É provável que seu próximo carro, ou aquele depois do próximo, seja um sul-coreano. Isto é, se caso você já não tenha estacionado na garagem um sedã ou SUV da trinca coreana, formada por Hyundai, Kia e SsangYong – esta última, é verdade, ainda exercendo um papel coadjuvante no mercado nacional. Um tanto distantes de outra trinca – a alemã, formada por Audi, BMW e Mercedes – em termos de tecnologia e status, os coreanos tem se firmado como sonhos acessíveis dos brasileiros.

Prova disso é que dois dos segmentos mais importantes do mercado nacional – o de hatches médios e o de utilitários esportivos – são liderados por coreanos. No acumulado do ano, o Hyundai i30 põe em cima do Chevrolet Astra (que sempre dominou a área) cerca de 5 mil carros de diferença – número que sobe para 10 mil unidades quando comparamos o Hyundai Tucson ao seu concorrente mais próximo comercialmente, o Honda CRV.

E se os números ainda deixarem dúvida, um giro pela 26ª edição do Salão do Automóvel mostra que as coreanas são as queridinhas do momento. Ao sair de um Equus exibido no estande da Hyundai, um visitante revelou à reportagem do AUTOO que trocaria sua BMW pelo sedã que acabara de conhecer. Ele alega que o modelo não perde em nada para o alemão, que "cobra a mais pelo nome". Já o engenheiro Lauro Fiuza, ex-dono de um Lexus e atual proprietário de um Azera, se encantou com o Genesis, outro sedã apresentado pela marca no evento. "Pelo preço e conforto que oferecem, não saio mais da Hyundai", diz ele. No entanto, os fãs da marca já esperam por novidades: o badalado i30 contava com a atenção de poucos visitantes, que analisavam detalhes, principalmente, do crossover ix35 e do sedã Sonata. O Tucson, ainda bem nas vendas, ficou abandonado num canto do movimentado estande.

Há ainda quem esteja contente com seus atuais modelos, mas procura saber mais da marca concorrente. É o caso do também engenheiro Paulo Fortes. Satisfeito dono de um Santa Fe e de um i30 CW (essa, portanto, uma compra recente), Fortes tentava se ajeitar no interior do Cerato, descendo o banco, mexendo nos comandos do volante. Na sua opinião, os coreanos já ultrapassaram os japoneses em acabamento, por oferecem um ambiente mais moderno e aconchegante. “Você entra num (Toyota) Corolla e só encontra simplicidade. Pode ter qualidade, mas é sem graça”.

A moral dos coreanos chega ao ponto de alguns consumidores confundirem sua nacionalidade. Entre os entrevistados, quatro responderam que Kia e Hyundai (dois votos para cada uma) vinham do Japão, país considerado referência em termos de qualidade.

Chineses ainda distantes

As marcas chinesas também têm atraído a atenção de alguns consumidores e da imprensa – por enquanto não pela qualidade, mas sim pela quantidade de novidades. Enquanto os visitantes saíam de Kia e Hyundai considerando estes sua próxima compra, quem pisava num estande de fabricante chinesa buscava, na maioria das vezes, matar a curiosidade – sem contar o fato de que muitos ficavam vazios, enquanto o Salão ainda "bombava".

Mas os chineses, claro, tem seu apelo. Perguntamos ao empresário Antônio Melgaço o que mais havia gostado no Haima 7, SUV que acabara de analisar minuciosamente: o preço, foi sua resposta instantânea. Melgaço vê nas coreanas a melhor opção, embora critique o preço de R$ 88.000 pedido pelo Hyundai ix35. Por outro lado, o Haima 7 (SUV que chega ao Brasil em março por R$ 54.900) ainda transpira, como todo chinês, a dúvida quanto à qualidade e ao pós-venda, principalmente. Segundo ele, a alternativa para trocar seu Citroën C4 Pallas 2009, que em um ano rodou 95.000 quilômetros, seria o SsangYong Korando. E quanto às opções mais tradicionais? "Ford e Chevrolet estão superadas. Mal visitamos seus estandes", descarta ele.

O receio não é exclusivo das marcas que chegam mais timidamente. A JAC, por exemplo, estreará em 2011 pelas mãos de Sergio Habib (importador de Jaguar e Aston Martin e ex-presidente da Citroën do Brasil) com nada menos que 45 concessionárias. Perguntamos ao pernambucano Davi Borges se havia gostado do J3 que namorou por cerca de dez minutos. Suas respostas foram decididas ao dizer que o carro é bonito e tem bom acabamento, mas quando o questionamos se ele compraria o sedã, Borges demorou bons segundos até dizer que... talvez. Seu medo é em relação à assistência técnica. Nem quando contamos que seriam 45 concessionárias de uma vez Borges se animou. Ou se mostrou mais decidido.

Rodrigo Mora

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