Com certeza, dá para afirmar que nunca deve ter passado pelas cabeças pensantes da Peugeot transformar o 206 em sedã na época do seu lançamento, em 1998. Tanto assim que demorou para que essa versão surgisse – em 2006 no Irã, em parceria com a montadora local Iran Khodro.

Daí que não esperava muito do 207 Passion nessa função. O sedã, desenhado no Brasil com o visual dianteiro do 207 europeu, é um carro de linhas um tanto conflitantes. Frente e traseira são volumosas e chamativas, mas a lateral, intacta desde o 206, se apequena ainda mais nessa versão. Mas tudo isso é impressão inicial – com o tempo você se esquece desses detalhes e enxerga um sedã que parece maior do que é.

O 207 Passion começa a virar o jogo por dentro. As mudanças no painel e no acabamento foram acertadas e a sensação é de padrão de um modelo médio. O belo console e o painel de instrumentos reforçam isso, ainda mais que a concorrência nessa faixa de preço não prima por um padrão de construção muito elogiável.

A versão avaliada, XS 1.6 manual, traz largos bancos de tecido de boa qualidade, ar- condicionado digital, faróis de neblina, computador de bordo, trio elétrico, direção hidráulica, rodas de liga leve de 15 polegadas e detalhes cromados de caráter esportivo. Inexplicavelmente, os airbags dianteiros estão disponíveis apenas na versão XS com câmbio automático e assim mesmo como opcionais.

Perfeito para a cidade

A Peugeot resolveu mexer também num ponto crítico do 206, a suspensão. Recalibrada para um comportamento mais macio, ela deixou o 207 Passion confortável e mais valente nas ruas esburacadas das cidades. O bom motor 1.6 16V, de 113 cv de potência (álcool) e o câmbio manual bem escalonado completam um conjunto que agrada bastante no uso urbano. É um carro em que você pega o jeito de dirigir rapidamente.

Quem procura hoje um sedã compacto se depara com um dilema: ou compra um modelo espaçoso, mas de acabamento simplório ou opta por um carro com interior mais caprichado, porém, de espaço limitado. Nessa última classe incluem-se Siena, Symbol e o próprio 207 Passion.

Não há milagres se a plataforma nasceu pequena por dentro. Tal qual o 206, o 207 brasileiro carece de espaço interno, sobretudo no banco traseiro. Mas da mesma maneira que seus rivais, ele compensa isso com um porta-malas generoso. Claro, não chega a ser tão grande quanto o do Fiat, por exemplo, mas os 420 litros são bem aproveitados. Curioso é o mecanismo que a Peugeot utilizou para abrir sua tampa. Como nos carros da década de 1970, é preciso pressionar o miolo da chave para soltar a trava.

Nunca é demais lembrar também de alguns defeitos crônicos do Peugeot como os acionadores dos vidros elétricos no meio dos bancos e a trava central, ao lado do freio de mão. Detalhes que a marca preferiu manter, apesar das reclamações constantes.

Não-popular mais vendido

O que chama a atenção no 207 Passion é o fato de ele ser o sedã compacto não-popular mais vendido do país – desconsiderando-se o City, da Honda, que está entre os pequenos e os médios. A aceitação do modelo tem surpreendido e hoje o Peugeot emplaca cerca de 2 mil unidades por mês, superando de longe o Renault Symbol que, como ele, nasceu de um projeto anterior com melhorias na qualidade.

No ranking geral, o sedã é o 7º mais vendido, embora seja relativamente mais caro que o Renault, mas mais barato que o Polo Sedan. É um número respeitável se pensarmos que por mais R$ 6 mil é possível comprar um 307 Sedan, por exemplo. Se este nunca mostrou muito jeito para sedã, o Passion revelou uma vocação inesperada para esse segmento.

 

Ficha técnica

Peugeot 207 Passion 2010 XS 1.6 16V flex manual 4p
Preço R$ NaN (08/2019)
Categoria Sedã compacto
Motor 4 cilindros, 1587 cm³
Potência 110 cv a 5600 rpm (gasolina)
Torque 14,5 kgfm a 4000 rpm
Dimensões Comprimento 4,235 m, largura 1,669 m, altura 1,447 m, entreeixos 2,443 m
Peso em ordem de marcha 1134 kg
Tanque de combustível 50 litros
Porta-malas 420 litros
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Publisher do AUTOO, é o criador do site e tem interesse especial pelo sobe e desce do mercado, analisando os números de vendas de automóveis todos os meses

Ricardo Meier | http://www.jcceditorial.com.br/