Nissan March e Versa mexicanos são menos seguros que os brasileiros

Alerta é do Latin NCAP, que refez os testes com os dois modelos
Nissan Versa

Nissan Versa | Imagem: Divulgação

Uma prova – e um alerta muito importante – da importância para os países desenvolverem uma regulamentação clara, forte e específica sobre segurança veicular foi dada na última quarta-feira (21) pelo Latin NCAP.

A entidade, que realiza avaliações de veículos novos comercializados na América Latina e Caribe, já havia avaliado os Nissan March e Versa produzidos no Brasil em 2015, quando o hatch obteve quatro estrelas para a proteção de passageiros adultos e apenas uma para a proteção do passageiros infantil. O sedã, por sua vez, repetiu o resultado para os adultos, porém alcançou duas estrelas na proteção para crianças. Na época, a Nissan garantiu ao Latin NCAP que não havia diferenças entre os modelos produzidos no Brasil e no México, os quais inclusive eram importados para cá antes da produção nacional.

A surpresa veio com os testes de auditoria do Latin NCAP, que desta vez avaliou o March e o Versa produzidos no México. Testados sob os mesmos protocolos, os dois modelos ofereceram uma proteção menor em relação a dupla produzida no Brasil. Com isso, os dois modelos mexicanos receberam apenas três estrelas na proteção para adultos.

“A principal diferença foi no sistema de retenção e nas estruturas. As duas estruturas (March e Versa) foram qualificadas como instáveis, embora tenham sido avaliadas como estáveis nos testes realizados em 2015. Os cintos de segurança, junto com os airbags, ofereceram uma menor proteção. O peito do motorista recebeu uma qualificação baixa comparada com a proteção marginal e adequada resultante do teste de 2015. Os dois modelos mostraram um desempenho mais baixo, aproximadamente 30%, em relação ao teste de 2015”, explica Alejandro Furas, secretário-geral do Latin NCAP.

“O Latin NCAP não tem nenhuma evidência de que os carros brasileiros continuem a ser fabricados como em 2015. Esse caso mostrou um pobre controle de qualidade de produção da Nissan e uma profunda falta de conhecimento para entender e resolver esses problemas com antecipação. Levando em conta que a Nissan assinalou em 2015 que os carros mexicanos e brasileiros são os mesmos, é lógico supor que também as versões brasileiras poderiam ter caído em qualidade”, completa Furas.

Procurada pelo AUTOO, a Nissan limitou-se a responder que “está comprometida com a segurança, serviço e satisfação de nossos clientes e seus passageiros. A empresa analisou cuidadosamente os resultados dos testes e pode confirmar que não há diferenças substantivas entre os veículos de March e Versa testados e auditados que podem explicar a variação nos resultados”. A avaliação do Latin NCAP, contudo, não deixa dúvidas de que houve sim alguma diferença entre os dois modelos, afinal só assim seria possível explicar a perda de proteção durante os testes.

Segundo o secretário-geral do Latin NCAP, os governos da região deveriam investir em regulações mais rígidas para controlar a qualidade de produção dos carros. “O Latin NCAP e o Global NCAP acabaram de demonstrar o enorme interesse que existe em implementar os mínimos padrões de segurança recomendados pela Organização das Nações Unidas (ONU) a respeito das vidas, das lesões sérias e dos custos sociais que poderiam ser evitados. Essas regulações também proporcionam aos fabricantes um forte âmbito administrativo e um estrito controle da produção. Mais uma vez, instamos todos os governos da região a aplicá-las imediatamente”, conclui Alejandro Furas. 

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