Enquanto os automóveis em geral vivem ciclos de sete anos entre suas gerações, os utilitários esportivos costumam durar mais. Um projeto pode mesmo ganhar poucas alterações em décadas, como ocorre com o Defender, da Land Rover. Na Mitsubishi, essa regra vale para a Pajero Sport, que já está no mercado desde 1996.

Mas no ano passado, a Mitsubishi desenvolveu na Tailândia sua sucessora, baseada na picape Triton. Era uma questão de tempo para que o Brasil contasse com esse novo utilitário esportivo e foi o que ocorreu esta semana quando a Mitsubishi apresentou a Pajero Dakar, nome local adotado para preservar a antiga Pajero Sport em linha e que custa bem menos.

Degrau ocupado

Robert Rittcher, diretor de marketing da Mitsubishi, explicou assim como será o posicionamento da Dakar no mercado: “tínhamos um degrau vazio entre a Pajero Sport e a Full, e é nele que a nova Pajero se encaixará”. Por degrau, entenda-se o preço de R$ 152 990 para a versão manual e R$ 159 990 para automática, cujas vendas devem representar 90% das 300 unidades previstas por mês. Com esse valor, o foco é claro: brigar com a Hilux SW4, da Toyota, e atingir também a mais cara Discovery 3, da Land Rover.

A Pajero Dakar, no entanto, segue uma linha muito diferente da tomada pelas principais montadoras. O modelo é um utilitário esportivo nato, com chassi separado da carroceria, enquanto muitos veículos nessa faixa de preço são os chamados crossovers, que possuem visual off-road, mas construção igual a de um sedã ou perua.

A principal diferença é mesmo sua capacidade off-road. A tração é 4x4, com bloqueio do diferencial e reduzida, mas evoluiu a ponto de poder ser usada também no modo integral, ou seja, no asfalto em condições em que o piso está escorregadio, por exemplo. A Mitsubishi trouxe apenas a versão a diesel, com o mesmo motor usado na Full, um 3.2 turbo de 165 cv e 38,1 kgfm de torque – o câmbio manual é de quatro marchas e o automático, de quatro com opção seqüencial.

Sete lugares de série

Outra novidade da Pajero Dakar é a configuração para sete passageiros de série. Os dois bancos extras ocupam espaço do porta-malas, mas podem ser rebatidos sem grande prejuízo para as bagagens. A posição não é das mais confortáveis, mas é melhor que de outros modelos com essa capacidade – há até uma saída extra do ar-condicionado com ajuste próprio.

Por um lado, o novo SUV traz uma boa lista de equipamentos. Além das previsíveis direção hidráulica, trio elétrico e ar-condicionado com ajuste automático de temperatura, a Dakar oferece rebatimento elétrico dos espelhos, sensor de estacionamento e um sistema de som com CD e MP3 além de Bluetooth. Há comandos satélites no volante para acionar o rádio e o piloto automático e computador de bordo com diversas funções como bússola, altímetro e barômetro.

Em termos de segurança, a Dakar vem com airbag duplo e ABS com EBD, porém, não há bolsas infláveis laterais e de cortina nem mesmo como opcional. Para finalizar, os freios traseiros são a tambor, configuração comum em carros mais simples. Pelo lado do conforto, outras ausências sentidas são os ajustes de altura do banco do motorista e a regulagem de profundidade do volante.

É bom lembrar que a versão automática tem bancos com acabamento em couro, único opcional da versão manual.

Um pé na lama

Avaliamos a Pajero Dakar por um circuito misto nas proximidades da cidade de Atibaia. O percurso incluiu trechos de terra e, principalmente, obstáculos em pedras que evidenciaram as virtudes do utilitário em depressões e inclinações consideráveis. Tudo superado tranquilamente, sobretudo com o uso da opção de bloqueio do diferencial.

Na estrada, foi hora de ver se o novo Mitsubishi cumpre o papel de carro de passeio, situação mais comum no dia a dia. Nesse ambiente, a Dakar agrada, mas não empolga. Na frente, o isolamento acústico é bom, atrás já se ouvem mais ruídos. Como SUV autêntico, o veículo inclina mais do que o normal nas curvas, mas não compromete. As respostas do motor são suaves e não há o “quick-down” no final do curso do acelerador para imprimir mais agilidade ao carro.

Para os passageiros, a Pajero oferece bom espaço longitudinal nos bancos traseiros, que podem ser ajustados longitudinalmente. A posição das pernas também é melhor que na antecessora graças à maior altura dos bancos.

Depois de ser mal-interpretada ao falar de consumo na Pajero Sport Flex, desta vez a Mitsubishi divulgou os números oficiais de rendimento. Na estrada, a 120 km/h, o modelo faz 11,2 km/l e na cidade, 8,3 km/l. No entanto, velocidade máxima e aceleração não foram divulgados.

Nacional e flex em breve

Apesar de ter evitado responder claramente, a diretoria da Mitsubishi deixou subentendido que teremos, sim, no futuro, uma Pajero Dakar nacional e com motor flex, mas isso deve levar algum tempo, até que o modelo comprove seu sucesso no mercado brasileiro.

Ficha técnica

Mitsubishi Pajero HPE 2009  3.2 16V diesel automático 4x4 4p
Preço R$ NaN (08/2019)
Categoria SUV grande
Vendas em 2017 1.428 unidades
Motor 4 cilindros, 3200 cm³
Potência 165 cv a 3800 rpm (diesel)
Torque 38,1 kgfm a 2000 rpm
Dimensões Comprimento 4,695 m, largura 1,815 m, altura 1,84 m, entreeixos 2,8 m
Peso em ordem de marcha 2105 kg
Tanque de combustível 70 litros
Porta-malas litros
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Publisher do AUTOO, é o criador do site e tem interesse especial pelo sobe e desce do mercado, analisando os números de vendas de automóveis todos os meses

Ricardo Meier | http://www.jcceditorial.com.br/