Stellantis confirma que terá nova fábrica de motores na Argentina em 2027

Unidades 2.2 turbodiesel vão equipar a Fiat Toro exportada para o Brasil, entre outros modelos
Fiat Titano 2026 começa a ser fabricada em Córdoba (Argentina)

Fiat Titano 2026 começa a ser fabricada em Córdoba (Argentina) | Imagem: Divulgação

A Stellantis Argentina deu início a uma das maiores transformações industriais de sua história com o anúncio de uma nova fábrica de motores em seu Polo Industrial de Ferreyra, em Córdoba. O empreendimento terá investimento de US$ 385 milhões, anunciado pelo presidente da companhia no país, Martín Zuppi.

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O aporte não apenas celebra a marca histórica de 1,5 milhão de veículos produzidos na planta, mas reposiciona Córdoba como o coração pulsar da estratégia de powertrains (motores e transmissões) da Stellantis na América do Sul.

A nova linha de montagem de motores, cuja produção em série está confirmada para começar em 2027, representa um salto tecnológico para a indústria automobilística argentina. A fábrica será responsável pela nacionalização do motor 2.2 litros Multijet turbodiesel projetado para atuar em conjunto com sistemas de tração 4x4 e transmissões automáticas modernas.

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Evolução movida a diesel

Fiat Toro 2022
Fiat Toro é um dos modelos que podem vir com o motor 2.2 turbodiesel que será feito na Argentina
 Imagem: Divulgação

O motor 2.2 Multijet II Turbodiesel da Stellantis consolidou-se como o principal propulsor a diesel do grupo na América do Sul. Desenvolvido originalmente para atender às rígidas normas ambientais europeias, ele foi introduzido na região para cumprir as exigências de emissões do Proconve L8 no Brasil.

No mercado brasileiro, o modelo que estreou este motor — inicialmente importado da Itália — foi a picape intermediária Ram Rampage (linha 2025), expandindo-se posteriormente para outros utilitários da marca, como o Jeep Commander, a Fiat Toro e a Fiat Titano.

Em termos de engenharia e tecnologia, o novo propulsor traz avanços significativos sobre o antigo bloco. Ele utiliza uma pressão de injeção de combustível de 2.000 bar e um sistema avançado de gerenciamento térmico que inclui dois reservatórios de arrefecimento independentes (um para o motor e outro exclusivo para o watercooler do ar de admissão). Além disso, para mitigar as emissões gasosas de forma eficiente, adota o sistema de pós-tratamento com bico injetor de Arla 32.

Quando comparado diretamente ao antigo motor 2.0 Multijet de 170 cv (que deixou de ser produzido por não atingir os novos limites de poluição), o 2.2 se sobressai nos seguintes aspectos:

  • Mais Potência e Torque: O 2.2 entrega 200 cv e 45,9 kgfm de torque, representando um ganho expressivo de 30 cv de potência e 10,2 kgfm de força em relação ao antecessor.
  • Eficiência Energética: Apesar de ser maior e consideravelmente mais potente, ele promete ser cerca de 10% mais econômico. Isso ocorre devido a recalibrações na transmissão automática de 9 marchas, melhorias no conversor de torque e adoção de um diferencial traseiro 14% mais longo.
  • Desempenho Geral: O motor reduz drasticamente o tempo de aceleração. No Jeep Commander, por exemplo, o tempo de 0 a 100 km/h baixou de longos 11,6 segundos para 9,7 segundos, proporcionando retomadas muito mais seguras e vigorosas no trânsito.


Hub de exportação 

Fiat Titano será argentina em 2025
Fiat Titano também é fabricada na Argentina e conta com o motor 2.2 turbodiesel que será exportado
Imagem: Divulgação

A nova fábrica de motores nasce com uma vocação fortemente voltada para o mercado externo. Além de suprir a demanda da própria unidade de Córdoba — equipando as picapes médias Fiat Titano e a  Ram Dakota que são fabricadas ali —, a maior parte do volume de motores produzidos cruzará a fronteira.

Esses motores 2.2 turbodiesel serão exportados principalmente para o Brasil e outros mercados da América Latina, abastecendo linhas de montagem de veículos de grande volume e prestígio do grupo.

Na engenharia do Mercosul, o motor argentino será o coração mecânico de modelos consolidados e produzidos em solo brasileiro, como a picape Fiat Toro e o SUV de sete lugares Jeep Commander, gerando uma sinergia industrial inédita e otimizando a cadeia de suprimentos da Stellantis na região.


Legado de quase 30 anos  
 

A consolidação dessa nova fábrica de motores é o ápice de uma trajetória iniciada em dezembro de 1996. Na época, a planta de Ferreyra foi inaugurada após um aporte inicial de US$ 600 milhões para dar vida aos icônicos Fiat Palio e Siena.

Ao longo das décadas seguintes, ciclos sucessivos de investimentos expandiram o complexo: US$ 80 milhões em 2007, US$ 110 milhões em 2012 e US$ 500 milhões em 2017 para o desenvolvimento exclusivo do Fiat Cronos — sedã que sozinho já superou 500 mil unidades produzidas e liderou as vendas no mercado argentino.

Com o novo aporte de US$ 385 milhões liderado pela divisão de motores, a Stellantis não apenas celebra o passado com a marca de 1,5 milhão de unidades produzidas, mas garante o futuro de Córdoba.

A operação se consolida como um polo exportador de alto valor agregado, unindo alta tecnologia em motores a combustão limpos e eficientes com a crescente produção regional de picapes e utilitários.

Carlos Guimarães

Jornalista há mais de 20 anos, já acelerou várias novidades, mas não dispensa seu clássico no final de semana