Qualquer discussão a respeito da adoção dos carros elétricos no mundo passa sempre por dois problemas básicos: infraestrutura de reabastecimento e concessão de benefícios fiscais para reduzir seus preços.

Nesse último, ações como as que foram tomadas pelos Estados Unidos são um exemplo do caminho. Lá, o Leaf, por exemplo, custa US$ 25.280 devido à redução de US$ 7.500 providenciada pelo governo americano. Na California, estado conhecido por apoiar esse tipo de iniciativa, há outros descontos complementares que deixam os híbridos e elétricos com valores próximos aos de carros a combustão.

Já no quesito infraestrutura, a situação é mais complicada. Como cada montadora aposta num sistema, corre-se o risco de uma disputa para quem conseguirá se sobressair e garantir a tecnologia dominante, algo parecido com o que ocorreu com os DVDs de alta definição como o Blu-ray e o finado HD DVD.

A própria Nissan adotou um sistema que é rival do escolhido pela sua dona, a Renault. Enquanto a japonesa prefere baterias em formato de placas e recarga em postos rápidos, a francesa se associou a Better Place, empresa israelense que sugere que a troca da bateria como um todo e não a recarga é o esquema mais promissor.

Dessa questão depende a proliferação de postos de recarga que possam permitir que esse tipo de veículo deixe de ser usado apenas um ambiente urbano. Mas não é somente isso. O custo da eletricidade é outra incógnita.

A Nissan diz que em alguns países o custo do kW.h (kilowatt/hora) é menor na madrugada, o que tornaria a recarga noturna mais em conta. Segundo cálculos da montadora, o Leaf tem um custo por km rodado de cerca de um terço da gasolina, mas a empresa não soube dizer qual é a relação no Brasil que não possui política de tarifas diferenciadas.

Países em que a matriz energética é elétrica também podem enfrentar escassez de energia caso uma frota volumosa de veículos esteja em circulação.

Energia limpa?

Outra questão que a Nissan fez questão de tentar explicar é que o Leaf é 85% reciclável e que suas baterias  de íon de lítio poderão ser reutilizadas em emplihadeiras e outros equipamentos que exijam menos autonomia já que elas perdem a eficiência com o tempo. Mesmo assim é difícil imaginar que todo o volume de lixo eletrônico gerado por uma frota gigantesca de carros elétricos seja reaproveitado na sua totalidade.

Conheça os carros mais vendidos do Brasil nos últimos 10 anos

Ricardo Meier

Publisher do AUTOO, é o criador do site e tem interesse especial pelo sobe e desce do mercado, analisando os números de vendas de automóveis todos os meses

Ricardo Meier | http://www.jcceditorial.com.br/