Os desastres naturais que abalaram o Japão no início de março começam a fazer reflexos no Brasil. Depois de terem suspendido a produção de veículos em algumas fábricas nos EUA e na Europa, Toyota e Honda anunciam paralizações também no Brasil. Mesmo produzindo carros por aqui há algum tempo, ambas continuam dependendo de peças vindas do Japão, ainda em crise.

A Honda avisa que entre 23 de maio e 3 junho sua planta de Sumaré – onde são fabricados os modelos Fit, City e Civic – não funcionará. Problema similar afeta a Toyota, que suspenderá a produção de sua fábrica de Indaiatuba, também no interior de São Paulo, nos dias 6 e 20 de maio – além de já ter interrompido as atividades no último dia 25. De lá sai o sedã médio Corolla. Outros modelos da Toyota que podem ser afetados são o utilitário esportivo SW4 e a picape Hilux, produzidos em Zárate, na Argentina, onde a paralisação ocorrerá nos dias 13, 20 e 27 de maio.

No entanto, as pausas em suas linhas de produção não chegaram ao consumidor. Em absolutamente todas as concessionárias consultas por AUTOO, a resposta é a mesma: “aqui ainda não chegou nada e nossos estoques estão normais”. Faltará carro? “Não, estamos entregando nossos pedidos no prazo prometido”, diz uma das revendas.

Os desastres no Japão e as consequentes paralisações de Honda e Toyota são, às vezes, tão distantes que algumas concessionárias sequer sabiam da decisão de suas marcas. Na Daitan Ibirapuera (Honda), o atendente do balcão de peças levou alguns segundos para responder que não havia sido informado da pausa em Indaiatuba. Mudo também ficou um funcionário da Caltabiano Pacaembu (Toyota), que também desconhecia a medida de contenção.

Mas o ambiente de tranquilidade pode durar pouco tempo: a Honda admite que poderá haver desabastecimento de componentes importados do Japão a partir do próximo mês. Já a Toyota não se pronuncia a respeito.

Rodrigo Mora

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