Depois da VW, FCA e Renault são investigadas por fraudes

Governo dos EUA acusa a FCA de falsificar dados de emissões; Renault passa pelo mesmo na França
RAM 1500 2014

RAM 1500 2014 | Imagem: Divulgação

Depois de assumir a culpa e pagar mais uma pesada multa nos EUA, quando a Volkswagen parece começar a limpar a bagunça causada pelo escândalo do diesel, outras duas grandes montadoras globais começam a ser investigadas pelo mesmo motivo. 

A agência de proteção ambiental norte-americana (EPA, na sigla em inglês) em conjunto com o California Air Resources Board acusam a FCA de que seu software auxiliar de controle de emissões permite que mais de 104.000 picapes e SUVs fabricados entre 2014 e 2016 que utilizam o motor 3.0 a diesel emitem um nível de poluentes bem maior do que o permitido pela lei quando não estavão cumprindo testes de emissões. O problema é praticamente o mesmo que foi encontrado nos carros do grupo Volkswagen.

“Nós continuamos a investigar a natureza e o impacto desses dispositivos. Todos os fabricantes precisam jogar pelas mesmas regras e nós continuaremos fiscalizando companhias que querem ganhar uma vantagem competitiva de forma ilegal e injusta”, declarou a administradora assistente da EPA, Cynthia Giles. “Novamente um grande fabricante tomou a decisão administrativa de ignorar as regras e foi pego”, emenda Mary Nichols, presidente do California Air Resources Board.

A EPA está há vários meses se negando a homologar os modelos 2017 da FCA movidos a diesel, mesmo assim a fabricante continua com seus veículos 2016 nas lojas. Após a coletiva da EPA, as ações da Fiat Chrysler caíram 16% na bolsa de Nova York.

Se condenada de alguma forma por ter violado as leis norte-americanas, a FCA poderá pagar uma multa de até US$ 37.500 por veículo afetado, o equivalente a pouco menos de R$ 120.000. Considerando o volume de unidades apontadas pelo órgão, a multa chegaria a R$ 12,4 bilhões.

Em resposta, a FCA emitiu um comunicado no qual destaca que “os motores a diesel vendidos nos EUA são equipados com o estado-da-arte em termos de sistemas de controle de emissões, incluindo a redução catalisadora seletiva (SCR). Cada fabricante deve adotar várias estratégias para controlar o nível de emissões do escapamento com o objetivo de atender os padrões da EPA no que diz respeito a óxidos de nitrogênio (NOx), demais poluidores e também contemplendo a durabilidade dos motores bem como a performance e eficiência. A FCA norte-americana acredita que seus motores atendem os padrões estabelecidos pelo país”.

Já em uma resposta mais dura para a crise que se instaurou na empresa, o CEO da Fiat Chrysler, Sergio Marchionne, declarou em uma coletiva para jornalistas que “não existe uma pessoa nesta companhia que tentaria fazer algo tão estúpido quanto enganar os testes de emissões. Nós não somos criminosos”, manifestou o executivo.

A lei norte-americana permite o uso de dispositivos de controle de emissões desde que devidamente declarados aos reguladores e apenas em casos que tenham o objetivo de proteger o motor de falhas.

Ainda não há um prazo para a conclusão das investigações.

Renault também é afetada na Europa

Nesta sexta-feira mais uma notícia envolvendo o mesmo tipo de acusação abalou outra montadora, dessa vez na Europa.

A promotoria de Paris iniciou uma investigação judicial envolvendo a Renault por possível fraude em testes de emissões.

A decisão ocorre dois meses depois da agência contra fraudes ao consumidor, a DGCCRF, ligada ao governo francês, enviar as conclusões de suas investigações aos promotores.

Três juízes estão analisando a questão nesta semana e irão decidir se a investigação realizada pelos promotores será seguida por um julgamento realizado pela corte.

A investigação realizada na França começou como uma consequência do escândalo protagonizado pelo grupo Volkswagen.

A Renault anunciou que só vai se pronunciar após ter acesso ao dossiê de investigação. Até a manhã desta sexta-feira as ações da Renault haviam registrado uma queda de 2,9%.

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