Tecnologia pode ameaçar os carros compactos na Europa

Pressão por normas de emissões cada vez mais restritivas refletirá no futuro da categoria
Subcompactos como o Opel Adam podem sair de linha devido aos custos elevados de eletrificação

Subcompactos como o Opel Adam podem sair de linha devido aos custos elevados de eletrificação | Imagem: Divulgação

A edição deste mês do Automotive News Europe traz uma interessante análise sobre como o avanço da tecnologia em conjunto com normas de emissões cada vez mais restritas na Europa estão ameaçando o futuro dos carros compactos e subcompactos por lá, segmentos que são símbolos do mercado automotivo europeu e influenciam fortemente modelos de muito sucesso aqui no Brasil, como é o caso do VW Polo, entre outros.

De acordo com alguns analistas, a grande questão que recai sobre os carros compactos é que, enquanto modelos maiores e mais caros oferecem maiores margens de lucro e podem absorver sem muita dificuldade o custo superior de sistemas de propulsão híbrida ou elétrica, os modelos compactos, geralmente mais acessíveis, não oferecem muito espaço para as fabricantes “manobrarem” seus preços ao ter que lidar com os altos custos para enquadrá-los nas próximas regras de emissões que irão vigorar na Europa ao longo da década seguinte.

“As novas regras de emissões requerem que as fabricantes gastem milhares de euros de tecnologia em cada carro. Automóveis maiores contam com preços e margens que as permitem cobrir esses custos. Carros pequenos simplesmente não abrem espaço para isso. Esses segmentos deverão ser abandonados em breve por muitas fabricantes”, explica a empresa de pesquisa e corretagem Sanford C. Bernstein. “O grupo VW, por exemplo, pode ser forçado a eliminar o VW Polo do seu catálogo, bem como modelos similares como o Audi A1, Skoda Fabia, Seat Ibiza, entre outros. Esse é um segmento de alto volume, mas que enfrentará desafios econômicos muito duros”, acrescenta.

Outro ponto diz respeito aos recursos de eletrônica embarcada cada vez mais demandados pelos consumidores e que impactam fortemente no preço final dos carros. “Quanto menor o veículo, mais apertadas são as margens e mais difícil se torna a adequação deles para as novas normas de emissões. A habilidade de qualquer fabricante em obter lucro de carros compactos e subcompactos está sob pressão devido a toda a tecnologia que nós precisamos adicionar aos veículos de olho na segurança e emissões”, complementa Maxime Picat, chefe da PSA para a Europa, em entrevista ao periódico europeu.

Segundo dados da Sanford C. Bernstein, acrescentar sistemas de propulsão híbrida-leve, híbrida, híbrida plug-in ou até mesmo completamente elétrica pode custar de 600 a 5.000 euros por carro dependendo do conjunto escolhido, o que representa um impacto muito alto em modelos pensados para custarem pouco. “Hoje em dia os consumidores de carros subcompactos na Europa gastam em torno de 12 a 14 mil euros no modelo escolhido, sendo que esse valor pode subir para 18 a 20 mil euros se falarmos desses mesmos carros com propulsão eletrificada”, alerta Alain Favey, responsável global pelas áreas de vendas e marketing da Skoda, uma das marcas do grupo Volkswagen.

O executivo explica que a gigante global está em conversas com o governo alemão para elevar os subsídios para carros com propulsão limpa e, dessa forma, seguir garantir o acesso do público a esses automóveis. Análise do banco ING aponta que a diferença de preço entre os atuais carros a combustão e os elétricos deverá tornar-se cada vez menor somente a partir de 2025.

“Eu acho que os carros pequenos ainda terão seu lugar na Europa, mas eles ficarão em torno de mil, dois mil, três mil euros mais caros”, analisa a Ford. “Sempre haverá demanda por formas de mobilidade barata”, conclui a empresa de pesquisas LMC em análise sobre o tema.

Mesmo modelos como o VW Polo tem o futuro ameaçado em um futuro de carros elétricos na Europa
Mesmo modelos como o VW Polo tem o futuro ameaçado em um futuro de carros elétricos na Europa
Imagem: Divulgação

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