Enquanto espera por mudanças na legislação, Kia prepara novidades

Marca sul-coreana deve retomar parte do espaço perdido após o surgimento do Inovar-Auto com a produção da nova fábrica no México
Kia Cerato 2017

Kia Cerato 2017 | Imagem: AUTOO

O tiro do Inovar-Auto mirou as marcas chinesas, mas estilhaços atingiram também a montadora sul-coreana Kia Motors em 2013. Então uma das marcas que mais importavam automóveis para o Brasil, a fabricante viu suas vendas caírem de forma impressionante.

Do recorde de 77 mil emplacamentos em 2011 a Kia despencou para 24 mil em 2014 e este ano mal deve passar das 10 mil unidades vendidas. A grande ironia é que seus carros, ao contrário dos chineses, têm bastante procura e clientes satisfeitos, mas hoje não há como vendê-los fora da cota de 4,8 mil carros que não pagam os 30 pontos percentuais extras de IPI.

A solução para a Kia passa por uma fábrica nacional, porém, o imbróglio da extinta Asia Motors, continua assombrando a empresa – como ela foi assumida pela Kia, o processo judicial que o governo brasileiro tem para cobrar benefícios fiscais concedidos sem contrapartida segue vivo. Sem segurança jurídica para se instalar no país, a montadora está de mãos atadas.

Com o fim da atual fase do Inovar-Auto em 2017, já existe a expectativa que a restrição de volume seja amenizada. Enquanto isso não vira realidade, a Kia joga suas fichas na nova fábrica que a marca começou a operar no México.

“Prius SUV”

O primeiro fruto dessa fábrica está no Salão. É o Cerato, sedã médio que já foi o carro mais vendido da Kia no Brasil. Ele ganhou um leve facelift, mas mantém o mesmo pacote técnico com motor 1.6 16V e câmbio automático de seis velocidades. Segundo já havia adiantado, a Kia não deve mudar os preços do modelo.

Outros dois sedãs, mas de luxo, são novidade no estande da Kia. O Optima está representado pela versão GT, esportiva, que é equipada com um motor 2.0 GDI (turbo com injeção direta) de 244 cv. Ele pode ser encomendado no Brasil, mas será preciso esperar para que chegue da Coreia do Sul.

O irmão maior, Cadenza, acaba de chegar à segunda geração com um estilo bem agressivo para um carro tão luxuoso. A versão mostrada no Brasil é a mais cara, também com motor GDI, porém, a Kia deverá importar um Cadenza mais simples no ano que vem.
Vale a pena, no entanto, conhecer de perto o Niro, um SUV compacto que em quase nada lembra um híbrido. Pois o novo modelo não só é um carro ecológico como consegue rodar 50 milhas com um galão de gasolina, algo como 21 km/l, mais eficiente que um Prius.

A razão disso é que a Kia pensou no Niro como híbrido desde o princípio. Mas, diferentemente de outros carros do gênero, ele é discreto, esconde as baterias de íon de lítio sob o banco traseiro e tem um painel com as informações necessárias para uma condução mais consciente sem apelar para estilos futuristas.

Embora não esteja nos planos para o Brasil, a Kia pode trazê-lo caso o cenário econômico e a legislação ficar mais propícia aos carros desse tipo. Não seria nada mal.