Análise: apesar do bom conjunto, por que o VW Taos não vende como Compass e Corolla Cross?

Entre os SUVs intermediários, representante da VW está longe de registrar o mesmo volume de emplacamentos da dupla nacional
Volkswagen Taos 2021

Volkswagen Taos 2021 | Imagem: Divulgação

Talvez até embaladas pela ótima aceitação que o Jeep Compass obteve no Brasil desde o seu lançamento, em 2016, era natural que outras fabricantes também apostassem no nicho dos SUVs intermediários, ou seja, produtos com porte ligeiramente acima dos SUVs compactos tradicionais, portanto oferecendo cabine e porta-malas maiores, porém sem se equiparar às dimensões de SUVs médios propriamente ditos, como o Chevrolet Equinox, por exemplo.  

A resposta da Toyota para dividir a preferência dos consumidores que até então só tinham olhos para o Compass veio com a nacionalização do Corolla Cross em 2021, produto que, assim como o Compass, já obteve logo de cara ótima procura no segmento. 

É fato que a estratégia de batizar seu SUV inédito com um nome que busca referência no famoso sedã médio também ajudou a criar a boa fama do Corolla Cross por aqui. 

Também em 2021, a Volkswagen iniciou a produção na Argentina do Taos, seu representante na região para preencher o espaço entre o T-Cross e o Tiguan Allspace, que deve retornar em algum momento ao Brasil com o facelift apresentado na Europa. 

Porém, ao contrário do Corolla Cross, o VW Taos não deslanchou em vendas desde sua apresentação local, o que nos leva para a seguinte questão: por que, mesmo não devendo em nada tecnicamente em relação aos rivais, a procura pelo Taos não fica próxima à de Compass e Corolla Cross? 

Credenciais 

Em uma breve análise, é possível destacarmos alguns pontos em que o Taos se sobressai em relação ao Corolla Cross, por exemplo. 

O VW oferece em seu projeto suspensão independente nas quatro rodas, com destaque para o layout traseiro do tipo multibraço, solução bem mais sofisticada em relação ao eixo de torção traseiro que figura no Toyota.

Para o Compass, a Jeep também contemplou um projeto de suspensão independente nas quatro rodas, porém do tipo McPherson, o qual é mais robusto, porém não tão refinado quanto a disposição multibraço traseira do VW.  

Como já dissemos em nossa primeira avaliação do Taos, o SUV destaca-se pelo equilíbrio ao volante, além da cabine espaçosa para 5 passageiros (uma das melhores da categoria) e o bom porta-malas para 498 litros, que supera os compartimentos de Compass (410 litros no padrão VDA ou 476 litros na medição líquida) e Corolla Cross (440 litros). 

Em termos de conjunto propulsor, também não há do que reclamar do competente motor 1.4 TSI associado ao robusto câmbio automático de 6 marchas, dupla que permite ao Taos acelerar de 0 a 100 km/h em 9,3 segundos e entregar médias de até 10,2 km/l na cidade e 12,2 km/l na estrada com gasolina, parciais equivalentes às registradas pelo Jeep Compass Série S com motor 1.3 turbo flex. 

Possibilidades 

Talvez algo que a VW poderia rever no caso do Taos seria o acréscimo de uma configuração mais acessível para o modelo, que hoje parte de R$ 178.020 na opção Comfortline. Ou tornar a lista de itens de série do catálogo mais robusta. 

A Jeep, por exemplo, oferece aos consumidores o Compass Sport T270 partindo de R$ 171.990, enquanto o Toyota Corolla Cross XR parte de competitivos R$ 158.790 e conta com um detalhe relevante: já com o pacote Toyota Safety Sense de assistentes de condução. 

Enquanto o Taos Comfortline e o Compass Sport não oferecem em suas versões de entrada recursos mais sofisticados de tecnologia, o Corolla Cross XR, mesmo bem mais barato, sai de fábrica com o alerta de colisão com frenagem autônoma de emergência, assistente de permanência em faixa, piloto automático adaptativo e o farol alto automático. 

O Corolla Cross XR diferencia-se ainda dos outros dois rivais ao contar com 7 airbags de série, enquanto o VW e o Jeep contam com 6 bolsas infláveis pela cabine.

Mercado 

Segundo o acumulado até o mês passado, o Compass soma 40.713 emplacamentos, seguido pelo Corolla Cross com outras 29.128 unidades chegando às ruas e o Taos somando apenas 6.685 unidades comercializadas no período. 

É fato que, no caso do Compass, do total de emplacamentos exatas 30.776 unidades (75,5% do total) foram adquiridas na modalidade de venda direta, o que poderia “mascarar” a receptividade do mercado aos três modelos. 

O mesmo, porém, não ocorreu com o Corolla Cross, que registrou 4.563 unidades adquiridas diretamente com a montadora, portanto uma participação de 15,6% e bem menos relevante em relação ao observado no caso do Compass. 

O Taos, por sua vez, somou 1.127 unidades vendidas no regime de venda direta, ou 16,8% no acumulado deste ano. 

Vale dizer que o desabastecimento de componentes, tais como semicondutores, abalou a VW da mesma forma que a Jeep e a Toyota, portanto os desafios produtivos e logísticos foram iguais para as três marcas. 

É justo mencionar que, apesar de mais caro, o Taos Comfortline sai de fábrica com itens bastante procurados pelos consumidores da categoria e ausentes nos outros dois SUVs em seus catálogos de entrada, como o revestimento interno de couro, ar-condicionado automático digital com 2 zonas e uma central multimídia com tela maior (10”). 

Logo, a VW poderia reforçar essas qualidades do seu SUV intermediário para tentar aumentar a aceitação do Taos frente aos principais concorrentes. Atributos para isso, sem dúvida, não faltam ao modelo.

Volkswagen Taos 2021

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Interior do Jeep Compass 4xe S vendido na Europa

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Acima o Toyota Corolla Cross na edição limitada Special Edition

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Volkswagen Taos

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