Kombi de 64 anos Salmão e Cinza Nardo é única no mundo; saiba preço da raridade

Clássico também conta com acessórios raros como o teto Rag Top e as janelas basculantes
VW Kombi

VW Kombi | Imagem: Reprodução/Lart

Uma Volkswagen Kombi de 1962 transformada por um projeto de personalização reúne características de um clássico da indústria automobilística e detalhes incomuns para o utilitário. Batizada de “Anastácia”, a unidade recebeu pintura nas cores salmão e Cinza Nardo, teto Rag Top e aproximadamente 1.400 cristais Swarovski verdadeiros, de origem austríaca, aplicados manualmente, um a um.

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O exemplar pertence à primeira geração da Kombi, conhecida no Brasil como Corujinha por causa do formato da dianteira e dos faróis e está sendo vendida na loja Lart, que fica na capital paulista, por R$ 215 mil.

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Detalhes exclusivos

VW Kombi
VW Kombi vem com vários detalhes dos anos 60 que a tornam um exemplar único 
Imagem: Reprodução/Lart

A proposta combina acessórios associados aos veículos antigos com intervenções estéticas que diferenciam a unidade de outras T1 preservadas ou restauradas. Segundo a descrição do projeto, a pintura foi refeita especialmente para o veículo, assim como a aplicação dos cristais na carroceria.

Entre os equipamentos externos estão o teto Rag Top, que permite abrir parte da cobertura, e os vidros dianteiros do tipo Safari, com molduras cromadas. A lista inclui ainda quatro janelas basculantes, para-choques metálicos vincados, faróis originais e indicadores de direção dianteiros conhecidos como “tetinhas”. Na traseira, as pequenas lanternas características do modelo foram mantidas, com lentes novas.

A configuração também conta com bagageiros dianteiro e traseiro na cor prata, acompanhados de escada lateral. As rodas alemãs de aro 15 receberam pintura salmão e calotas cinza, enquanto os logotipos da Volkswagen foram pintados à mão em preto. Os pneus novos com faixas brancas completam o conjunto visual.

Cabine marrom e motor de 1.500 cm³

VW Kombi
VW Kombi está em perfeito estado por dentro, com bancos revestidos de couro marrom
Imagem: Reprodução/Lart

O interior recebeu tapeçaria de luxo completa na cor marrom, bancos dianteiros inteiriços e tapetes do tipo buclê. No painel, o destaque é o velocímetro Horasa com ponteiro de acrílico. O volante traz botão da buzina e chave de setas pretos, e o sistema elétrico foi renovado com a instalação de um chicote novo.

Na parte mecânica, a Kombi utiliza motor de 1.500 cm³ com carburação simples. A descrição do veículo não esclarece se o propulsor é o mesmo instalado na fábrica em 1962, portanto não é possível confirmar a originalidade do conjunto. A configuração informada, no entanto, mantém a proposta mecânica tradicional do modelo.

Kombi marcou a história da indústria automobilística brasileira

Primeira unidade da Kombi fabricada no Brasil, na unidade de São Bernardo do Campo (SP), em 1957
Primeira unidade da Kombi fabricada no Brasil, na unidade de São Bernardo do Campo (SP), em 1957
Imagem: Divulgação

A trajetória da Kombi no Brasil começou em 1953, quando a Volkswagen iniciou suas operações no país com a montagem de veículos a partir de componentes importados, em um galpão no bairro do Ipiranga, em São Paulo. Quatro anos depois, em 2 de setembro de 1957, o utilitário se tornou o primeiro modelo da marca produzido no país com componentes nacionais, na fábrica de São Bernardo do Campo (SP).

Ao longo das décadas, a Kombi conquistou espaço no transporte de passageiros e cargas, atendendo a famílias, comerciantes, empresas e prestadores de serviços. Sua carroceria versátil, a mecânica relativamente simples e a capacidade de adaptação a diferentes atividades ajudaram a consolidar o modelo nas ruas e estradas brasileiras.

A primeira geração, conhecida como T1 ou Corujinha, ganhou reconhecimento pelo desenho arredondado da dianteira e pelo para-brisa dividido. O modelo de 1962 pertence a essa fase inicial da história da Kombi no país, anterior às mudanças visuais que marcaram os anos seguintes. Hoje, exemplares dessa época despertam o interesse de colecionadores e entusiastas, especialmente quando conservam componentes característicos do período.

A produção brasileira da Kombi chegou ao fim em 18 de dezembro de 2013, após 56 anos de fabricação nacional. A despedida foi marcada pela série especial Last Edition, limitada a 1.200 unidades, encerrando a trajetória de um dos veículos mais longevos da indústria automobilística brasileira.

No caso da “Anastácia”, a combinação entre acessórios de época, pintura em duas cores e cristais Swarovski cria uma interpretação personalizada da clássica T1. Os cerca de 1.400 cristais são o principal diferencial do projeto, que preserva referências visuais da Kombi antiga, mas se afasta da configuração original de fábrica. Não foram informados dados sobre o custo da personalização, o histórico completo de restauração ou o valor de mercado do exemplar.

Carlos Guimarães

Jornalista há mais de 20 anos, já acelerou várias novidades, mas não dispensa seu clássico no final de semana