Fiat 500 Abarth, sob o veneno do escorpião

Montadora italiana traz ao Brasil o Cinquecento mais apimentado da história, com motor 1.4 turbo de 167 cv

Fiat 500 Abarth chega para completar a família do italianinho no Brasiil | Imagem: Divulgação

O escorpião é um ser enigmático. Seu ferrão insere na presa um veneno cuja toxicidade está diretamente ligada ao tamanho de seus pedipalpos (algo como se fosse o braço do bicho), quanto menores eles forem, maior é a capacidade do veneno ser letal. Está aí uma prova de que tamanho não é mesmo documento, expressão que se aplica perfeitamente ao novo “brinquedo” que a Fiat traz ao mercado brasileiro, o 500 Abarth, versão que leva a assinatura de uma das mais famosas preparadoras do mundo.

Ele é pequeno, arisco e, em contrapartida, muito equilibrado, ou seja, divertidíssimo. Meu semblante de satisfação ao sair do Cinquecento picado pelo escorpião Abarth depois das primeiras aceleradas foi nítido. A Fiat apresentou o “nervosinho” à imprensa no recém reformado Autódromo Internacional Ayrton Senna, em Goiânia, com uma equipe de instrutores “sem frescura” onde a ordem a ser seguida era: pé embaixo!

Depois de seguir o comando à risca no asfalto liso de Goiânia, concluí que o 500 Abarth será um dos principais representantes do segmento dos esportivos pequenos no Brasil e também um rival de peso para os concorrentes como Mini Cooper S, Citroën DS3, Swift Sport e Audi A1. Não só pelo desempenho arisco, mas principalmente pelo preço, que ainda não foi definido por conta da oscilação do dólar, mas deve ficar entre R$ 75 mil e R$ 80 mil. Produzido em Toluca, México, o primeiro lote com 30 carros chega ao País na segunda quinzena de dezembro.

Condicionamento de atleta

O 500 mais esportivo da história tem um baita fôlego: ele precisa de apenas 6,9 segundos para chegar aos 100 km/h e consegue atingir os 214 km/h de velocidade máxima. Esse desempenho de “gente grande” deve-se ao motor 1.4 Multiair 16 V Turbo com 167 cv, alcançados aos 5.500 giros, acoplado a um câmbio manual de cinco marchas. São quase 120 cv por litro! O turbocompressor atua com até 1,24 bar de pressão máxima, que pode ser conferida em um relógio no painel de instrumentos do carro. Isso se traduz em mais ar entrando nos cilindros, mais potência e torque e, consequentemente, mais diversão para quem está atrás do volante.

O torque máximo de 23 kgfm aparece em uma ampla faixa de rotação, entre 2.500 e 4.000 rpm. E, embora o 500 não seja dos modelos mais leves (ele pesa 1.164 kg em ordem de marcha), o conjunto mecânico aliado ao entre eixos curtinho e ao sistema de suspensão com molas, amortecedores e barras estabilizadoras redimensionadas, deixam o carrinho muito ligeiro. A impressão é que estamos dirigindo um brinquedo mesmo.

Ele possui um filtro de ar de alto fluxo e um novo sistema de escape com saída dupla que deixou a traseira bem estilosa. Para parar o foguetinho, os freios foram revistos e agora contam com disco ventilado na dianteira de 284 mm e sólido na traseira de 240 mm, com pinças vermelhas, claro. Já as rodas são de alumínio fundido de 16 x 6,5 polegadas calçadas com pneus 195/45 R16.

Um ponto alto também é a direção elétrica, mais direta e (quando desejar) leve. Digo isso porque o 500 vai bem na pista, mas também sabe ser equilibrado para um carro do dia a dia. Tanto na dirigibilidade quanto no feliz acerto da suspensão. A sopa de letrinhas é extensa: freios ABS com EBD (distribuição da frenagem), ESS (sinalização de frenagem de emergência), ESC (controle de estabilidade), TCS (controle de tração) e TTC (transferência de torque entre as rodas). Mas o melhor de tudo é que todas essas intervenções eletrônicas não deixam o carro careta. O piloto continua (ou pelo menos acha que continua) com o controle do carro nas mãos.

Isso porque o controle de estabilidade possui três níveis configuráveis. Se o motorista quiser reduzir a atuação do sistema, ele aperta o botão ESC e o sistema entra em uma segunda fase onde o escorregamento dos pneus é ampliado. Mas caso ele queira mais domínio sobre o italianinho, basta segurar o botão por mais de 10 segundos e o controle de estabilidade se reduz a quase zero. Ele não fica totalmente desligado, mas o motorista consegue brincar bastante e ainda conta com uma margenzinha de segurança caso faça alguma presepada.

Pra quem curte acelerar, uma boa é acionar também o botão Sport no painel. O contagiros ganha destaque e no canto direito surge uma tela que indica a posição do pedal do acelerador, tudo bem desenhado na tela de LCD. A pressão do turbo vai de 0,8 bar para 1,24 bar, o volante fica mais pesado e o pedal do acelerador com respostas mais ligeiras. Eba!

Macacão de grife

O 500 Abarth tirou o pulover italiano e vestiu um macacão de pista. Ele consegue ser facilmente identificado pelas belas rodas e faixas laterais com o nome Abarth. O parachoque dianteiro ganhou 69 mm extras para alojar os radiadores de ar e água e o logotipo do escorpião na grade, enquanto a traseira é marcada pela dupla saída de escapamento.

São 16 exclusivos “detalhes Abarth” espalhados pela carroceria, interior e até motor. Por dentro, aliás, ele está lindão e conta com nada menos que sete airbags. O acabamento é digno de carro de luxo, com bancos em couro preto em formato concha com costura vermelha, assim como a alavanca de câmbio e o volante com base achatada tem boa pegada. O painel de instrumentos continua oferecendo tanta informação que embaralha a vista, meio confuso, cheio de cores, mas agrada.

O 500 com alma de escorpiano será oferecido em três cores sólidas, preto, vermelho e branco, mais uma cinza metálico. Ele virá em configuração única com dois opcionais, o teto solar elétrico e o sistema de áudio Beats. Os valores dos opcionais ainda não foram definidos.

Signo de personalidade

A primeira vez que a Fiat trouxe um modelo da grife Abarth ao Brasil foi em 2002 com o hatch Stilo.Mesmo equipado com um motor 2.4 de 20 válvulas e cinco cilindros ele produzia praticamente os mesmos números de desempenho do pequeno grande Cinquecento envenenado. Acredite, eram 167 cv e quase 23 kgfm de torque. O pacote de equipamentos também era invejável para a época, mas o carro custava caro e a demanda foi baixa. Agora a história é outra...

A Fiat espera vender 300 unidades no ano de 2015. O 500 já tem uma legião de fãs no Brasil, a Abarth também, unir isso em um carrinho simpático, seguro e divertido que não abre mão da condução de carro diário e vendê-lo a uma faixa de preço competitiva no segmento é garantia de sucesso. Depois do test drive então, fica difícil para qualquer signo do zodíaco resistir ao temperamento deste escorpiano.

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