O roteiro já é conhecido em outras montadoras: lança-se uma versão de um carro para o público PCD e, caso ela faça sucesso, sua oferta é suspensa. Pouco depois vem a má notícia na forma de uma versão mais simples do modelo.

A marca da vez é a Citroën que rapidamente, diga-se de passagem, abortou a versão Feel 1.6 Business para PCD do C4 Cactus dizendo que ela está “esgotada”, mas logo em seguida disponibilizou outra versão, a Live automática, com o mesmo preço de R$ 69.990 (limite para obter os descontos) mas vários itens suprimidos.

Para o portal G1, a Citroën afirmou que a troca da versão permitirá “volumes maiores de produção e diminuição do prazo de atendimento” – o Autoo tentou contato para confirmar a explicação mas não conseguiu localizar ninguém na assessoria de imprensa da montadora.

A explicação da Citroën, no entanto, pouco convence. Seja Live ou Feel, trata-se de um veiculo na linha de produção, a única diferença é a ausência dos itens de série retirados e que são diversos: faróis de neblina, rodas de liga leve, alarme, controle de cruzeiro com limitador de velocidade, vidros com função um toque de abertura, sensor de pressão dos pneus, central multimídia, câmera de ré, comandos satélite no volante e 2 alto-falantes.

Faria sentido se a versão mais vendida do C4 Cactus fosse a Live manual, de entrada, e que como a PCD, também traz bem menos equipamentos, mas é justamente a versão Feel automática, que deu base para a versão original para pessoas com deficiência, a que mais vende na linha. Ou seja, para a afirmação da Citroën fazer sentido, deveremos ter uma enorme queda nas vendas do C4 Cactus Feel. Alguém acredita nisso?

Jogo de sete erros do Cactus
Montagem

Recuperação nas vendas

A hipótese que mais faz sentido é a de que a Citroën, sim, está buscando melhorar a margem de lucro com o C4 Cactus, que teve um primeiro mês cheio de vendas muito bom para os padrões da marca. Foram 1.150 unidades em novembro, mais de 55% de tudo que a marca emplacou no mês, que desde o lançamento do crossover passou a vender acima de 2 mil unidades.

Em outras palavras, se o carro agradou por que não aproveitar a onda e faturar um pouco mais? Pena que o público PCD que se interessar pelo modelo levará para casa um veículo bem menos interessante embora ainda preservando alguns itens desejados como luz diurna de LED, ar-condicionado digital, controle de tração com assistente de partida em rampa e volante com regulagem de altura e profundidade. O preço final para as pessoas com deficiência? R$ 55.228,47.

Ricardo Meier

Publisher do AUTOO, é o criador do site e tem interesse especial pelo sobe e desce do mercado, analisando os números de vendas de automóveis todos os meses

Ricardo Meier | http://www.jcceditorial.com.br/