Stellantis: fábricas serão preservadas e ''algumas marcas vão renascer''

Empresa resultante da fusão entre Fiat Chrysler e Grupo PSA informou sua estratégia de atuação
Jeep Renegade na linha de produção em Goiana (PE)

Jeep Renegade na linha de produção em Goiana (PE) | Imagem: Divulgação

A Stellantis, empresa resultante da fusão entre Fiat Chrysler e o Grupo PSA, realizou nesta terça-feira (19) sua primeira coletiva de imprensa. O CEO da nova companhia, Carlos Tavares, apresentou as diretrizes da empresa para os próximos anos, bem como algumas informações sobre a estratégia de atuação da Stellantis a partir de agora.

Entre os pontos principais revelados por Tavares, a Stellantis busca um ganho de 5 bilhões de euros em sinergias entre as diferentes empresas do novo conglomerado, sendo que essa otimização nos negócios será obtida por meio de três eixos principais.

O primeiro deles diz respeito às “sinergias de produtos”, ou seja, a convergência de plataformas veiculares, módulos e sistemas; a consolidação de investimentos em motores térmicos, propulsão eletrificada e outras tecnologias, além de uma otimização dos processos de manufatura.

O segundo eixo diz respeito a um significativo ganho em escala na compra de componentes utilizados pela marcas do grupo, com isso reduzindo os preços, além de um acesso maior a novos fornecedores. O terceiro pilar para tornar as operações da Stellantis mais rentáveis diz respeito a uma integração de funções dentro do grupo envolvendo as áreas de marketing, tecnologia da informação, qualidade, pós-vendas, entre outras.

Segundo comunicado da Stellantis, “as estimativas de sinergia não se baseiam no fechamento de qualquer planta resultante da transação”. Considerando as marcas que integram a nova companhia, a Stellantis terá operações industriais em mais de 30 países e atuação em 130 mercados. A empresa ainda ocupará participação de mercado de destaque na Europa, América do Norte e América Latina e pretende expandir sua atuação em regiões como África, Oriente Médio, China, Índia e Oceania.

Uma gigante global, a Stellantis nasce com um contingente global de 400 mil empregados contemplando mais de 150 nacionalidades.

Em sua fala, Tavares destacou que a Stellantis vai priorizar a “excelência e não o tamanho”, revelando que a empresa buscará atender as novas demandas do público por serviços de mobilidade e um bom atendimento em seu relacionamento com os clientes. A Stellantis também dará especial atenção ao desenvolvimento de veículos autônomos, novas formas de energia para a propulsão automotiva e veículos conectados que ofereçam uma “experiência 360º” aos passageiros. Ainda de acordo com o executivo, a demanda por “soluções de mobilidade” vai crescer consideravelmente nos próximos anos, sendo uma das área que vai receber bastante atenção na nova companhia.

Saiba mais: O que esperar da Stellantis, a união de Fiat Chrysler com a Peugeot Citroën, em 2021?

Informação importante antecipada pelo CEO da Stellantis é que, por volta de 2025, todo modelo global lançado pelas marcas do grupo deverá ter ao menos uma versão eletrificada. Atualmente, somando todo o portfólio de montadoras que integram a companhia, a Stellantis tem em sua gama 29 modelos eletrificados. Outros 10 serão adicionados até o fim deste ano, sempre levando em consideração veículos com propulsão elétrica, híbrida ou híbrida plug-in.

Ao todo, a Stellantis integra em nível global 15 marcas automotivas, duas empresas de serviço de mobilidade, no caso a Free2Move e a Leasys, além da Mopar, especializada em peças e acessórios. O leque de fabricantes engloba Abarth, Alfa Romeo, Chrysler, Citroën, Dodge, DS, Fiat, Fiat Professional, Jeep, Lancia, Maserati, Opel, Peugeot, Ram e Vauxhall. Aqui na América Latina, destaque também para a Flua!, já atuante no Brasil com o serviço de carro por assinatura.

Para o cargo de responsável pela operações da Stellantis na América do Sul (Region Chief Operating Officer) foi delegado Antonio Filosa, que ocupava o posto de presidente da FCA para a América Latina. 

Por fim, Tavares destacou que o amplo portfólio de marcas consagradas vai proporcionar à Stellantis uma “base forte” para acelerar alguns desenvolvimentos. “Infelizmente não podemos investir em todas as marcas no momento por questão de prioridade, mas, com a Stellantis, nós teremos a oportunidade de fazer carros de uma forma mais barata, o que nos permite criar planos de negócios melhores para algumas marcas. Com isso, teremos produtos interessantes e que trarão lucro ao nosso negócio. Nós seremos mais competitivos e algumas marcas vão renascer”, conclui o CEO da nova empresa sediada na Holanda.

Carlos Tavares (esquerda), CEO da Stellantis, e John Elkann, presidente do conselho administrativo da nova empresa
Carlos Tavares (esquerda), CEO da Stellantis, e John Elkann, presidente do conselho administrativo da nova empresa
Imagem: Divulgação