Com vendas cada vez menores, veja quem são os ''zumbis'' do mercado

Baixa procura pelo sedã foi um dos motivos para a suspensão da venda do Ford por aqui; veja quem está em situação semelhante
Ford Fiesta Sedan 2015

Ford Fiesta Sedan 2015 | Imagem: Divulgação

Para quem procurarava um sedã compacto e com bom nível de acabamento e equipamentos, já não terá o Ford New Fiesta Sedan como opção.

Devido ao retrospecto de vendas muito baixo, a Ford suspendeu a importação do modelo. Segundo dados da Fenabrave, apenas 1.637 unidades do sedã foram emplacadas em 2016. Somente em dezembro apenas 40 New Fiesta Sedan foram vendidos no país. Para se ter uma ideia, até mesmo o chinês Lifan 530 teve um mês melhor do que o New Fiesta Sedan, contabilizando 98 carros emplados no último mês de 2016.

Apenas como comparação, o Honda City, modelo que segue como a única opção da categoria de sedãs “quase médios”, foi a escolha de 15.422 consumidores em 2016. Em dezembro, ele registrou 1.340 emplacamentos.

Procurada pelo AUTOO, a Ford respondeu que “temporariamente não está oferecendo o New Fiesta Sedan em nosso site de configurador. Em breve reiniciaremos o fornecimento regular do New Fiesta Sedan no nosso portfólio de produtos”.

A resposta da Ford nos dá margem a duas interpretações: ou ela está preparando novidades para o modelo e, assim, deixá-lo como uma opção de compra mais interessante ou a marca deverá aguardar a nova geração do sedã para retomar a importação. Vale destacar que, na Europa, a oitava geração do Fiesta já foi apresentada ainda no fim do ano passado.

Outros modelos que vivem uma situação parecida

Não é difícil encontrar alguns modelos que vivem uma situação parecida com o New Fiesta Sedan no mercado.

Na gama Chevrolet, o Captiva é um bom exemplo. Prestes a ser subtituído por outro modelo aqui no Brasil, provavelmente o Equinox, o modelo que já fez sucesso por aqui na década passada hoje é um coadjuvante no segmento, com apenas 1.110 unidades emplacadas. Isolando dezembro de 2016, somente 35 unidades do Captiva ganharam as ruas. O SUV é oferecido em versão única no país, com motor 2.4 de 184 cv.

Apesar da coragem de não abandonar um segmento ainda desejado por um público bem específico, a Volkswagen deve absorver grande parte do custo de manter suas stations wagons em linha atualmente no mercado. A excelente Golf Variant, por exemplo, vendeu apenas 57 unidades em dezembro do ano passado e fechou 2016 com somente 981 emplacamentos. A station, que ganhou recentemente o motor 1.4 TSI flex e o câmbio automático de 6 marchas, parte de R$ 104.216 na versão Comfortline. Mesmo no andar de baixo, a situação se repete com a SpaceFox e a SpaceCross. A opção aventureira, por exemplo, foi procurada por apenas 545 pessoas ao longo de 2016. 

Outro drama vive o Citroën C4 Picasso, que, assim como as stations wagons, pertence a outro segmento fortemente abalado pela ascensão dos SUVs, no caso as minivans. O modelo importado da Europa e repleto de qualidades, como conferimos em nosso teste, contou com apenas 4 vendas em novembro de 2016 e outras 19 no mês seguinte, encerrando o ano passado com 218 unidades emplacadas.

O Dodge Journey é outro modelo que engatinha no Brasil. Em novembro de 2016 nenhuma unidade do crossover foi vendida e apenas 12 saíram das lojas de todo o Brasil em 2016, totalizando 674 vendas ao longo do ano passado. Não é por acaso que seu irmão, o Fiat Freemont, com apenas 651 unidades vendidas até novembro de 2016, sairá do mercado junto com outros produtos da linha Fiat.

Nas chinesas, a JAC, por exemplo, também vive uma situação pouco agradável. A minivan J6 registrou somente 58 unidades vendidas ao longo de 2016, enquanto modelos mais acessíveis como o J2 e o J3, que chegou a ser seu carro-chefe no Brasil, registravam apenas 208 e 276 unidades vendidas, respectivamente, até novembro deste ano.

Uma das situações que podemos constatar ao olhar esses números, independente da crise que afeta o mercado automotivo em especial nos últimos dois anos, é que os brasileiros estão mudando seu estilo de compra. Ao que tudo indica, nós buscamos cada vez mais veículos modernos, que entreguem não só uma boa concepção de projeto, com espaço interno bem aproveitado, mas também que se preocupem com a economia de combustível sem deixar de lado o desempenho. É por isso que, em breve, veremos uma enxurrada de boas novidades chegando às lojas, como a nova família de compactos da Fiat e da Volkswagen. De fato nosso mercado, apesar das vendas em baixa, está se tornando mais maduro nas escolhas.

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