Não faltam qualidades ao Fluence para que o novo sedã da Renault vingue o Mégane, cuja segunda geração, lançada por aqui em 2006, prometia fazer frente à Honda Civic e Toyota Corolla. De fato, fazia – o problema é que poucos consumidores acreditaram nisso nesses cinco anos de mercado. Em 2010, o Mégane acumulou de janeiro a novembro 3.020 unidades comercializadas, número inferior ao que o Corolla vendeu em seu pior mês. No entanto, esse não foi o primeiro sedã médio da Renault a ser sucesso de crítica, mas não de público.

Renault 19: o desenho era simples, concebido por Giorgetto Giugiaro, mas o modelo comercializado por aqui até 2000 tinha boa dirigibilidade e conforto acima da média – os bancos frontais pareciam poltronas. Os motores 1.6 (80 cv) e 1.8 (95 cv) tinham bom rendimento, mas a maior reclamação dos seus proprietários era em relação às consecutivas quebras. Importado da Argentina, tinha as configurações cabriolet, hatch e sedã – somente as duas últimas foram vendidas no Brasil oficialmente.

Mégane I: veio pra substituir o Renault 19, embora emprestasse deste plataforma, motores e transmissões – a principal evolução estava no quesito segurança, ao trazer cinto de três pontos para todos os ocupantes do banco traseiro, cintos dianteiros com pré-tensionadores, airbag para o passageiro, entre outros itens.  Surgiu na Europa em 1995, mas só chegou por aqui em 1998, também importado da Argentina. Em 1999, um discreto facelift tentou melhor suas vendas, sem muito sucesso. Já em 2002, dá lugar à segunda geração, que só chegaria por aqui em 2006.

Mégane II: o mau desempenho do Mégane não era reflexo de um carro ruim. Pelo contrário. O sedã fabricado em Curitiba tinha diferencias como câmbio manual de seis marchas (embora o automático penava com quatro) e direção com assistência elétrica. Bem equipado e bom de guiar, o Mégane foi injustiçado pela própria Renault, que errou na estratégia de marketing, lançando primeiro a versão básica, 1.6 16V. Ok, o motor 2.0 de 138 cv não era flex, mas existem outros modelos sem motor bicombustível que fazem mais sucesso que ele. Mesmo o 1.6 16 V de 115 cv (esse sim, flex) era adequado ao modelo. Saudade, mesmo, vai deixar a perua Mégane, única na categoria e com custo/benefício imbatível. Por R$ 48.490, estaciona-se na garagem uma perua maior e mais equipada que VW SpaceFox e Fiat Palio Weekend, que podem esbarrar nesse valor quando completas.

Rodrigo Mora

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