Tudo indica que os primeiros carros de ascendência chinesa e nacionalidade brasileira serão produzidos pela Chery. A marca lançou hoje a pedra fundamental da fábrica que instalará em Jacareí, interior de São Paulo. Sua promessa é entregar o primeiro exemplar saído da futura linha de montagem em setembro de 2013, ano em que serão feitos entre 50.000 e 60.000 veículos. A partir de 2014, esse volume deverá saltar para 150.000 exemplares – ou 170.000, numa estimativa mais otimista. Tratar-se-á da primeira fábrica completa da Chery fora da China – a marca tem outras 12 unidades fabris fora de seu país, mas todas elas operam apenas no regime CKD.

Serão dois modelos brasileiros no portfólio da fabricante chinesa, com variantes hatch e sedã, culminando em quatro automóveis. Segundo Luis Curi, CEO da Chery do Brasil, os carros têm sua plataforma ainda em desenvolvimento. Um deles, já se sabe, será baseado no A13, compacto que também atende por Fulwin. Por aqui, no entanto, os dois nomes estão descartados. Curi também afirma que “os futuros automóveis atuarão no segmento de entrada, que é nossa especialidade”.

Como a Chery já atua no segmento de entrada, um dos próximos modelos se posicionará numa faixa de preço entre QQ e Face, enquanto o outro ficará acima do Face. Como se vê, seus nomes ainda são mantidos em sigilo – a Chery apenas garante que eles serão recheados de equipamentos e custarão menos que os concorrentes. Para alcançar essa complicada equação, a Chery diz que abrirá mão do lucro “a curto e médio prazos”, segundo Curi.

Antes dos dois nacionais, a Chery terá o S18 no Brasil (já como motor flex), que tem passaporte carimbado para outubro.

US$ 400 milhões

O investimento na operação brasileira custará US$ 400 milhões, dinheiro que sairá dos bolsos da Chery da China e de um banco de investimentos chinês. Além da fábrica, um centro tecnológico também está nos planos da marca. Ainda de acordo com a empresa, 85% da produção da fábrica de Jacareí – que teve o terreno de 1 milhão de metros quadrados cedido pela prefeitura da cidade – atenderá o mercado nacional, enquanto o restante abastecerá o mercado latino americano. São previstos 1.200 novos empregos inicialmente, e 4.000 quando entrar em funcionamento.

Atualmente, a Chery atua no Brasil importando os modelos QQ, Face, Tiggo e Cielo.

Rodrigo Mora

|