Estamos vivendo uma época bem interessante para quem se preocupa não só em gastar pouco com o carro, mas também quer ajudar a reduzir a poluição dos grandes centros e colaborar com a saúde do planeta. Nessa nobre missão, o Peugeot 208 tem merecido grande destaque após a estreia do motor 1.2 com 3 cilindros na gama, que fez dele o carro mais econômico do país entre aqueles com propulsores somente a combustão. Ele é tão frugal na hora de consumir etanol ou gasolina que obteve uma classificação no Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular até melhor do que a versão híbrida do Ford Fusion. Um feito e tanto.

No mercado nós também encontramos outra estrela quando o assunto é economia de combustível, no caso o Volkswagen up! TSI. O motor 1.0 com turbo e injeção direta confere ao hatch acelerações e retomadas melhores do que muitos carros 1.6 com a vantagem de não fazer questão de parar muito no posto de combustível. Mas e para quem quer um carro um hatch um pouco maior, com mais espaço interno e volume disponível no porta-malas?

Foi pensando nessa brecha que a Hyundai tratou de buscar uma solução mais, digamos, caseira para o HB20. Mesmo sem a inegável vantagem que a injeção direta proporciona, a ideia da montadora sul-coreana foi melhorar o desempenho da versão 1.0 com a adoção de um turbo. Algo feito localmente para não perder a onda dos turbinados. 

Como cada um anda

Digamos que, se você já andou no Volkswagen up! TSI, a sensação ao acelerar o Hyundai HB20 Turbo não chega a ser tão vibrante e alegre quando estamos ao volante do compacto da VW. É aqui que toda a sofisticação do motor alemão é sentida, bem como a falta que a injeção direta faz no propulsor da Hyundai. Curioso que a marca sul-coreana conta, lá fora, com um motor 1.0 turbo tão avançado quanto o 1.0 TSI da Volkswagen, mas pelo visto a ideia foi segurar o preço do HB20.

O HB20 Turbo faz jus ao sobrenome quando chegamos perto das 3.000 rpm, mas pelo menos de uma maneira progressiva, sem solavancos. Um ponto comum é que por falarmos aqui de blocos com 3 cilindros, o baixo nível de vibração tanto no Peugeot quanto no Hyundai é positivo.

O Peugeot 208 1.2 está longe de surpreender ao rodar, mas pelo menos sua entrega de potência e torque é mais plana. Seu comportamento lembra muito o de motores 1.4, ou seja, nas subidas mais inclinadas você terá que lidar com o câmbio na maior parte do tempo, mas nos deslocamentos urbanos, aqueles em que você está na maior parte do tempo indo de casa para o trabalho, o que o 208 1.2 entrega é suficiente.

O rodar do HB20, contudo, parece melhor resolvido. Seu câmbio manual de 6 marchas conta com engates mais amigáveis. Com um movimento pequeno da alavanca você já acha a marcha desejada, enquanto a caixa de 5 velocidades do 208 exige movimentos mais longos. Os engates também são mais “pesados” no 208 do que o visto no HB20, algo que cansa um pouco em especial quando você fica várias horas no trânsito.

A boa qualidade de montagem do HB20 também é notada na ausência de ruídos seja de acabamento como do conjunto mecânico, bem como a calibração da suspensão lida melhor com buracos e imperfeições da pista. O 208, por sua vez, entrega um tempero mais esportivo que agrada, com destaque para o volante pequeno e suas respostas rápidas.

Quando Davi bate Golias

É natural ser atraído primeiro pelo HB20. O estilo da Hyundai fala mais alto perto do visual elegante, mas discreto do Peugeot 208. O cuidado com a rodagem macia e o painel mais cuidado do carro sul-coreano também agradam, mas a verdade é que o HB20 foi projetado para brigar com carros como o Gol, Palio, Celta e o antigo Sandero.

Se a direção é correta, ainda usa assistência hidráulica. O Hyundai também não traz uma central multimídia nessa versão e mesmo assim o que há disponível é um acessório. A Peugeot, ao contrário, seguiu os passos da GM com o Onix: o 208 nasceu conectado. Ele também ousa no painel acima do volante, que é menor e conta com assistência elétrica de movimentos mais diretos.

Mas é no motor que o 208 agradou. O 1.2 aspirado pode não ser muito mais que um 1.0, mas é muito econômico, daqueles carros que você acredita piamente que o ponteiro do marcador de combustível está quebrado. Já o motor 1.0 turbo do HB20 não diz a que veio. Existe um bom torque nele, mas em rotações muito altas e de um forma não tão empolgante. Nada que se compare aos rivais nesse quesito como o up!, da Volks. E o mais grave: não corresponde na hora de reabastecer. Por isso, prefiro o Peugeot.

Ricardo Meier

 
Na convivência

A bordo do Peugeot 208 1.2 e do Hyundai HB20 Turbo é onde notamos as propostas bem distintas das escolas francesa e sul-coreana na arte de fazer carros.

O Peugeot, em especial na versão Allure testada aqui, investe muito mais em oferecer um bom padrão de acabamento para o 208. A boa mescla entre plásticos escuros e mais claros no habitáculo, o teto panorâmico e a própria proposta do painel dividido em dois níveis agrada em cheio quem gosta de satisfazer o olhar.

Já se o seu negócio é satisfazer as sensações, com boa ergonomia, baixo nível de ruído e aquela animadora virtude de encontrar tudo no lugar quando você precisa, sem dúvida você se sentirá mais à vontade a bordo do HB20. Ele também é melhor no espaço interno e no volume do porta-malas.  

 

Peugeot 208 Allure 1.2

  • Resumo

    Preço

    R$ 58.280

    Categoria

    Hatch compacto

    Rivais

    Chevrolet Onix, Hyundai HB20, VW Fox, Fiat Palio

    Vendas em 2015

    13.334 unidades

  • Mecânica

    Motor

    1.2, 3 cilindros, flex

    Potência

    90 cv (E) / 84 cv (G) a 5.750 rpm

    Torque

    13 kgfm (E) / 12,2 kgfm (G) a 2.750 rpm

    Transmissão

    Manual, 5 marchas

  • Dimensões

    Medidas

    3,97 m de comprimento, 1,70 m de largura, 1,47 m de altura e 2,54 m de entre-eixos

    Peso

    1.073 kg

    Porta-malas

    285 litros

 

Com qual compacto eu vou?

Se o seu foco é escolher um carro muito econômico, bom para o dia a dia e que não lhe deixe na mão na hora de rodar por aí, sem dúvida nenhuma do Peugeot 208 1.2 é o que entrega o melhor conjunto.

Os próprios números tornam a superioridade do 208 1.2 induscutível. Segundo o Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular, o Peugeot é capaz de alcançar as excelentes médias de 15,1 km/l na cidade e 16,9 km/l na estrada, ambas com gasolina. O HB20 Turbo, com o mesmo combustível, estaciona nos 11,6 km/l e 14,3 km/l, respectivamente.

Para fugir um pouco dos dados obtidos em laboratório, durante um dos deslocamentos da equipe do AUTOO por trechos rodoviários a bordo do Peugeot 208 nós conseguimos uma ótima média de 20 km/l com gasolina! Por situações assim que o 208 1.2 se torna um carro bem especial e uma ótima opção para quem quer economizar!

 

Hyundai HB20 1.0 Turbo Comfort Style

  • Resumo

    Preço

    R$ 53.005

    Categoria

    Hatch compacto

    Rivais

    Chevrolet Onix, Peugeot 208, VW Fox, Fiat Palio

    Vendas em 2015

    109.850 unidades

  • Mecânica

    Motor

    1.0, 3 cilindros, turbo, flex

    Potência

    105 cv (E) / 98 cv (G) a 6.000 rpm

    Torque

    15 kgfm (E) / 13,8 kgfm (G) a 2.750 rpm

    Transmissão

    Manual, 6 marchas

  • Dimensões

    Medidas

    3,90 m de comprimento, 1,68 m de largura, 1,47 m de altura e 2,50 m de entre-eixos

    Peso

    1.053 kg

    Porta-malas

    300 litros

 

O "Guru dos Carros", César Tizo se juntou ao time este ano e está à frente dos portais AUTOO e MOTOO. É o expert em aconselhar a compra de automóveis

César Tizo |