Mais um casamento em crise, em que uma das partes reclama da outra e pede divórcio. Osamu Suzuki, CEO da Suzuki, declarou hoje ao site norte-americano Automotive News que pretende encerrar a parceria de dois anos que a marca japonesa tem com a Volkswagen, alegando falta de independência, além de carência de intercâmbio tecnológico e de projetos conjuntos.

O executivo japonês compara a relação a um casamento e afirma que as duas montadoras deviam “dizer adeus com um sorriso”, ao invés de trocarem acusações. No entanto, durante uma conferência hoje em Tóquio, Suzuki afirmou que sua empresa vive acorrentada, e sugeriu que os alemães não agem como adultos. “Eu achava que eles entendiam que ser um parceiro em igualdade fosse importante, mas isso mudou gradualmente”, reclama Suzuki. 

A VW, por outro lado, retruca criticando a decisão da Suzuki em comprar motores a diesel da Fiat, fato que infringiria a parceria entre ambas. Yasuhito Harayama, vice-presidente executivo da Suzuki, contesta a afirmação, explicando que o fornecimento da Fiat já era antigo e que isso não afetaria o acordo com a VW, já que esta não poderia lhe fornecer um motor similar. Os dois executivos da Suzuki insistem que esta não é a motivação do desejo de encerrar a parceria, mas sim o tratamento que a VW daria à Suzuki. Segundo eles, executivos alemães teriam chamando a Suzuki de “associada”, e garantido que poderiam “influenciar significativamente as decisões de política financeira e operacional” da Suzuki – o que teria desagrado os japoneses.

O porta-voz da Volkswagen, Michael Brendel, disse que a Suzuki quebrou os acordos da união ao ter comprado motores da Fiat, mas que a montadora alemã não pretende vender ou reduzir sua participação na Suzuki.

Rodrigo Mora

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