Novo Dolphin Mini estreia mais barato na China. Será assim no Brasil?
Segunda geração do hatch elétrico da BYD cresce mais de 40 cm, ganha mais espaço, tração traseira e recarga ultrarrápida, mas custa R$ 3 mil a menos
A BYD lançou na China a segunda geração do Seagull, modelo vendido no Brasil como Dolphin Mini, com uma combinação pouco comum: o elétrico ficou muito maior, mais potente e sofisticado, mas passou a custar menos. Os preços começam em 65.900 yuans (cerca de R$ 49.600), contra 69.900 yuans (R$ 52.600) cobrados anteriormente pela versão de entrada.
A redução de 4.000 yuans, equivalente a aproximadamente R$ 3.000 ou 5,7%, chama atenção também pelo momento do Dolphin Mini no Brasil. O compacto está entre os automóveis mais vendidos do país em 2026, e a chegada de uma geração substancialmente diferente coloca a dúvida sobre qual estratégia a BYD adotará quando trouxer o novo modelo ao mercado brasileiro.
Algumas das principais mudanças já haviam sido antecipadas pelo AUTOO a partir de informações divulgadas na China, mas o lançamento confirmou as especificações e revelou como a BYD organizou a oferta.
A linha começa pela Vitality, de 65.900 yuans (cerca de R$ 49.600), seguida pela Freedom, de 72.900 yuans (R$ 54.900). Ambas usam bateria de 30,1 kWh, motor de 85 kW (116 cv) e oferecem 320 km de autonomia pelo ciclo chinês CLTC. Acima delas estão Comfort, por 75.900 yuans (R$ 57.100), Flying, por 82.900 yuans (R$ 62.400), e Smart, por 99.900 yuan

s (R$ 75.200). Essas três recebem bateria de 39,2 kWh, motor de 95 kW (129 cv), autonomia de 420 km e a nova recarga ultrarrápida da BYD.
Muito maior e agora com cinco lugares
A diferença começa pelas dimensões. O novo Seagull mede 4,205 metros de comprimento e tem 2,65 m de entre-eixos. A primeira geração tem 3,78 m e 2,50 m, respectivamente.
São nada menos que 42,5 cm adicionais no comprimento e 15 cm entre os eixos. O crescimento permitiu à BYD transformar o Seagull em um carro para cinco ocupantes, enquanto o modelo anterior vendido na China era homologado para quatro pessoas.
O aumento também aproxima bastante o novo Seagull do Dolphin em tamanho. Outra novidade é um compartimento dianteiro para bagagens com 94 litros, possível graças à mudança da arquitetura mecânica.

Tração passa para trás
Uma das alterações mais profundas está justamente onde fica o motor. A primeira geração tem motor elétrico dianteiro e tração dianteira. No novo Seagull, a BYD transferiu o conjunto para o eixo traseiro.
Também houve um salto de potência. O modelo anterior utiliza motor de 55 kW, equivalentes a 75 cv. Agora as versões com menor autonomia recebem uma unidade de 85 kW (116 cv), enquanto as superiores chegam a 95 kW (129 cv).
A suspensão traseira por eixo de torção também deu lugar a um conjunto independente multilink, outra mudança que distancia tecnicamente a segunda geração do Dolphin Mini atualmente vendido no Brasil.

Até 420 km e cinco minutos para recarregar
A BYD oferece duas configurações de bateria Blade. As versões de entrada utilizam um conjunto de 30,1 kWh e oferecem autonomia de 320 km pelo ciclo chinês CLTC. As demais recebem bateria de 39,2 kWh e chegam a 420 km.
É nas versões de 39,2 kWh que aparece uma das novidades mais relevantes reveladas no lançamento. Elas são compatíveis com a tecnologia Flash Charging da BYD, capaz de elevar a carga de 10% para 70% em cinco minutos nas estações compatíveis. Segundo a fabricante, são necessários nove minutos para chegar a 97%.
A tecnologia ainda depende de uma infraestrutura específica. A BYD afirma já contar com mais de 12 mil estações de recarga ultrarrápida na China e pretende chegar a 20 mil até o fim de 2026.

Mais tecnologia a bordo
As versões superiores também podem receber LiDAR e o sistema de assistência à condução DiPilot 300. O equipamento amplia as funções semiautônomas disponíveis no hatch e se soma a recursos como câmeras ao redor do veículo.
A cabine também foi completamente redesenhada para acompanhar o crescimento externo. Além do quinto assento, a BYD aumentou o espaço disponível para os passageiros e adotou uma nova disposição do painel e console.
Preço será questão central no Brasil
Ainda não há preços nem especificações confirmadas para a segunda geração do Dolphin Mini no Brasil. Também não é possível assumir que todas as soluções oferecidas na China, especialmente Flash Charging e LiDAR, serão mantidas quando o carro chegar ao país.
A estratégia chinesa, porém, cria uma referência interessante. Em vez de aproveitar o aumento de tamanho e conteúdo para levar o Seagull a uma faixa superior, a BYD reduziu o preço da versão mais barata.
No Brasil, o Dolphin Mini custa atualmente R$ 118.990 na versão GL e R$ 119.990 na GS. A diferença entre elas está principalmente na bateria e autonomia: a primeira oferece 224 km, enquanto a segunda chega a 280 km, segundo o Inmetro.
O modelo encontrou uma escala incomum para um carro elétrico no país. Foram 9.384 emplacamentos somente em setembro e 64.442 unidades acumuladas em 2026 até a primeira metade de outubro.
A segunda geração, portanto, aparece quando o atual Dolphin Mini vive seu melhor momento comercial no Brasil. Na China, a BYD conseguiu entregar um carro consideravelmente maior e mais completo e, ao mesmo tempo, reduzir o preço de entrada. Se repetir essa estratégia por aqui, a troca de geração poderá aumentar ainda mais a pressão do Dolphin Mini sobre modelos a combustão.
