Possivelmente quem se deparar com este texto estará se perguntando “por que um site sobre carros está pregando contra eles?”. É uma boa pergunta e espero que a resposta também seja.

A razão da criação da coluna “Carro Viável” é justamente essa, questionar o papel do automóvel, das fabricantes e até mesmo de nós usuários. Sim porque hoje estamos acostumados a ouvir, ver e ler geralmente coisas positivas sobre eles. Existem críticas, é claro, parte delas fundamentadas, mas que são feitas de apreciadores dos carros, uma comunidade enorme e que deve ser respeitada.

Mas é fato que o automóvel é para muita gente apenas um meio de locomoção, um patrimônio caro e muitas vezes complicado de manter. É para essas pessoas que a coluna nasce. E de alguém que, embora há 18 anos no setor, já cultiva um ar cético sobre ele.

Nem por isso me considero um ‘hater’ dos carros, termo tão comum nos tempos das redes sociais. Pelo contrário. Quem já dirigiu um modelo com motor turbo e injeção direta e transmissão de dupla embreagem sabe o prazer que ele traz. Há carros que encantam pelo design, outros pela mecânica, e ainda há os que parecem um bom negócio, mas aí é que está o problema. Somos “conquistados” pela indústria com promessas de solução para nossos problemas, seja de mobilidade ou apenas ego.

O Autoo nasceu da necessidade de tornar o mercado de automóveis mais claro para os consumidores. Junto do Guru dos Carros buscamos todos os dias mostrar o lado bom e ruim de carros e marcas, mesmo que isso possa até incomodar algumas marcas. Agora, com a coluna vou um pouco além ao tentar interpretar e dissecar algumas situações que encontramos no setor, seja com o lançamento de veículos que não são exatamente o que seus fabricantes apregoam, seja ao mostrar situações em que você, leitor, pode perder dinheiro. Ou ainda fazendo um mea culpa de nós consumidores.

O título dessa coluna resume esse sentimento. Carro: use com moderação. Ele tem seu valor, é um invento que mudou a sociedade, mas não é sempre a melhor solução para todas as necessidades de mobilidade com as quais nos deparamos.

Felizmente, o futuro parece seguir nesse sentido, de uma mobilidade mais diversa e sustentável. As próprias marcas estão buscando mudar esse conceito com propostas de serviços no lugar da compra e também ao estimular seu uso consciente. Que ele (o futuro) nos reserve um cenário em que o automóvel seja um veículo mais eficiente, ecológico e útil em vez de ser chamado de "cigarro do século 21" como já andaram apregoando.

Ricardo Meier

Publisher do AUTOO, é o criador do site e tem interesse especial pelo sobe e desce do mercado, analisando os números de vendas de automóveis todos os meses

Ricardo Meier | http://www.jcceditorial.com.br/