Ao longo da história, raríssimos produtos alcançaram um status de unanimidade, conquistando diversos consumidores pelos mais variados motivos. Podemos dizer que o Toyota Corolla está nesse seleto grupo. Indo bem além de seus feitos aqui no Brasil, como responder por mais de 40% das vendas dentro do segmento de sedans médios, ele já detém o título de carro mais vendido do mundo há um bom tempo. Desde sua primeira geração, lançada em 1966, mais de 44 milhões de unidades do Corolla ganharam as ruas em todos os mercados onde ele atua.

Em nosso país, podemos dizer que os brasileiros e o Corolla vivem um caso de amor. O sedan sempre foi um modelo com boas qualidades técnicas e comerciais, sendo que a competente rede de concessionárias da marca também contribuiu para que o modelo criasse um vínculo tão profundo com seus clientes que muitas marcas sonham em repetir esse feito. É fácil encontrar donos de Corolla que não conseguem se imaginar atrás do volante de outro automóvel.

Para esse público, a Toyota preparou uma novidade especial. Sem medo de cometer um exagero, o próprio Miguel Fonseca, principal executivo da marca para a área de vendas em toda região da América Latina e Caribe, foi taxativo ao afirmar que a nova geração do Corolla fabricada em Indaiatuba (SP) é o melhor automóvel que a empresa já produziu em solo nacional.

Motivos para isso não faltam. A Toyota não poderia escolher um protagonista melhor do que o Corolla para estrear no Brasil sua nova “filosofia de fabricação” chamada TNGA. A sigla, que significa Toyota New Global Architecture ou Nova Arquitetura Global Toyota, estabeleceu novos e mais elevados padrões para a marca no desenvolvimento de seus carros, em especial pensando nas novas demandas em termos de eletrificação, conectividade, entre outros pontos. E é dentro dessa nova filosofia que se encontra a plataforma GA-C, a qual dá vida à 12ª geração do Corolla.

É raro, mas de tempos em tempos nos deparamos com alguns automóveis que revelam aprimoramentos verdadeiramente profundos, como os que encontramos no Corolla 2020. Ao assumirmos o volante do sedan completamente renovado ou entrarmos em detalhes sobre suas especificações técnicas, torna-se fácil entender porque a Toyota precisou investir R$ 1 bilhão em sua fábrica de Indaiatuba (SP), local que produz o Corolla no Brasil desde 1998.

Só em termos de rigidez torcional, por exemplo, o Corolla 2020 registra um ganho de 60% sobre o antecessor. Também agora, finalmente, o Corolla passa a contar com suspensão independente nas quatro rodas, adotando layout de duplo braço triangular (double-wishbone) nas rodas traseiras.

 

Em conjunto com novos isolamentos acústicos e materiais de absorção sonora – até mesmo uma estrutura especial funciona como um silenciador na parte inferior do carro –, quem dirige o novo Corolla 2020 tem a sensação de estar a bordo de um carro premium. O trabalho da suspensão é excelente e se destaca pela competência com que filtra imperfeições do piso, raramente permitindo que um asfalto em mau estado de conservação atrapalhe o conforto os ocupantes.

Curioso é que o novo Corolla passa a adotar uma postura mais arrojada – esportiva até – em diversos aspectos. O visual já fala por si só, mas a Toyota alterou até o centro do gravidade do sedan, tornando-o mais baixo em 10 mm, o que repercutiu em ganhos profundos no controle dinâmico do sedan. O Corolla está mais firme e estável nas curvas, o que motivou a Toyota a revisar até mesmo a posição de dirigir. O motorista fica ligeiramente mais baixo em relação a geração anterior, o que evoca uma certa agressividade nunca antes vista em um Corolla. Parece que a marca se preocupou menos em olhar apenas para o conforto e trouxe a ideia de um cockpit mais esportivo para o modelo. Tudo isso, é bom que se diga, fez muito bem ao sedan e pode ajudá-lo a cativar um novo público. A ergonomia e o posicionamento dos principais comandos também merece nota 10.

Futuramente, vamos falar do novo Corolla 2020 com o inédito motor 2.0 Dynamic Force. Neste teste, a ideia é nos concentrarmos em uma grande novidade que o sedan traz o mercado e, certamente, será um de seus diferenciais daqui para frente. Estamos falando do conjunto propulsor híbrido flex, o primeiro no mundo a aceitar etanol, gasolina ou a mistura de ambos em qualquer proporção.

No Corolla híbrido, o motor 1.8 16V flex entrega 101 cv com etanol e trabalha no ciclo Atkinson, que prioriza a eficiência na queima do combustível. Alojados na transmissão automática estão os dois motores elétricos MG1 e MG2, que resultam em uma potência combinada para o conjunto de 123 cv. O novo Corolla híbrido flex pode não se destacar pelo desempenho (podemos esperar por um 0 a 100 km/h na casa de 11 segundos), mas a Toyota revela que o Corolla híbrido nacional consegue superar facilmente a média de 20 km/l no consumo urbano. Algo assim, ao menos por enquanto, nenhum rival direto do Corolla é capaz de entregar.

Utilizando somente etanol, o Corolla híbrido flex torna-se o carro mais eficiente do Brasil com esse combustível, registrando um consumo energético de 1,38 MJ/km. Outra enorme vantagem do etanol é a de emitir apenas 29 gramas de CO2/km quando considerado o método de análise do poço à roda. Nos números do Inmetro, que vão figurar no Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular, o Corolla híbrido nacional foi homologado com parciais de 10,9 km/l na cidade com etanol e 16,3 km/l no mesmo tipo de percurso com gasolina. Na estrada, as médias ficaram em 9,9 e 14,5 km/l, respectivamente.

Se compararmos as versões Altis equivalentes, o Corolla eletrificado é 40 kg mais pesado do que o 2.0 flex por conta da bateria do sistema híbrido. Esse ponto é levemente sentido ao volante do sedan, mas é necessário elogiar o fato de que, por ser compacta, a bateria localizada abaixo do banco traseiro não tira espaço dos ocupantes ou reduz a área livre para bagagens no porta-malas, que segue com 470 litros.

Falando em dimensões, o Corolla mudou pouco nesse atributo. Além do porta-malas, quem também seguiu inalterado foi o entre-eixos de 2,70, suficiente para oferecer bom espaço para 5 passageiros. Apenas o comprimento e a largura ganharam 10 e 5 mm, respectivamente. A altura, por questões aerodinâmicas, foi reduzida em 20 mm (confira os dados técnicos na ficha depois do texto).

Por fim, a Toyota coroou a nova geração do Corolla com um interior muito mais sofisticado e bem concebido. A configuração mais cara do sedan, no caso a híbrida com o pacote opcional Premium (R$ 6.000), traz o interior em dois tons, contrastando o couro claro com uma tonalidade marrom escura, além do teto solar, recurso pela primeira vez oferecido de fábrica em um Corolla brasileiro. Soma-se a isso os ajustes elétricos para o banco do motorista, ar-condicionado automático digital com 2 zonas (zona única no Altis híbrido sem o Pack Premium), sensor de chuva, entre outros.

Se antes ficava devendo em tecnologia frente aos rivais, agora o Corolla na versão Altis traz de série o Toyota Safety Sense, que reúne alguns dos principais assistentes de condução do momento, como o controlador de velocidade de cruzeiro adaptativo, alerta de colisão com frenagem automática, farol alto automático e o alerta de mudança involuntária de faixa.

Os 7 airbags e os controles de tração e estabilidade seguem como itens de série em toda linha, sendo que a Toyota dessa vez caprichou na central multimídia do Corolla. Ela oferece tela de 8”, câmera de ré e suporte aos sistemas Apple CarPlay e Android Auto. Convenhamos que uma boa central multimídia nunca foi o forte da marca japonesa, mas aos poucos a Toyota busca se redimir nesse aspecto, como já fez com a linha Yaris 2020.

Realçando ainda mais a fama de robustez do Corolla, a boa notícia é que a Toyota ampliou a garantia do sedan para 5 anos, sendo que, no caso do Corolla híbrido, o conjunto formado pelo inversor/conversor, módulo de controle da bateria híbrida e módulo de controle de energia recebe uma cobertura extra de mais três anos.

Tomando como base seu concorrente mais direto, no caso o Honda Civic, o novo Corolla 2020 não deixa de oferecer um custo-benefício competitivo seja na opção Altis híbrida de R$ 124.990 ou acrescentando o pacote Premium, o que eleva seu valor para R$ 130.990. Hoje em dia, um Civic Touring pode se diferenciar pelo desempenho superior proporcionado pelo 1.5 turbo, mas, apesar de muito eficiente, ele está longe de entregar um consumo tão baixo quanto o Corolla híbrido. Mesmo custando bem mais (R$ 134.900), o Civic não traz os mesmos assistentes de tecnologia presentes no Corolla Altis.

Em resumo, pode-se dizer que o novo Corolla 2020 é uma aula de como se deve aprimorar um produto consagrado como é o caso do sedan. Na nova geração, ele preserva seus pontos fortes (conforto, robustez), evolui onde mais precisava (estilo, tecnologia) e ainda traz ganhos notáveis em dinâmica e eficiência, graças ao conjunto propulsor híbrido. Das 4.500 unidades/mês que a Toyota espera vender do novo Corolla (média que o sedan está emplacando neste ano), a marca projeta que 1.000 desses emplacamentos serão da nova opção híbrida. Pelas qualidades que ela apresenta, é uma escolha fortemente indicada.

 
 
Toyota Corolla 2020
 
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Ficha técnica

Toyota Corolla 2020 Altis Híbrido 1.8 16V híbrido automático 4p
Preço R$ 124.990 (09/2019)
Categoria Sedã médio
Vendas em 2017 66.198 unidades
Motor 4 cilindros, 1798 cm³
Potência 98 cv a 5200 rpm (gasolina)
Torque 14,5 kgfm a 3600 rpm
Dimensões Comprimento 4,63 m, largura 1,78 m, altura 1,455 m, entreeixos 2,7 m
Peso em ordem de marcha 1405 kg
Tanque de combustível 50 litros
Porta-malas 470 litros
Veja ficha completa

O "Guru dos Carros", César Tizo se juntou ao time este ano e está à frente dos portais AUTOO e MOTOO. É o expert em aconselhar a compra de automóveis

César Tizo | http://www.jcceditorial.com.br/