JAC estréia no Brasil com garantia de 6 anos

Marca abre suas lojas no próximo dia 18 com rede de 46 concessionárias e focada no pós-venda, hoje o ponto fraco das montadoras chinesas

JAC J3 | Imagem: Divulgação

Sérgio Habib é um dos mais experientes executivos do setor automobilístico. Dono de uma rede de concessionárias que vendeu cerca de 50 mil carros novos em 2010 e ex-presidente e representante da Citroën, o empresário deixou de lado seu foco nos carros premium – ele também é o distribuidor brasileiro das marcas inglesas Jaguar e Aston Martin – para se dedicar ao que ele chama de “nova classe média”.

Para isso foi buscar na China a marca JAC, desconhecida até mesmo no seu país de origem (lá sua imagem está associada a caminhões). Uma das principais montadoras independentes da China – juntamente com a Chery, BYD e Geely -, a JAC chamou a atenção de Habib por ter uma linha de veículos com design próprio e uma filosofia mais próxima do Ocidente, ao contrário das rivais, que copiam indiscriminadamente modelos famosos como o Corolla, Mini e RAV4, entre outros.

Mesmo assim, o dono do grupo SHC precisou de 18 meses para lançar a JAC no Brasil. O tempo foi necessário para planejar a estratégia de lançamento e adaptar seus carros ao nosso mercado, tarefa que exigiu rodar mais de 200 mil km com seus modelos e 242 modificações no primeiro vepiculo a ser lançado, o compacto J3 nas versões hatch e sedã, esta batizada com o sobrenome Turim.

Pós-venda

Ciente dos problemas que as primeiras marcas chinesas a desembarcar experimentaram, Habib bolou um projeto ousado e caro: gastou R$ 380 milhões para preparar a chegada da JAC. Esse valor, segundo ele, foi necessário para levantar 46 concessionárias de uma vez (35 pertencentes a ele mesmo), trazer seis contêineres de peças e comprar 14.500 veículos da fábrica antes mesmo de entregar o primeiro exemplar.

Tudo isso porque a má fama de carros fracos e mal acabados e do pós-venda péssimo poderiam acabar com seu negócio. Daí a JAC chegar ao Brasil com a maior garantia do mercado: seis anos sem limite de quilometragem, um a mais que os coreanos, hoje os que oferecem o maior período.

Habib também fez questão de tabelar o preço das peças abaixo da concorrência além de cobrar pouco das revisões, feitas em intervalos menores que o normal (de acordo com ele, uma exigência do fabricante, que quer analisar o dia a dia de seus carros), e seguro pela metade do preço do Gol, por exemplo. A JAC promete entregar peças de reposição num raio de 500 km em até 24 horas e bancou o serviço de assistência por dois anos, em parceria com a Porto Seguro.

Mais caro

A postura em relação a seus produtos também é diferente. Em vez de cobrar pouco pelos modelos como fazem Chery e Lifan, a JAC estipulou preços mais parecidos com os de veículos nacionais – o J3, por exemplo, sai por R$ 37.990. A diferença está na lista mais completa de equipamentos – com direito a freios ABS, sensor de estacionamento e airbag duplo de série – e no prometido pós-venda mais em conta.

Mesmo com toda essa preocupação, a empreitada de Habib não será das mais fáceis. A imagem dos chineses ainda está longe de encatar o consumidor no Brasil. Algo que não preocupa o empresário: “brasileiro não é fiel a uma marca”, define. “É por isso que a JAC dará certo”, completa.

Um bom sinal foi dado pela loja pioneira da marca, localizada no Shopping Aricanduva, na zona leste de São Paulo. Conhecido pelo perfil popular, o shopping virou laboratório para a marca chinesa que abriu um show-room no local em dezembro que já vendeu 200 unidades, segundo Habib. “Sem que ninguém tenha ligado o motor do carro”, diz, orgulhoso.

“Completão”

Com uma meta audaciosa de terminar o ano com 35.000 unidades vendidas, a JAC terá ainda dois outros modelos neste ano, o sedã médio J5, da categoria do Corolla, e a minivan J6, rival da Zafira e do C4 Picasso. Para 2012 está previsto o lançamento do J2, um compacto de entrada que deve custar em torno de R$ 30.000 e vir equipado com o mesmo motor do J3. Questionado sobre uma hipotética fábrica no Brasil, Habib desconversou. Disse que só é possível pensar em produzir no país com pelo menos 100 mil carros vendidos por ano, mas reconheceu que estão negociando um terreno na região de Suape, perto do Recife: “hoje não existe nada de concreto, mas já reservamos nosso lugar pra o futuro”, disse.

Para estrelar a campanha de lançamento, a JAC contratou o apresentador Fausto Silva que dará voz ao bordão “Inesperado”, criado pela agência Ogilvy. Faustão até fez propaganda durante a apresentação de imprensa. Segundo ele, “agora ou você vai pro ‘completão’ ou fica no ‘peladão’, brincou o apresentador.

O lançamento oficial da marca acontece no próximo dia 18, uma sexta-feira. A data original era o dia 14, segunda, mas a montadora não concordou: “os chineses preferiram o número 18, que significa “vida longa”. Se depender disso e da ambição da Habib, a JAC irá longe no Brasil.

Confira neste sábado nossa avaliação do hatch J3.

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