Ela tem altura elevada e design esportivo. Também é equipada com um motor turbo com injeção direta e câmbio automático com trocas sequenciais. É versátil e bem equipada além de muito espaçosa. Até o preço é bem mais em conta que muitos carros equivalentes em outras categorias. E acreditem, vende muito pouco.

Mas o que há de errado nessa equação aparentemente tão perfeita? Simples: ela não faz parte da categoria mais desejada do momento, a dos utilitários esportivos, conhecidos pela sigla ‘SUV’. As três letras mágicas são capazes hoje de mover montanhas e sua ausência, significa ficar de fora de uma festa daquelas. Aí não adianta ter um ótimo custo-benefício, ser atraente ou oferecer mais itens que os SUVs, ela simplesmente é ignorada.

Como vocês já sabem de quem estamos falando, a minivan C4 Picasso, uma sobrevivente de um segmento exótico atualmente, é daqueles carros que você aprende a curtir muito rápido. A atual geração, que recebeu um leve facelift e novos e bons equipamentos no ano passado, deveria vender mais que o primo Peugeot 3008, inferior em muitos aspectos mas que já emplacou este ano 1.335 unidades contra apenas 205 da minivan da Citroën. É o efeito ‘SUV’ que dissemos.

Lembrança cativa

Meu reencontro com a C4 Picasso foi um misto de sensações bacanas guardadas desde o primeiro contato com a primeira geração, ainda chamada de Xsara Picasso e até hoje vista nas ruas. Na época começando na área, tive uma certa paixão à primeira vista com o carro da Citroën.

Numa época de carros baixos e apertados, a minivan era espaçosa, cheia de sacadas legais como a mesinha de avião, o painel digital central e a ampla visibilidade. Seu formato oval, contudo, tinha tempo de validade e logo tornou-se datado.

A Xsara Picasso também carecia de uma mecânica de qualidade e eram comuns os problemas de ruídos a bordo, mas felizmente a Citroën tomou para si o orgulho de manter viva a chama das minivans e logo surgiu sua sucessora, a C4 Picasso, a primeira a ganhar uma versão maior para sete lugares.

Se a primeira geração estreou a linha da montagem da PSA no Brasil a segunda era cara demais para ser fabricada aqui, ainda mais num segmento que já começava a sofrer com o ataque dos utilitários esportivos.

Desde então, a C4 Picasso virou um modelo de exceção, para quem não gosta de modismos e busca algo mais racional e porque não divertido.

Por isso ao entrar na minivan algumas lembranças retornaram, como o painel central digital, mas agora uma enorme tela multifuncional. As mesinhas de avião e o compartimento no assoalho também sobreviveram assim como uma ‘falha’, a ausência de conta-giros no cluster – sim, a Citroën achou o item desnecessário no Xsara Picasso -, agora apenas escondido entre as opções de visualização.

No entanto, a atual Picasso mudou em vários sentidos e para melhor. O estilo ovalado deu lugar a um perfil mais retilíneo e esportivo. Os para-lamas são mais volumosos como os de um SUV e a frente, alta e com três conjuntos ópticos separados, todos com luzes de LEDs.

Na prática, a C4 Picasso é quase um SUV: a grande diferença está no para-brisa, mais inclinado e longo e as janelas espias que o acompanham na lateral. Com um pouco de imaginação é possível visualizar como ela seria se tivesse essa parte redesenha como um utilitário esportivo, mas essa missão caberá ao C4 Cactus em breve.

Alavanca da confusão

Se você se encantou ou não com o visual, por dentro certamente a C4 Picasso deve agradar muita gente. É o carro familiar por excelência.

Como disse, a Citroën tem preservado partes dos diferenciais do modelo e isso inclui também os bancos traseiros individuais que podem ser movimentados na longitudinal e rebatidos para proporcionar maior espaço para bagagens. Há também luz individual e persianas rebatíveis para os assentos externos.
Na frente, tanto o banco do motorista quando do passageiro possuem ajustes elétricos e memória, no caso do primeiro. Há também massageador e aquecimento, item mais procurado na Europa.

O ar-condicionado é de duas zonas, talvez o único retrocesso em relação à geração anterior que oferecia quatro zonas. Mas os ocupantes do banco traseiro podem ajustar a velocidade dos difusores caso isso esteja liberado na frente. A versão testada possuía teto solar panorâmico fixo e o para-brisas Zenith, maior do que o padrão e que pode ser ampliado manualmente.

Uma das características mais conhecidas da minivan é o câmbio automático posicionado atrás do volante numa pequena alavanca à direita, como em carros antigos. Com isso ganhamos espaço no console central que possui um amplo porta-objetos fechado com várias tomadas.

O problema aqui é que seu acionamento é pouco intuitivo. Demora até que lembremos que a posição das marchas tem ser feita longe do alcance do braço direito.

Divertida na estrada

Apesar do enorme tamanho, a C4 Picasso é fácil de dirigir. O painel de instrumentos, embra deslocado para o centro, tem ótima visibilidade e pode ser configurado para mostrar várias informações ao gosto do cliente.

O volante encorpado combina com o carro, ao contrário do sedã C4 Lounge, que merecia um item de menor diâmetro. Há vários comandos satélite de fácil assimilação e que comandam não só o cluster mas também a central multimídia que é compatível com o CarPlay e o Android Auto. Ela também traz um sistema de navegação próprio que pode ser visto tanto nela quando na tela do painel de instrumentos.

Se até aqui parada ela já demonstra virtudes quando damos a partida descobrimos como a dupla motor THP 1.6 de 165 cv e a transmissão automática de seis velocidades casaram bem com a minivan. Embora seja apenas a gasolina, a C4 Picasso anda bem e tem até uma margem razoável de esportividade por mais que esse nunca tenha sido algo proposital.

A suspensão, independente na parte frontal e por eixo de torção atrás, é quase ideal: mostra alguma firmeza e filtragem dos ruídos mas a batida seca quando passamos em alguma depressão continua uma tradição da Citroën.

É um carro familiar com uma pegada bastante confiante em curvas apesar da altura elevada, seu peso (quase 2 toneladas carregada) e foco no conforto. O espaço interno chega a ser “criminoso” de tão superior a outros carros. Pegue-se como exemplo a largura interna: atrás são 3 cm a mais que o Compass, o queridinho do público. Na frente, nada menos que 5 cm extras em relação ao Jeep.

O porta-malas, além de versátil, é generoso mesmo com a configuração menor. São 537 litros com os bancos traseiros na posição recuada e 630 litros com eles na posição mais frontal.

Assistência na direção

De quebra, a minivan da Citroën ainda traz itens de segurança ativa como assistente de permanência na faixa, Park Assist com visão de 360º (na versão Intensive), alerta de ponto cego e leitor de placa de trânsito. Os dois últimos, é verdade, têm funcionamento menos eficiente do que esperava. O alerta em certas situações não “viu” o carro no ponto cego e leitor de placa “sofreu” com as velocidades variadas da Marginal Pinheiros, em São Paulo. Ou seja, são uma ajuda mas não a solução para o motorista.

Pechincha

Vou fazer uma confissão que muitos podem achar exagerada. Quando fui buscar o C4 Picasso não perguntei e nem consultei seu preço. Durante os primeiros dias de convivência pensei ter visto que ele custava em torno de R$ 170 mil, talvez mais e até informei isso para alguns amigos que o viram. “É importado da Europa, baixa demanda, com vários equipamentos de série, parece coerente”, pensei.

No dia em que, enfim, resolvi conferir acabei surpreendido. A versão avaliada, Intensive, custava R$ 132 mil em junho de 2018. São R$ 7 mil a menos um Jeep Compass Limited que é menor, oferece menos itens, tem motor 2.0 com a mesma potência e torque bem menor, por exemplo.

Para não parecer tendencioso vamos usar outro carro como comparação, um que de certa forma compartilha várias coisas com o C4 Picasso. Sim, estou falando do Peugeot 3008, europeu como ele, porém, menor e também menos equipado na média. Pois o “primo” sai a partir de R$ 146 mil, ou seja, R$ 14 mil mais caro.

Lembram do “defeito” do C4 Picasso no começo do texto? Na prática, ele se torna uma virtude afinal você leva para casa um carro bem mais capaz economizando um dinheirão. Tudo porque ele não carrega as três letrinhas “S”, “U”, “V”.

 
 
Citroën C4 Picasso 2018
 
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Ficha técnica

Citroën C4 Picasso 2018 Intensive 1.6 16V gasolina automático 4p
Preço R$ 132.000 (06/2018)
Categoria Familiar médio
Vendas em 2017 467 unidades
Motor 4 cilindros, 1598 cm³
Potência 165 cv a 6000 rpm (gasolina)
Torque 24,5 kgfm a 1400 rpm
Dimensões Comprimento 4,428 m, largura 1,826 m, altura 1,625 m, entreeixos 2,785 m
Peso em ordem de marcha 1405 kg
Tanque de combustível 57 litros
Porta-malas 537 litros
Veja ficha completa

Publisher do AUTOO, é o criador do site e tem interesse especial pelo sobe e desce do mercado, analisando os números de vendas de automóveis todos os meses

Ricardo Meier |