Fiat Doblò por R$ 112 mil, VW Voyage a R$ 81 mil... por que os carros estão tão caros?

Mesmo modelos com vários anos de mercado sofreram reajustes elevados nos últimos meses
Volkswagen Voyage 2019

Volkswagen Voyage 2019 | Imagem: Divulgação

Uma rápida pesquisa nos sites das fabricantes nos revela a complexidade da situação que notamos atualmente no cenário automotivo não só brasileiro, mas também ao redor do mundo.

Se deixarmos de lado modelos recém-lançados, até mesmo produtos com vários anos de mercado alcançaram patamares de preços que, em outros tempos, os posicionariam em outros segmentos.

Nos chama a atenção na gama Fiat, por exemplo, o fato da multivan Doblò já ter ultrapassado a barreira dos R$ 110 mil. Considerando seu preço na maioria dos estados, o modelo é tabelado em R$ 111.990 na versão Essence 1.8 com 7 lugares, a única disponível atualmente para o transporte de passageiros.

Na mesma linha, também encontramos na gama Volkswagen o veterano sedã compacto Voyage podendo alcançar R$ 81.140 quando equipado com câmbio automático e o motor 1.6 16V. Tanto no caso do Doblò como do Voyage, vale destacar que estamos falando de modelos já defasados do ponto de vista técnico, não oferecendo sequer os controles de tração e estabilidade. Além de caro, o Voyage sequer traz rádio de série, contando apenas com o essencial em termos de equipamentos (ar-condicionado, direção hidráulica, travas e vidros elétricos). Acrescentar central multimídia, rodas de liga leve aro 15”, entre outros opcionais presentes em seu pacote “Urban Completo", eleva o preço final do sedã para R$ 87.760.

Além de Voyage e Doblò, poderíamos reunir diversos exemplos de modelos que viram seus preços explodirem nos últimos meses. Na gama Chevrolet, por exemplo, hoje encontramos o Spin Activ 7 na faixa de R$ 110 mil, sendo que a menos o modelo oferece os controles de tração e estabilidade.

Mas o que explica essa escalada no preço dos veículos que observamos atualmente? 

Para entendermos é preciso colocar em perspectiva as consequências que a pandemia trouxe para as indústrias ao redor do mundo. Os movimentos de lockdown ou fechamentos prolongados que se fizeram necessários para controlar a disseminação do novo coronavírus resultou em uma quebra da cadeia produtiva, afetando consideravelmente o ciclo de abastecimento de novos produtos.

Em paralelo, a inflação, a reabertura da economia e a injeção de estímulos financeiros em alguns países fizeram com que os preços de algumas matérias-primas alcançassem novos recordes. Isso sem falar na falta de alguns componentes cada vez mais utilizados nos veículos modernos como é o caso dos semicondutores.

Como consequência, os estoques tornaram-se cada vez mais baixos na medida em que a demanda volta a aumentar e tudo isso resulta em preços mais caros ao consumidor. Segundo economistas e profissionais do mercado financeiro, ainda fica a dúvida se a alta nos preços das commodities e na inflação de modo geral será algo sustentado ou temporário. A grande aposta é que esses aumentos serão transitórios e deixem de ocorrer com a intensidade atual na medida em que alguns países passem a consolidar seu processo de reabertura.

Enquanto ainda não sabemos quais serão os rumos para o setor automotivo, se for possível aguardar para realizar a troca ou a compra do seu próximo automóvel, talvez seja algo mais prudente a ser feito. Com a produção melhor organizada, talvez os preços possam ao menos se estabilizar no médio prazo.

Fiat Doblò 2018
Fiat Doblò: preço supera os R$ 110 mil 
Imagem: Divulgação