Fernando Calmon

Engenheiro e jornalista especializado desde 21 de agosto de 1967, quando produziu e apresentou o programa Grand Prix na TV Tupi (RJ e SP) até 1980

ICaur vai estrear com quatro suves em 2027; saiba o que vem por aí

Nova marca chinesa ligada à Chery aposta no cada vez mais acirrado mercado brasileiro

Marcas chinesas continuam a demonstrar grande interesse no mercado brasileiro. A mais nova, ICaur, faz parte do conglomerado Chery, porém terá operação de forma independente do grupo brasileiro Caoa Chery.

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Previsão de estreia é o primeiro trimestre do próximo ano. Todos os modelos serão SUVs e focados nos segmentos superiores de preços. O visual aposta em linhas retas, consagradas há décadas pela inglesa Land Rover, porém destacando estilo moderno e atraente.

Estratégia começa por importação e, posteriormente, produção local em cronograma a definir. Ainda será decidido se construirá uma fábrica inteiramente nova ou negociará com uma já existente. Hoje há três unidades fabris paradas: Toyota, em Indaiatuba (SP), Caoa Chery, em Jacareí, SP e Land Rover, em Itatiaia, RJ.

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O suve de entrada, V23, é um modelo elétrico tradicional (porte do Renegade), de 136 cv, tração traseira, caixas de rodas pronunciadas e um compartimento externo na tampa do porta-malas (de abertura lateral) para guardar cabos de carregamento elétrico ou acessórios de trilha. Colunas traseiras não são envidraçadas.

iCaur V27
iCaur V27 será o primeiro modelo da marca chinesa ao chegar ao Brasil com pegada off-road
Imagem: Divulgação

Modelos intermediários V25 e V27 são elétricos de alcance estendido (EREV, em inglês) que afastam preocupações de recarga de bateria em caso de viagens. A concorrente chinesa Leapmotor já oferece aqui esta solução (suve C10). Icaur V27 deve chegar primeiro ao mercado com um motor a combustão 1.5 turbo de 154 cv que funciona exclusivamente para acionar um gerador de energia, enquanto os motores elétricos ficam responsáveis por movimentar as rodas.

Versão mais potente do V27 terá nada menos que 455 cv, tração 4×4 e alcance de até 1.200 km no sempre bastante otimista valor de medição chinês. No ciclo brasileiro Inmetro as homologações são bem próximas do uso real.

Como referência, o BMW iX3, de 459 cv, a ser lançado na próxima semana, considerado o elétrico de maior alcance, aparece na tabela oficial com distância média percorrível de 570 km. V29, topo de linha, mais de cinco metros de comprimento, também EREV, ainda não teve pormenores anunciados.

Elétricos avançam, mas ainda com vendas “calmas”

Modelos elétricos têm apresentado queda nas vendas em vários países do mundo
Modelos elétricos têm apresentado forte alta nas vendas no Brasil, mas ainda representam pouco do total vendido no país
Imagem: Divulgação

Estatísticas frias demonstram muitas vezes o que se deseja ressaltar e podem destacar aspectos tanto pessimista quanto otimista ou até o meio-termo. A palavra “eletrificados”, por exemplo, não deixa às claras de que se trata da soma de elétricos aos três tipos de híbridos: básicos ou semi-híbridos, plenos e plugáveis. Também se precisa levar em conta que bases comparativas muito baixas, costumam esconder distorções.

Anfavea afirma: “Há um ano, elétricos e híbridos somados não chegavam a 11% das vendas. No acumulado do ano, o crescimento é de 120,8%. Só os elétricos puros emplacaram 25,8 mil unidades no mês de julho, maior número da série histórica”. Tudo verdadeiro, mas ressalvas fazem-se necessárias.

Basta ver como as vendas de veículos leves ficaram distribuídas de janeiro a julho deste ano: gasolina, 2,8%; diesel, 9,3% (basicamente picapes médias e alguns suves); híbridos, 5,9%; híbrido plugável, por coincidência, também 5,9%; elétricos, 7,2%; flex, 68,9%. Ou seja, os 120,8% representam bases comparativas baixas demais.

Ainda há muita margem para os elétricos crescerem, pois são ótimos no uso urbano. Todavia, nem tanto para viagens em estradas, considerando que distâncias no Brasil dificultam instalar redes de recarga, à exceção principal da rodovia presidente Dutra que liga as duas maiores cidades do País e que dá acesso a 36 municípios ao longo de seus 402 km.

Importados crescem 25,7% até julho; estoque continua alto

Por utilizar componentes importados, preço dos carros nacionais é impactado por altas no dólar
Modelos importados venderam 25,7% a mais de janeiro a julho de 2026 na comparação com o mesmo período do ano passado
Imagem: Reprodução internet

Nos primeiros sete meses do ano, 344,1 mil veículos leves e pesados foram importados, resultado 25,7% superior a igual período do ano passado. Os que vieram da China (basicamente automóveis e suves) mais que dobraram (105,4%).  Argentina, tradicional exportadora para o Brasil dentro do cenário de complementação de produção de modelos entre os dois países, recuou 16,7%. Em números absolutos, de janeiro a julho, foram 180,5 mil produtos chineses e 101,1 mil argentinos. Já as exportações brasileiras continuaram caindo: 20,8% no mesmo período.

Estoque de importados continua bastante elevado e fora de padrões históricos: 360.000 unidades correspondentes a 142 dias (quase cinco meses) de vendas, contra 21 dias dos modelos nacionais, segundo a Anfavea.

 Maior parte dos veículos estocados provém da BYD que aproveitou incentivos do Governo Federal para importação em massa de elétricos e híbridos desde 2022 e vem bancando custos agregados. A marca chinesa mantém preços altamente competitivos e nem se intimida com taxa básica de juros muito alta, o que afeta os financiamentos.

BYD defende que incentivos fiscais terminem em janeiro do próximo ano, conforme já estabelecido, sem beneficiar outros entrantes (da China ou não), que chegaram “atrasados”. A empresa está correta neste caso e mantém sua previsão de ser a primeira do mercado brasileiro em 2030 (hoje é a quarta).

Já o Grupo Chery e suas várias marcas somadas — Omoda, Jaecoo, Icaur, Lepas, Exeed, Luxeed, Freelander e Jetour — têm como meta a liderança em 2031, quando segundo suas projeções o Brasil poderia absorver até cinco milhões de veículos por ano, 70% a mais que hoje.
Otimismo quanto às vendas de veículos leves e pesados em 2026, independentemente do período de eleições de agora a outubro, continua mantido pela Anfavea: mais 12,1% sobre 2025. Este percentual fica acima dos 8% previstos pela Fenabrave.

Em relação à produção, sustentáculo para os empregos, o Brasil foi o segundo país que mais cresceu de janeiro a julho deste ano: 8,8%, atrás apenas da Índia, 14,5%. Nos primeiro sete meses de 2026, mesmo a China, maior mercado do mundo, recuou sua produção em 4% e os EUA, menos 11,7%.

Bugatti volta a empolgar com o Destrier, exemplar único de 1.600 cv

Bugatti Destrier
Bugatti Destrier é um supercarro único que tem 1.600 cv e pode acelerar de 0 a 100 km/h em2,4 segundos
Imagem: Divulgação

Apresentação deste hipercarro está marcada para o próximo dia 16 no consagrado Concurso de Elegância de Pebble Beach, na Califórnia, EUA. Esta exposição é considerada a mais prestigiosa do mundo para premiar veículos antigos e clássicos. Por que um automóvel tão extraordinário quanto moderno poderia ser admitido? A resposta foi antecipada pelo site da revista inglesa Autocar.

Destrier inspira-se no exemplo do Bugatti Type 57SC Atlantic, de 1936, que se valia da mesma arquitetura de um carro de pista, mas apresentava uma carroceria tão bonita que entrou para a história do automóvel.

Conta com o aperfeiçoado monobloco de compósito fibra de carbono da única unidade do Bugatti La Voiture Noire, de 2021, que agora teve seu estilo modernizado. Utiliza o mesmo W-16, 8-litros, quatro turbocarregadores, 1.600 cv, 163 m·kgf, capaz de acelerar de 0 a 100 km/h em estimados 2,4 s, marca extraordinária para um motor a combustão mesmo depois de cinco anos.

Contudo, o fabricante francês ainda não revelou todos os dados técnicos, inclusive potência, torque e tempo dessa aceleração do seu novo modelo, certamente mais leve.

Trata-se do automóvel de menor altura — apenas um metro — já construído pela marca francesa, sediada em Molsheim. O diretor de Estilo, Frank Heil, resumiu: “Destrier nos levou às proporções mais extremas que já criamos, limitando a busca incansável pelo efeito-solo (sucção aerodinâmica) em favor de uma escultura pura.”

Seu preço estimado, ainda sem divulgação, deverá superar os US$ 20 milhões (mais de R$ 100 milhões). A expectativa é que seu preço seja revelado em Pebble Beach neste domingo.

Só estará autorizado a circular em pistas de competição ou em gramados de concursos de elegância. Entretanto, a empresa britânica Lanzante adaptou recentemente o único exemplar de cinco anos atrás ao uso em vias públicas e repetiria essa possibilidade, se o futuro proprietário assim desejasse.

Destrier, em francês, significa um cavalo grande, jovem, forte e muito veloz.

 

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