Agora brasileiro, New March chega às lojas no final de maio

Nissan inaugurou sua primeira fábrica própria no País com capacidade para produzir até 200 mil carros na primeira fase

Nissan New March 2015 | Imagem: Karina Simões

Embora esteja no Brasil desde a abertura das importações, a Nissan somente agora pode dizer que tem sua ‘casa própria’ no País. A montadora inaugurou nesta terça-feira, 15, o complexo industrial de Resende, no Rio de Janeiro. A marca já produz veículos no mercado brasileiro, mas utilizando as instalações da Renault, no Paraná – onde são feitas a picape Frontier e a minivan Livina. Agora, no entanto, trata-se de um projeto feito sob medida para ela.

Com capacidade para 200 mil unidades por ano na primeira fase, a fábrica de Resende já tem dois produtos previstos, o hatch March e o sedã Versa, que hoje vêm do México.

O primeiro será o March, aliás, ‘New March’, como a Nissan o rebatizou. Com visual reestilizado seguindo o padrão europeu, o hatch será produzido no Brasil apenas com motor 1.6 16V, também nacionalizado. Segundo um executivo revelou para o AUTOO, a versão 1.0 continuará vindo do México sem o facelift da versão brasileira.

O New March também tem novo painel e alguns materiais aprimorados para agradar em outro patamar, onde hoje competem o HB20, Onix e Palio, por exemplo. O governador do Rio de Janeiro, Luis Fernando Pezão, acabou revelando durante a inauguração que o March será lançado no final de maio, antes do previsto oficialmente pela marca.

Retomada

O presidente da Nissan mundial, o brasileiro Carlos Ghosn ressaltou que o índice de nacionalização da planta será de 60% no início, mas que em 2016 atingirá 80%. Assim como em São José dos Pinhais, também Resende compartilhará peças e serviços com a Renault. As duas montadoras, aliás, recentemente aprofundaram a sinergia entre elas para reduzir custos e melhorar a competitividade.

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Sobre o mercado, Ghosn acredita que ficará estável nos próximos dois anos. A principal aposta da Nissan para aumentar o market-share de 2% para 5% até 2016 é o investimento em diversos segmentos do mercado. "Não é só com o New March que obteremos essa fatia de mercado. Nosso crescimento será baseado em praticamente 4 ou 5 produtos que não estão competindo no mesmo segmento. Vamos produzir o New March e o Versa, vamos continuar a importar o Sentra, a Frontier vai ser renovada e talvez haja mais algum".

Sobre vendas, o CEO acha que o incentivo tributário tem efeito a curto prazo. "Não há país que eu conheça que tenha carga tributária tão alta para automóveis como o Brasil", diz. "Se não houver investimento em infraestrutura, o carro passa a ser um problema para o usuário. A falta deste tipo de investimento também é um dos fatos que desacelera o desenvolvimento."

Leaf no Brasil

A condição de produzir o Leaf na fábrica de Resende seria existir potencial de mercado para 50 mil unidades por ano. Hoje ele é produzido no Japão, Inglaterra e Tennessee (EUA), fábricas que produzem cada uma para um mercado determinado. "Até hoje não vimos nenhum interesse concreto das autoridades brasileiras em produzir elétricos no Brasil. Parece que haverá uma outra legislação, que ainda não apareceu", explicou.

A região onde está Resende concentra algumas fábricas importante do setor. A Volkswagen foi a primeira a se estabelecer no mesmo município, com sua fábrica de caminhões. No início dos anos 2000, a PSA Peugeot Citroën inaugurou uma fábrica na vizinha Porto Real que hoje é a principal unidade na América Latina.

Para a Nissan, a fábrica brasileira será vital para a retomada nas vendas. A marca foi a principal vítima da série de limitações impostas pelo governo brasileiro nos últimos anos para frear a importação de veículos para o País. Tudo começou com a imposição de cotas de veículos vindos do México, depois o aumento do IPI em 30 pontos percentuais.

Agora, o March – e o Versa a partir do 2º semestre – poderão brigar nas mesmas condições com seus concorrentes também nacionais.

*Viagem feita a convite da Nissan

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