Ociosa, fábrica da Chery no Brasil agora monta o novo QQ

Unidade da fabricante chinesa até agora produz o compacto Celer em quantidades bem abaixo da capacidade
Chery QQ 2015

Chery QQ 2015 | Imagem: Divulgação

Muito aquém da sua capacidade, a ociosa fábrica da Chery no Brasil agora monta um terceiro modelo, o New QQ. A marca chinesa confirmou o início da produção do seu modelo mais em conta e que chegará às suas concessionárias em maio.

Até agora, a unidade de Jacareí produzia apenas o Celer hatchback e o Celer sedã, mas em quantidades ínfimas: até março nem 300 unidades saíram de lá, um número que não justifica nem de longe o investimento feito.

Com o QQ, a situação não deve mudar, afinal o carrinho mal emplaca 50 carros por mês, apesar do preço atraente – R$ 28.790, bônus de R$ 2.500 anunciado no site da empresa.

Pagar para ver

O caso da Chery mostra como o mercado brasileiro pode ser traiçoeiro para quem não o estuda a fundo. Os chineses chegaram ao país em 2009 ainda com produtos que traziam muitos vícios já superados pelos veículos nacionais. Em vez de centrar foco em modelos mais novos, a marca trouxe vários carros diferentes que tiveram carreira curta, algo que cria uma sensação de falta de compromisso com o cliente. As reclamações também foram inúmeras em sites como o Reclame Aqui.

Quando houve um redirecionamento no projeto, ao anunciar a fábrica nacional, veio a taxa extra de IPI que invabilzou o negócio para muitas importadas. Sem a vantagem do custo baixo de produção na China, a Chery hoje vende produtos que não chegam a ser tão baratos assim e com pacotes que não superam seus concorrentes mais tradicionais.

Ou seja, não há hoje um bom motivo para arriscar e levar um carro chinês para casa. Talvez fosse o caso de “pagar para ver”, como fez a Hyundai nos tempos em que seus modelos não chamavam a atenção. Se a Chery vendesse o Celer por um preço imbatível, mesmo perdendo dinheiro no início, quem sabe criaria um público cativo e uma suposta propaganda boca-a-boca.

Mas produzir 150 veículos numa fábrica que deveria fazer ao menos 20 vezes esse volume parece não incomodar a montadora.

Assine a newsletter semanal do AUTOO!