Não é a qualquer hora que vemos um produto cujo desenvolvimento começou do zero. Na picape Amarok não existe nova geração, reestilização ou reposicionamento de segmento. O utilitário é inédito em toda a história da Volkswagen – a picape vendida na Europa na década passada era uma Hilux sob licença – e, curiosamente, nasceu no Brasil.

Foi ideia cuja gestação foi feita pelo departamento de produtos brasileiro, nos disse hoje Eduardo Marchetti, especialista em marketing em comerciais leves da Volks. O projeto foi pensado há cinco anos e acabou tomando um vulto maior a ponto de a matriz assumir seu desenvolvimento.

Mirando na Hilux

Desde o princípio, a picape Hilux, da Toyota, serviu como inspiração para a Amarok. O objetivo era superá-la em todos os aspectos. Para isso, suas medidas são maiores, o conforto a bordo, superior (há até ar-condicionado dual zone e tela touch-screen no painel). Mas é na tecnologia que a picape alemã surpreende.

Há desde controle de tração a ABS para uso off-road. Diferencial eletrônico, controle de assistência a descida e também a subida de rampas de até 45º de inclinação.

O conjunto mecânico impressiona: o câmbio é manual de seis marchas produzido pela ZF no Brasil e conta com um capricho da VW. Em vez de uma alavanca simples que passaria toda a vibração do motor para o braço do motorista, a Amarok conta com um sistema bipartido que absorve esse incômodo.

O motor TDI faz a proeza de oferecer a mesmo potência (163 cv) e cerca de 5 kgfm a mais do torque que o 3.0 litros da Hilux. Mas ele é um 2.0 litros com intercooler e dois turbos, um para alta rotação e outro menor para baixa rpm.

O conjunto faz a Amarok atingir 181 km/h de velocidade máxima e 11,1 segundos de aceleração de 0 a 100 km/h – o consumo médio é de 13 km por litro de diesel.

Mimos de carro

As picapes médias seguem cada vez mais em direção ao conforto dos automóveis e a Volkswagen seguiu essa regra. A Amarok oferece volante com ajuste de profundidade e altura, bancos do motorista e do passageiro também com ajuste de altura, computador de bordo que aponta a hora de trocar de marcha para economizar combustível e bancos traseiros que podem ser rebatidos para cima ou para baixo. Por falar em bancos, eles são de couro de série.

A Volks, no entanto, não revelou o preço da única versão que será vendida a partir de abril, inicialmente. Trata-se da Amarok Highline, com câmbio manual e rodas com aro 18, entre outros itens. Apesar disso, durante nosso bate-papo com os executivos da VW, incluindo o presidente Thomas Schmall, deu-se a entender que a picape custará um pouco acima da Hilux manual SRV, ou seja, em torno de R$ 125 mil – a Toyota tem preço sugerido de R$ 119 630 nessa versão.

A expectativa de vendas, no entanto, foi revelada para um pequeno grupo de jornalistas presentes ao evento de lançamento, incluindo o AUTOO. O objetivo é terminar o ano com 10 mil unidades vendidas, de maneira progressiva à medida que novas versões sejam incorporadas, entre elas, a Amarok 4x2, a cabine simples, a flex e até mesmo uma versão com tração integral permanente, de uso urbano.

Perguntamos ao presidente da Volkswagen se a Amarok forneceria condições de a montadora superar a Fiat em vendas em 2010, uma meta perseguida há anos. “Este ano não dá”, reconheceu Schmall. “Estamos começando um longo trabalho, mas somente em 2011 ela estará com força total”, completou.

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Ricardo Meier

Publisher do AUTOO, é o criador do site e tem interesse especial pelo sobe e desce do mercado, analisando os números de vendas de automóveis todos os meses

Ricardo Meier | http://www.jcceditorial.com.br/