Com executivos ameaçados de prisão e esperando resolver tudo antes que a administração Trump assuma o poder nos EUA, a Volkswagen corre para regularizar sua situação perante a justiça americana no caso do “escândalo do diesel”, que veio à tona no fim de 2015.

Nesta quarta-feira (11) a empresa alemã deu um grande passo para começar a encerrar a questão ao declarar-se culpada no caso e pagar US$ 4,3 bilhões, cerca de R$ 14 bilhões, em ações criminais e civis. O governo dos EUA também anunciou que irá implicar no processo cinco pessoas ligadas à empresa. O grupo Volkswagen admitiu ter cometido os crimes de conspiração, obstrução de justiça e o uso de declarações falsas na importação de alguns modelos aos EUA.

As pessoas implicados no caso são Heinz-Jakob Neusser, ex-chefe de desenvolvimento da marca Volkswagen; Jens Hadler, ex-chefe de desenvoolvimento de motores da marca; Richard Dorenkamp, que liderou o time de engenheiros que desenvolveu o primeiro motor a diesel da fabricante projetado para atender os padrões de emissões dos EUA; Bernd Gottweis, ex-gerente de qualidade da VW; Oliver Schmidt, até então o gerente responsável pela área de meio-ambiente e engenharia e, por fim, Juergen Peter, mais um gerente de qualidade da marca. Como noticiamos no AUTOO, Schmidt foi preso nesta semana quando tentava regressar para a Alemanha após passar férias nos EUA.

“Os acordos que alcançamos com o governo norte-americano refletem nossa determinação em lidar com essa má-conduta que vai de encontro a todos os valores que a Volkswagen valoriza”, declarou o atual CEO da fabricante, Matthias Mueller. Um escândalo de proporções mundiais, em que 11 milhões de carros foram afetados, a sabotagem da Volkswagen manchou não só a reputação da marca como também toda a reputação dos alemães no que diz respeito a qualidade da engenharia desenvolvida pelo país europeu. 

Com o acordo fixado hoje com a justiça, o grupo Volkswagen já contabiliza um gasto de US$ 23 bilhões só nos EUA e Canadá para se recuperar das ações judiciais das quais é ré. O conglomerado alemão também enfrenta processos de investidores nos EUA e na Alemanha devido ao impacto do escândalo no valor das ações da companhia e também enfrenta um inquérito criminal no país europeu.

O escandalo começou em setembro de 2015, quando a VW admitiu o uso de um “dispositivo de defesa” em grande parte dos carros do grupo alemão equipados com motores a diesel. Esse “dispositivo” nada mais era do que um software que conseguia manipular o nível de emissões emitidos pelos carros quando eles era submetidos a determinados testes.

Segundo alguns documentos obtidos pela corte norte-americana, quando alguns rumores começaram a questionar o nível de emissões dos carros a diesel do grupo Volkswagen em 2014, alguns engenheiros e supervisores se reuniram para descobrir formas de camuflar o “dispositivo de defesa” a essa altura já instalado em milhões de motores.

Ainda segundo as investigações, em agosto de 2015 os funcionários da VW envolvidos com a questão foram orientados a negar para as autoridades e órgãos de fiscalização a existência do software nos motores. Com a pressão cada vez maior sobre o assunto e a eclosão do escâdalo, uma série de executivos foram suspensos ou forçados a sair da empresa, dentre eles até mesmo o CEO da empresa à época, Martin Winterkorn.

César Tizo

O "Guru dos Carros", César Tizo se juntou ao time este ano e está à frente dos portais AUTOO e MOTOO. É o expert em aconselhar a compra de automóveis

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