Como estão vendendo os veículos da Ford após 18 meses do fim da produção nacional?
Produzida na Argentina, picape Ranger responde por três em cada quatro vendas da marca no Brasil em 2022
Nesta segunda-feira, 11, completam-se exatos 18 meses desde que a Ford anunciou o fim da produção de veículos no Brasil. Embora a situação da montadora no país já fosse difícil, a notícia de que ela fecharia suas fábricas em Camaçari (BA) e Taubaté (SP), além do fim da marca Troller, causou surpresa.
Por muitos anos a 4ª marca mais vendida do Brasil, a Ford vinha sendo acossada por fabricantes como Toyota, Hyundai e Renault. Antes mesmo de colocar um ponto final em seus modelos nacionais, a empresa americana já havia encerrado as atividades na famosa fábrica de São Bernardo do Campo, no ABC Paulista.
A justificativa à época foi que a operação brasileira era extremamente deficitária, a despeito do volume significativo de vendas, sobretudo da dupla Ka e Ka Sedan. Nem mesmo o EcoSport, primeiro SUV compacto do mercado, justificou a manutenção da linha de montagem.
Desde então, a Ford vem realizando uma mudança estratégica, focada em modelos importados e de valor aquisitivo mais alto. O resultado, após um ano e meio, no entanto, é desalentador. A marca ocupava um discreto 14º lugar no ranking de emplacamentos no 1º semestre, situada entre a Mitsubishi e a BMW.
Esperança mexicana, Maverick e Bronco Sport vendem pouquíssimo
A situação só não é pior porque a picape Ranger, produzida na Argentina, continua mantendo um patamar respeitável de vendas. Até junho, foram 6.652 unidades emplacadas, que representam nada menos que 73,5% de tudo que a Ford vende por aqui.
Hoje o portfólio de produtos conta com apenas seis veículos, o mais recente a van Transit, que é montada em CKD no Uruguai e começou a chegar às concessionárias no mês passado.
Os outros quatro carros são importados e com preços mais salgados. Da China vem o SUV Territory que teve somente 571 veículos emplacados até a metade do ano (6,3% de participação).
Já do México chegam duas das grandes esperanças da Ford, o SUV Bronco Sport e a picape Maverick. Nenhum deles, no entanto, tem empolgado. Enquanto o Bronco é o segundo carro mais vendido da marca no Brasil, ele só teve 779 unidades emplacadas. A picape rival da Fiat Toro teve um início um pouco melhor, mas ainda assim não conseguiu chegar a 300 unidades vendidas.
Há ainda o esportivo Mustang, cujo público é bastante restrito e por isso tem um peso discreto nos emplacamentos.
A proposta de vender carros importados no Brasil é complicada. Com impostos elevados e um câmbio desfavorável, é praticamente impossível competir em boas condições. Os modelos mexicanos gozam da isenção de imposto de importação, porém, nosso mercado disputa espaço com os EUA, o principal foco de exportação.
Em junho, a Ford conseguiu a proeza de vender mais de 2 mil veículos, algo que até 2018 era resolvido em poucos dias. A gigante norte-americana pode até justificar essa situação por conta de um provável lucro da sua operação atualmente, mas certamente ele deve ser bastante desprezível.
| Pos. | Modelo | Janeiro | Fevereiro | Março | Abril | Maio | Junho | 1º semestre | Participação |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| 1° | Ford Ranger | 1221 | 769 | 1001 | 1111 | 1215 | 1335 | 6652 | 73,5% |
| 2° | Ford Bronco Sport | 71 | 89 | 145 | 125 | 120 | 229 | 779 | 8,6% |
| 3° | Ford Maverick | 0 | 34 | 33 | 265 | 176 | 243 | 751 | 8,3% |
| 4° | Ford Territory | 119 | 64 | 80 | 99 | 114 | 95 | 571 | 6,3% |
| 5° | Ford Mustang | 48 | 21 | 18 | 11 | 5 | 30 | 133 | 1,5% |
| 6° | Ford Transit | 0 | 3 | 8 | 4 | 5 | 108 | 128 | 1,4% |
Emplacamentos em 2022. Fonte: Denatran.
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