A função intrínseca de qualquer automóvel do planeta é levar indivíduos do ponto A ao ponto B. Todo o resto é secundário. Mas, ao executar essa primordial tarefa, por que não fazê-la proporcionando prazer ao seu condutor? Mesmo que você não goste de guiar um bom carro, é importante escolher um modelo prazeroso – se você não tem prazer nisso, que ao menos não tenha um desprazer. Elencamos aqui dez carros muito competentes nesse quesito, com preço de até R$ 80.000.  São automóveis que recomendaríamos a nossos amigos e inimigos; modelos que nos deixam ansiosos quando estão para chegar em nossa garagem, e que deixam saudades quando os devolvemos.

Fiat Punto (a partir de R$ 39.380)

A mesma marca que faz um carro tão insosso ao volante quanto o Palio, faz também um hatch prazeroso. Direção com respostas diretas, posição de guiar irretocável e acerto de suspensão que alia maciez à estabilidade. Só falta um câmbio mais preciso. Essas qualidades são potencializadas na versão T-Jet, de 152 cv, mas perdem um pouco o brilho quando o Punto é equipado com o fraco motor 1.4. 

Fiat 500 (a partir de R$ 39.990)

Não, ele não tem o brilho do Mini Cooper, mas o pequenino 500 é uma grata surpresa, ainda mais agora que, feito no México, ganhou melhorias significativas. A versão Cult, com motor 1.4 flex já agrada, mas é o Sport, equipado com motor TwinAir e o consagrado câmbio Aisin automático de seis marchas, que causa emoção até para ir comprar pão na padaria.

Ford New Fiesta (a partir de R$ 50.700)

Caro e apertado para quem vai atrás. Ainda assim, nosso coração bate pelo New Fiesta. Mais uma vez a engenharia da Ford foi feliz no ajuste da suspensão, que nem é tão moderna quanto a do Focus. Aplausos para a ergonomia, os engates do câmbio e a direção direta e precisa, comandada por um volante que tem uma das melhores pegadas. Imagine como não será a versão ST...

Honda Fit (a partir de R$ 51.805)

Assim como o modelo acima, o Fit tropeça (e feio) no preço. É o tipo de investimento que vale pelo retorno de alegrias ao volante. Não se trata de um carro arisco, potente e veloz, mas é uma das melhores escolhas para uso urbano. Sua apresentação oficial à imprensa ocorreu num autódromo particular, e em nenhum momento isso pareceu algo exagerado ou descabido. Nas inúmeras curvas, de alta e baixa velocidade, o Fit deu show de estabilidade e dirigibilidade – embora penasse um pouco para ganhar velocidade nas retas.

Ford Focus (a partir de R$ 54.250)

Não raro surgem modelos que trocam de geração e, por alguma razão, perdem a essência. Não é o caso do Focus. Se a antiga versão já encantava ao volante, a nova consegue ser ainda melhor – méritos da suspensão independente nas quatro rodas, do motor 2.0 e da direção que interage com o motorista. O Focus é dono de uma dupla personalidade: devagar, é um carro dócil e confortável, mas quando provocado aflora seu perfil esportivo. Quem tem Focus entende de carro.

Volkswagen Golf (a partir de R$ 54.320)

Concordamos com você que o Golf já cansou. A quarta geração – bem distante da 6ª que roda na Europa, chegou aqui em 1998, e de lá pra cá sofreu apenas uma reestilização. Mas toda vez que sentamos num Golf, saímos dele com a sensação que “ok, ele pode ficar mais um pouco”. Ele entra na lista, principalmente, pelo câmbio de engates fáceis e precisos e pela sensação geral de solidez e conforto.

Honda Civic (a partir de R$ 66.660)

Essa é a prova de que sedãs não precisam ser caretas. Há muitos senhores que descartam o tradicionalismo nessa hora e partem para algo mais emocionante – a liderança do Civic entre os sedãs médios em 2007 e 2008 cristaliza esse fenômeno. A receita não é revolucionária: direção arisca, suspensão com apelo esportivo e câmbio de engates curtos e precisos. Aplausos de pé para o volante de excelente pegada e diâmetro reduzido. O Civic Si, ainda que não apresente números superlativos de potência e torque, é uma experiência singular de pilotagem.

Mini Cooper (a partir de R$ 69.950)

Já visitaram nossa garagem duas versões do Mini, e nos dois casos a nota para prazer ao dirigir foi 9. “Difícil descobrir algo chato de fazer com o Mini”, dissemos em uma de nossas avaliações. Frequentemente apelidado de kart, o Cooper fazer curvas de um jeito que você nunca imaginou que um carro fizesse e acelera com ânimo de sobra – é preciso segurar firme o volante para não perder o controle. Prova de que divertir está na essência do Mini, até mesmo a versão One, com potência drasticamente reduzida, é boa de guiar.

Peugeot 3008 (a partir de R$ 79.900)

Dissemos isso antes e repetimos: o 3008 é o melhor Peugeot de guiar atualmente, ao menos no Brasil. Único crossover da lista, o francês tem porte de carro familiar, mas comportamento de hatch. O motor 1.6 turbo de o câmbio automático de seis marchas trabalham em sintonia, e a estabilidade é incorrigível, graças à instalação de um terceiro amortecedor traseiro, na horizontal. No interior, destaque para o cockpit, que envolve o motorista e o coloca em posição totalmente esportiva, bem distinta da dos outros rivais.

Volvo C30 (a partir de R$ 79.990)

Imagine um Focus melhorado. Dividindo plataforma com o hatch da Ford, o C30 agrada pela sobriedade, mas pode ser mais “mal comportado” quando exigido. Merecem elogios a alavanca do câmbio bem à mão do condutor e a suavidade, principalmente nas estradas. E em terrenos irregulares, o hatch tem desenvoltura para absorver tudo e não incomodar os ocupantes. E nem estamos falando da versão T5, mais apimentada, e sim do 2.0, mais pacato.

Rodrigo Mora

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