além de para-choque modificado para oferecer um maior ângulo de ataque.

Mesmo na estrada, a combinação mecânica do Tiguan surpreende. São 207 km/h de velocidade máxima e 0 a 100 km/h em 8,5 segundos. O Ford Edge, para efeito de comparação, tem motor de 269 cv leva um segundo a mais para chegar a 100 km/h - a velocidade máxima é limitada a 180 km/h, um sinal que o veículo se torna mais arisco do que o recomendado em grandes velocidades.

Espaço menor, mas bem aproveitado

O Tiguan é menor que Captiva, CR-V e Edge, mas tenta aproveitar ao máximo seu espaço interno. Para isso, tem regulagem longitudinal dos bancos traseiros, que também podem ser rebatidos para oferecer opções de transporte de grande volume.

O painel é simples e utiliza vários elementos de outros modelos da VW - reparem no botão de acionamento dos faróis, iguais aos do Polo. Os comandos são ergonômicos, basta ver a boa posição dos acionadores dos vidros, e a posição de dirigir deve agradar a maior parte das pessoas.

Há alguns agrados para o motorista, como o freio de mão eletrônico e o sistema auto-hold, que mantém o carro freado em subidas. O sistema de som é bom, com oito alto-falantes e entrada para iPod. Quanto a segurança, o Tiguan oferece um bom pacote de itens que inclui seis airbags, sem falar nos sistemas de segurança ativa, já citados.

O modelo, aliás, traz na bagagem dois testes satisfatórios nesse quesito: cinco estrelas no crash-test da EuroNCAP, insituto europeu de segurança, e a aprovação do IIHS, equivalente norte-americano, no teste de capotamento.

Entre os opcionais, está o teto solar panorâmico Skyview, que tem 1,73 m de comprimento e 0,85 m de largura. mas custa a bagatela de R$ 5 400. O cliente também pode optar pelo gancho de reboque retrátil, prático para quem quer transportar um barco ou uma carreta já que ele se esconde atrás do para-choque quando não necessário.

Mini-Touareg

Nas ruas, o Tiguan certamente será confundido com seu irmão maior, o Touareg, já que suas linhas são bem conservadoras e identificadas com o estilo da Volkswagen. Os faróis, por exemplo, serviram de inspiração para os do Gol. Um bom veículo, com argumentos originais para comprá-lo, mas o preço mais alto deve restringir o volume de vendas e torná-lo um carro de mais status no segmento, assim como o Jetta faz entre os sedãs médios. A Volks não terá do que reclamar.

Ricardo Meier

Publisher do AUTOO, é o criador do site e tem interesse especial pelo sobe e desce do mercado, analisando os números de vendas de automóveis todos os meses

Ricardo Meier | http://www.jcceditorial.com.br/