Após uma longa reunião ocorrida hoje na França, o conselho administrativo da Renault anunciou que seguirá analisando “com interesse” a proposta de fusão oferecida pela Fiat Chrysler. Unidas, as duas empresas podem dar origem ao terceiro maior grupo automotivo do mundo.

“O Conselho de Administração da Renault se reuniu hoje para revisar em detalhes os elementos da proposta recebida da FCA (Fiat Chrysler Automobiles) em 27 de maio para uma potencial fusão 50/50 entre a Renault S.A. e a FCA. O Conselho decidiu continuar estudando com interesse a oportunidade de tal combinação e ampliar as discussões sobre o assunto. O Conselho se reunirá novamente na quarta-feira, 5 de junho, no final do dia”, declarou a Renault nesta tarde.

A proposta, que foi tornada pública na semana passada, certamente ainda envolverá longos debates. O acordo, que envolve um montante de US$ 35 bilhões, depende do convencimento de vários atores importantes, entre eles o governo francês, que atualmente conta com 15% de participação acionária na Renault.

A administração pública francesa mostrou-se aberta às negociações, porém não abre mão de cláusulas que preservem empregos e fábricas no país, o que é natural.

Pelos termos iniciais da proposta da FCA, as duas fabricantes seriam adquiridas por uma terceira empresa (holding) sediada na Holanda em que a Fiat Chrysler e a Renault S.A. possuiriam 50% das ações cada uma. A negociação ainda envolveria uma pagamento de 2,5 bilhões de euros em dividendos aos acionistas da FCA.

O governo francês, por sua vez, amparado em algumas análises, pediu outros termos nas negociações alegando que a Renault foi subavaliada, em especial se for levado em conta os 43,4% das ações que ela possui da japonesa Nissan.

Entre as exigências que o governo francês passou a solicitar, segundo algumas fontes ligadas às negociações informaram veículos de imprensa europeus, encontram-se uma sede dessa nova holding em Paris para controlar as atividades do novo conglomerado na Europa, Oriente Médio e África, a manutenção do atual presidente da Renault, Jean-Dominique Senard, em um cargo de liderança dentro da nova empresa, bem como uma vaga no conselho administrativo da holding para o governo francês.

Ao longo dos últimos dias, a Renault e a Fiat Chrysler deixaram claro que gostariam de preservar a aliança Renault-Nissan. O atual CEO da Nissan, Hiroto Saikawa, declarou recentemente que se a fusão entre a Renault e a FCA se concretizar, a marca japonesa conduzirá uma “revisão” em sua relação com a fabricante francesa. O executivo da Nissan, contudo, não nega que “oportunidades para futuras sinergias” podem ocorrer no futuro caso o acordo entre Renault e FCA seja efetivado.

Como explicamos em um especial aqui no Autoo, a fusão entre Fiat Chrysler e Renault pode ser benéfica para o Brasil na medida em que as empresas ganham fôlego financeiro e de escala para investir em novos projetos globais, o que poderia até fazer do Brasil um polo exportador para as duas fabricantes.

A economia de aproximadamente 5 bilhões de euros que a FCA deseja alcançar com a Renault depende do acesso do grupo ítalo-americano à tecnologias da Nissan, portanto as empresas ainda tem muito o que negociar. De qualquer forma, se as companhias resolverem aprofundar o acordo e trazer a FCA para a atual aliança Renault-Nissan-Mitsubishi, o resultado seria o maior grupo automotivo do mundo, com vendas atingindo a casa de 15 milhões de veículos por ano. Esse resultado superaria por um ampla margem gigantes como a Toyota e o Grupo Volkswagen. 

 

Renault Clio 2019
Renault Clio 2019
Imagem: Divulgação

 

 

 

César Tizo

O "Guru dos Carros", César Tizo se juntou ao time este ano e está à frente dos portais AUTOO e MOTOO. É o expert em aconselhar a compra de automóveis

César Tizo | http://www.jcceditorial.com.br/