Produto com alto valor agregado: o novo mantra da indústria automotiva

Concepção já contempla produtos de sucesso vendidos no mercado e vai inspirar mais fabricantes
Volkswagen Polo 2018

Volkswagen Polo 2018 | Imagem: Divulgação

“Agregar valor a um produto nada mais é do que acrescentar inovações, proporcionar um diferencial ao um produto que vai agradar mais os clientes em relação ao que já existe no mercado”, explica o professor Robson Camargo. E, prepare-se, pois é seguindo essa proposta que as principais fabricantes globais já projetam seus modelos e estão conseguindo bastante sucesso ao acertar essa fórmula para o mundo automotivo.

Um bom exemplo pode ser visto hoje na linha Volkswagen fabricada no Brasil. Com a evolução do perfil de compra do brasileiro, que há um bom tempo não optava mais por carros “pelados”, ou seja, passou a valorizar itens de conforto como ar-condicionado, direção assistida, entre outros, a marca alemã viu aí a oportunidade de um mercado mais consolidado, que estaria disposto a pagar mais por um automóvel que também olhasse para suas novas demandas com atenção.

Por essa razão podemos dizer que a nova geração do Polo foi um divisor de águas no segmento de hatches compactos, sendo o primeiro modelo a trazer o conceito de um produto de maior valor agregado ao segmento. Basta citar as várias evoluções que permeiam o projeto do hatch, começando por sua plataforma moderna e que lhe rende alto nível de segurança, algo raramente encontrado na categoria. Além disso, na parte mecânica, o motor 1.0 TSI, com turbo e injeção direta, fez o Polo inaugurar por aqui uma tendência que será seguida por seus concorrentes diretos, em especial as respectivas novas gerações de Chevrolet Onix e Hyundai HB20, que também vão apostar em motores de características semelhantes para suas versões topo de linha. Já na parte interna, o Polo oferece em sua versão topo de linha Highline requintes até então sequer encontrados em carros nacionais mais caros, como é o caso do painel de instrumentos digital.

Uma prova de que o consumidor brasileiro valoriza cada vez mais os modelos de alto valor agregado é que as versões mais caras do Polo, no caso a Comfortline e a Highline, responderam, somadas, por pouco mais de 45% dos emplacamentos do hatch em maio deste ano, segundo dados apurados pelo Autoo. É um número considerável, em especial levando em consideração que um Polo Highline completo pode custar R$ 83.340. 

Outro bom exemplo é o Volkswagen Virtus. O sedan, irmão de projeto do Polo, hoje pode até ultrapassar os R$ 90.000 em sua versão Highline com todos os opcionais. Mesmo assim, Polo e Virtus registram ótimos números de venda. O Polo hoje em dia é o 10º carro mais vendido do Brasil, enquanto o Virtus, consegue figurar como o 3º sedan compacto mais vendido dentro do segmento, ficando atrás apenas do líder Chevrolet Prisma e do Ford Ka Sedan. É importante destacar que, no caso do Virtus, o representante da VW, ao contrário de Prisma e Ka Sedan, não conta com versão 1.0 aspirada mais acessível, o que destaca ainda mais a boa aceitação do Virtus.

E assim podemos seguir o raciocínio dentro da gama VW com o T-Cross, por exemplo, que até mesmo investiu em uma avançada versão topo de linha com motorização 1.4 turbo justamente de olho em um público consumidor que está disposto a pagar mais por um modelo – mesmo que encontre alternativas mais baratas dentro da categoria – desde que ele entregue atributos técnicos capazes de justificar o preço maior. 

Por falar em SUVs, a Jeep com os bem-sucedidos Renegade e Compass é uma marca que também alinha-se com essa tendência de oferecer produtos com diferenciais relevantes para o público. Basta notar o foco em recursos de tecnologia e eletrônica embarcada que a Jeep preparou para o Compass, o qual se posiciona como um dos carros mais avançados fabricados no Brasil. Vale a pena dizer que o Renegade hoje lidera as vendas entre os SUVs compactos, assim como o Compass entre os SUVs médios. Mesmo não contando com versões abaixo de R$ 100 mil, outro feito relevante do Compass foi que, em 2018, o modelo foi o SUV mais vendido do Brasil. No ano passado, ele registrou 60.297 emplacamentos. 

Para as fabricantes, por mais que os carros de maior valor agregado representem um custo extra de desenvolvimento e produção, sua margem de lucro com esses automóveis pode ser maior em relação aos veículos de entrada, o que, do ponto de vista administrativo, representa um ganho interessante. Como qualquer empresa, para as montadoras também é importante apresentar balanços consolidados com números mais robustos, agradando, assim, seus investidores e acionistas.

Quem deverá adotar uma estratégia muito semelhante à da Volkswagen será a Chevrolet aqui no Brasil. A partir deste ano veremos a estreia local da nova família destinada a mercados emergentes que foi concebida justamente pensando nessa fórmula do maior valor agregado. É o que veremos em produtos como as novas gerações de Onix e Prisma/Onix Sedan, modelos com um design mais caprichado, melhor conteúdo de equipamentos e conjuntos mecânicos mais eficientes. A futura geração do Tracker, o SUV compacto da empresa em nosso país, é outro que adotará essa concepção em seu projeto.

Na medida em que o mercado e a indústria local evoluem em paralelo, a tendência é que possamos contar, aqui no Brasil, com modelos cada vez mais avançados e projetos notadamente mais competitivos. Dessa forma, rumamos em direção a um mercado maduro, em que carros cada vez melhores poderão ser oferecidos. 

 

 

 

Volkswagen Polo 2018
Acima o painel de instrumentos digital presente no Volkswagen Polo: um item de valor agregado ao produto
Imagem: Divulgação

 

 

 

 

 

 

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