Você já cansou de ver e saber aqui no Autoo que o mundo hoje é dos SUVs. Com raras exceções (e por tempo limitado), as marcas estão lançando cada vez mais modelos com estética off-road na maior mudança de estilo da indústria automobilística em várias décadas.

Hoje nem dá mais para falar dos utilitários esportivos como algo especial. Pelo contrário, eles são a síntese de vários desejos do público, entre eles uma boa altura do solo, um visual mais instigante e espaço interno generoso. Até mesmo um desempenho mais respeitável, coisa que os primeiros não tinham, agora já se tornou possível graças ao avanço de inúmeras tecnologias.

Ainda assim, o que mais se vê no portfólio das montadoras é produto “reciclado”: pega-se uma base consagrada, empresta-se componentes de certos veículos e pronto, temos um “SUV”. O resultado é satisfatório na maioria dos casos, mas pouca gente tem surpreendido o mercado e esse é o caso do XC40, da Volvo.

O novo utilitário esportivo sueco é novidade na linha de carros da marca – até então o XC60 segurava o bastão de principal jipe da Volvo, o que deverá ser a nova tarefa do XC40. E tudo leva a crer que ele vai tirar de letra essa missão.

Numa estratégia global veloz, a Volvo lançou nesta semana o modelo no Brasil, pouco tempo depois do início das vendas no exterior. Desde janeiro, ele já podia ser reservado e segundo a marca, mais de mil pedidos foram confirmados, praticamente metade do volume esperado por ela em 2018.

Esses futuros clientes devem ter uma grata surpresa. O XC40 não é apenas o menor SUV da Volvo, mas também um modelo que mescla o capricho visto em seus irmãos maiores com soluções originais em estilo e tecnologia.

Ou seja, o carro foge daquela receita manjada de buscar apenas um jeitão “off-road” mesmo que de resto ele seja uma recompilação de outros carros. Quer um exemplo do que falamos? O Compass, tão querido pelo público, é uma releitura da plataforma do Renegade e da picape Toro. A grande sacada foi desenhar um mini-Cherokee com design mais clássico e com espaço interno melhor que seu irmão menor.

No caso do XC40, há uma nova plataforma, a CMA, e também ideias e conceitos já conhecidos, mas também muita coisa nova a começar pelo estilo. Em vez de fazer uma miniatura de um XC90, a Volvo resolveu pensar num carro com personalidade própria. E conseguiu. Se não tem a ousadia de um Range Rover Evoque, o XC40 é um carro difícil de ser confundido. Até os faróis “martelo de Thor” tem um desenho um pouco diferente, lembrando uma flecha. Na lateral, a coluna C traz um corte diagonal que se encontra com a moldura superior e forma um conjunto muito original.

O ponto fraco na nossa opinião está na tampa do porta-malas, que ficou um tanto “solta” com as lanternas restritas à coluna. O conjunto, no entanto, é equilibrado e distante da mesmice que se vê no segmento.

Mudanças bem pensadas

Se a “paixão” por um carro nasce pelo seu exterior, o “amor incondicional” está em seu interior. Nesse sentido, o XC40 conquista rapidamente. A Volvo se preocupou em criar um carro envolvente mas também moderno com uso de materiais nobres e acabamento primoroso. Não bastasse isso, resolveu sair do lugar comum ao desenhar um sistema de som com alto falantes distribuídos pelo carro que liberam espaço nas portas. Em vez das enormes caixas há um porta-objetos imenso além de superfícies agradáveis ao toque e de texturas originais.

O painel de instrumentos repete a solução vista nos irmãos: um cluster (painel de instrumentos) digital com 13 polegadas, volante multifuncional com diversos comandos e uma central multimídia de 9 polegadas vertical. Talvez a melhor ideia que a Volvo teve em muitos anos. Além de ter uma área enorme ela é intuitiva de manejar e se conecta com o CarPlay e Android Auto.

O XC40 é também um carro grande se comparado aos seus principais rivais – a Volvo mira nos alemães Q3, X1 e GLA. O espaço lateral é realmente muito grande, com 1,45 metro no banco dianteiro. Ele perde um pouco nas dimensões longitudinais, mas ainda assim é muito bom para as pernas.

Já o porta-malas tem capacidade para 460 litros e algumas boas sacadas como um compartimento para objetos soltos e acionamento elétrico de abertura e fechamento.

No quesito mecânico, o XC40 segue uma receita consagrada: motor 2.0 turbo com injeção direta e transmissão automática de 8 velocidades com opção sequencial. A suspensão é independente nas quatro rodas e os freios, a disco em todas elas.

Mas há diferenças nas três versões disponíveis para compra. A T4, de entrada e que só chega ao país em julho, tem tração dianteira e rodas aro 18 de série. Além disso, seu motor oferece 190 cv de potência contra 252 cv das versões T5 Momentum e T5 R-Design que também são AWD, ou seja, possuem tração integral.

Esportivo com conforto

No primeiro contato com o XC40, pudemos avaliar a versão mais cara R-Design. Ela traz vários itens de segurança ativa de série que proporcionam o chamado modo “semi autônomo”. É m conjunto de recursos como o ACC (controle de cruzeiro adaptativo) e o alerta de mudança de faixa que atuam para evitar situações de risco. É o mesmo princípio do City Safety que freia o veiculo em situações de evidente perigo.

Segundo a Volvo, o R-Design possui um acerto de suspensão e de dirigibilidade mais firme que os outros dois modelos, mas na prática o que vimos foi um veículo confortável de dirigir mesmo com uma tocada mais agressiva.

Com ajustes de assento e volante, é difícil não encontrar a posição ideal de dirigir o XC40 e há memórias para guardar seu “setup”. A partida do motor e o freio de estacionamento são elétricos e o acionamento do câmbio Geartronic feito de forma eletrônica, ou seja, não há nenhuma engrenagem mecânica conectada, apenas os “inputs” dados pela movimentação da manopla.

Mesmo com o pré-ajuste esportivo é possível optar por alguns modos de condução como o Eco, Comfort, Off-Road e Dynamic que alteram a dirigibilidade de acordo com o perfil selecionado.
O motor 2.0 de 252 cv dá conta dos mais de 1,7 mil quilos do XC40, um carro que não é exatamente leve. Retomadas e acelerações são sempre feitas com folga assim como o funcionamento dos freios a disco.

Equipado com o sistema Intellisafe, o XC40 R-Design contorna curvas e mantém a distância para o veículo da frente com certa precisão – talvez o City Safe pudesse ser menos brusco em algumas atitudes que toma, mas ele tira carga do motorista com certeza. A frenagem automática de emergência causa sustos, mas contribui para nos manter alerta. Pelos recursos que traz, o pacote vale a pena mesmo na versão T4: são R$ 5 mil a mais para tê-lo.

Já a ausência de alguns itens foram sentidos na linha 2019 – sim, como a pré-venda esgotou rapidamente, o novo lote de carros já mudou de ano. Um deles é o Park Assist e o outro a câmera de 360º que faziam parte da série especial de lançamento “First Edition” e que foram suprimidos.

 
 
Volvo XC40 2019
 
Volvo XC40 2019
Volvo XC40 2019
Volvo XC40 2019
 
Volvo XC40 2019
Volvo XC40 2019
Volvo XC40 2019
 
Volvo XC40 2019
Volvo XC40 2019
Volvo XC40 2019
 
Volvo XC40 2019
Volvo XC40 2019
Volvo XC40 2019
 
Volvo XC40 2019
Volvo XC40 2019
Volvo XC40 2019
 
Volvo XC40 2019
Volvo XC40 2019
Volvo XC40 2019
 
Volvo XC40 2019
Volvo XC40 2019
Volvo XC40 2019
 
Volvo XC40 2019
Volvo XC40 2019
Volvo XC40 2019
 
Volvo XC40 2019
Volvo XC40 2019
Volvo XC40 2019
 
Volvo XC40 2019
Volvo XC40 2019
Volvo XC40 2019
 
Volvo XC40 2019
Volvo XC40 2019
Volvo XC40 2019
 
Volvo XC40 2019
Volvo XC40 2019
Volvo XC40 2019
 
Volvo XC40 2019
Volvo XC40 2019
Volvo XC40 2019
 
Volvo XC40 2019
Volvo XC40 2019
Volvo XC40 2019
 
Volvo XC40 2019
Volvo XC40 2019
Volvo XC40 2019
 
Volvo XC40 2019
Volvo XC40 2019
Volvo XC40 2019
 
Volvo XC40 2019
Volvo XC40 2019
 
 

Preocupação em manter o cliente fiel

Nessa nova fase em que deixou as mãos da Ford e foi assumida pelos chineses da Geely, a Volvo nunca pareceu tão senhora de si. A impressão é que a montadora sueca se livrou das amarras que os americanos impuseram e que tiraram parte da sua personalidade.

O XC40 é o fruto mais visível desse otimismo: um carro bastante interessante e equilibrado além de original. Mas a marca parece saber que não basta um ótimo pacote técnico para vingar. Se os rivais eleitos por ela são os alemães a lição com o pós-venda parece ter vindo das montadoras asiáticas.

Por isso, a Volvo tem se preocupado em manter uma ligação com o cliente, seja por meio do Volvo On Call, um sistema de concierge que ajuda o motorista inclusive em casos de furtos (a marca garante que recuperou todos os carros roubados até hoje), seja com um plano de revisões acessível que custa R$ 10 mil nos três primeiros anos de uso. Além disso, ela oferece uma extensão da garantia de dois anos e também passará a comercializar um seguro próprio em parceria com a seguradora Liberty.

Talvez essa estratégia só vá render frutos daqui a alguns anos, mas a Volvo não tem do que reclamar. A meta é bater o recorde histórico de vendas no Brasil em 2018, marca que deve ser atingida mais cedo que se imaginava se depender da boa estreia do XC40.

Ficha técnica

Volvo XC40 2019 T5 R-Design 2.0 16V gasolina automático integral 4p
Preço R$ 2.229.500 (12/2018)
Categoria SUV compacto
Motor 4 cilindros, 1969 cm³
Potência 252 cv a 5500 rpm (gasolina)
Torque 35,7 kgfm a 1800 rpm
Dimensões Comprimento 4,425 m, largura 1,863 m, altura 1,652 m, entreeixos 2,702 m
Peso em ordem de marcha 1762 kg
Tanque de combustível 54 litros
Porta-malas 460 litros
Veja ficha completa

Publisher do AUTOO, é o criador do site e tem interesse especial pelo sobe e desce do mercado, analisando os números de vendas de automóveis todos os meses

Ricardo Meier |